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Contribuição à História do Cineclube e do Cineclubismo no Pará

Há 21 anos, o projeto do Cineclube Amazonas Douro tem atravessado oceanos e percorrido algumas cidades pelo mundo, estabelecendo a comunhão artística entre poetas e realizadores amazônidas, africanos e lusitanos, através de encontros em que se fazem projeções de filmes, exposições de fotografias, leituras de poemas e conferências artísticas e filosóficas, além de projetos editoriais, como revistas e livros, entre outros, articulados aos mesmos propósitos.
O Cineclube Amazonas Douro reúne dois rios, o Douro e o Amazonas, que desaguam em um único oceano: o Atlântico.
Oceano que divide e une estes rios de culturas díspares, rios em que o som de suas correntes sintetizam as diversas línguas que unem amazônidas, africanos e lusitanos.
Rios dialéticos que interferem na filosofia e transformam a vida destes povos, distantes mas vizinhos por meio de uma estética que compreende a arte como um acto de coragem: nadar contra a corrente.
O Cineclube Amazonas Douro é uma praxis definida através de uma concepção essencialmente poético-filosófica do homem enquanto criador artístico.
O acto de criação do Cineclube Amazonas Douro ocorreu durante o Concílio Artístico Luso-Brasileiro, realizado em Março de 2003, na cidade de Belém, Estado do Pará, Região Norte, Amazónia, Brasil. O Mestre da Escola do Porto (Sério Fernandes) e José Mojica Marins (“Zé do Caixão”) tornaram-se presidentes de honra do Cineclube Amazonas Douro, desde então, coordenado pelo Carpinteiro de Poesia.
Além de realizar acções de intervenção artística e social, o Cineclube Amazonas Douro (entre 2003 e 2005) criou e editou a revista de arte e filosofia Pará Zero Zero, tornando-se um dos poucos cineclubes brasileiros a editar uma revista de Cinema e Arte. Este projeto editorial era distribuído em Belém, Macapá, Rio de Janeiro, São Paulo, no Brasil; em Porto e Braga, em Portugal; e, através do apoio da Associação das Universidades Amazónicas, Unamaz, nos países da América do Sul.
Situado numa fértil região em que as relações de poder germinam as próprias contradições, o cinema fabrica e destrói sonhos.
Arte e indústria em simultâneo, o cinema escreve com fotogramas a história do homem: conscientiza, ilude, diverte, reflecte, propõe, aliena, dicotomiza, supera diferenças.
Pensado e realizado neste campo paradoxal, o projeto Cineclube Amazonas Douro afirma uma concepção estética em que a sua natureza filosófica restitui ao cinema o próprio estado de magia.
Aprofundar questões filosóficas que resgatam e radicalizam a arte. Apossar-se da natureza mítica, simbólica do cinema. Projetar esta magia no imaginário de todos que o realizam. Desabrochar nos corações e mentes o estado absoluto da comunhão da arte com a poesia. Esta é a meta do Cineclube Amazonas Douro.
Tais objectivos tem sido conquistados através do cinema poético, que ainda resiste de forma independente e que se realiza fora do domínio da cultura técnico-comercial e ao leste de Hollywood, um cinema criado sem economia de esforços e com a coragem absoluta de afrontar o lugar comum das produções cinematográficas financiadas pela indústria cultural global.
Carpinteiro de Poesia Francisco Weyl



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