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Mostrando postagens com o rótulo Poesia

“De onde nasce essa poética?” Francisco Weyl integra a avaliação da 5ª edição da Lampiar

A leitura dos trabalhos da 5ª edição da Revista Acadêmica Lampiar começou [3 de outubro]. Depois do encerramento das submissões, que receberam mais de 100 trabalhos, inicia-se o período de avaliação do Conselho Editorial, previsto para seguir até 22 de outubro. A publicação está prevista para dezembro. Francisco Weyl integra o Conselho Editorial como avaliador da Linha 4 — Justiça, Sociedade e Representações Artísticas. Sua leitura se volta às produções artísticas textuais: crônicas, poesias, poemas, contos e microcontos. A participação dá continuidade ao trabalho realizado na edição anterior. Na carta-convite, a equipe editorial reconhece a contribuição de Weyl à 4ª edição e o chama novamente para colaborar com a revista. O modo como ele chega a essa tarefa começa antes da leitura de cada trabalho. “A gente leva para a avaliação todo o trabalho de construção da crítica que nós trazemos dentro do nosso próprio percurso, dentro da nossa própria trajetória, da nossa própria... trabalho, ...

José Ribamar Gomes de Oliveira: memória, poesia e as ruas de Bragança

José Ribamar Gomes de Oliveira nasceu em 1951, às margens do Rio Caeté, no bairro do Cereja, em Bragança do Pará. É desse lugar que começo a lembrá-lo, porque é também desse lugar que sua vida parece ter encontrado uma espécie de centro permanente: Bragança não foi apenas a cidade onde nasceu, mas a matéria que ele passou décadas pesquisando, escrevendo, ensinando e devolvendo aos outros através dos livros, das conversas, das instituições e dos projetos culturais que ajudou a criar. Sua formação em Letras e Artes pela Universidade Federal do Pará, onde foi orador de sua turma em 1997, deu passagem a uma trajetória em que a palavra acadêmica encontrou a experiência cotidiana da cidade, dos seus moradores, das suas ruas, dos seus templos, do rio, das festas, do cinema e das muitas histórias que Ribamar foi recolhendo ao longo do tempo. Quando penso nele, penso primeiro no professor Ribamar, que é como sempre gostei de chamá-lo. Foi uma pessoa que me acolheu e com quem aprendi bastante, ...

Elegia da Bela Paixão

Na guerra Combatemos a guerra E aprendemos a ter relações Na paz que enamora teus lábios E o fruto da tua língua Amo a paz derradeira E navego no amor guerrilheiro Das matas do coração As balas abrem feridas Que jamais cicatrizam Amo as balas E o disparo de carícias noturnas Esta madrugada foi eterna Faltou-nos coragem ao prazer Mas gritamos as dores da terra Terra fica dentro da minha carne Encrava tuas unhas na minha pele E tortura o arado da volúpia Homens de beijos tímidos Deixai que o romantismo Da revolucionária poesia Transgrida as regras do jogo E brinquemos feito crianças Depositemos como elas Toda seriedade da natureza Na penetração Como as águas do mar As palavras dão lugar a pensamentos E não há como e nem queremos Esquecer o orgasmo total Que foi o processo do conhecimento Dos olhares e toques De nossas vidas Eu te tenho Não como algo que me pertence E sim com tudo de dentro de ti Como uma bela mulher ...

AxiólOgum

Designa -            Os (meus) escritos pós-poesóficos.   Significa -            Um pensamento crítico-místico.   Representa -            Uma articulação e ordenação mental de um sentimento interior, provocado pelo universo espiritual, que, em confronto com o tecido da matéria social, evolui de forma critica, sem perder o seu fundamento anímico.   Conceito: Um  Axiólogum  è:   1.      A soma filosófica de um Axioma com um "santo" de uma religião africana (Ogum), no processo de uma operação matemática intermediada pelo conhecimento lógico (Logus). 2.      A justaposição da filosofia de inspiração dionisíaca nietzschiana somada (livremente associada) a uma entidade simbólica da mediunidade afro-brasiliana (Ogum).   © Carpinteiro (O Conc...

Uma lenda de Homero sobre a Grécia antiga

Era framboesa A fruta que mordeste E o licor de seiva Desnudava a tua natureza Ainda guardo este sabor No jardim desta memória A vela acesa bruxuleava Teus gestos pela casa À sombra de meus desejos E o fruto de tua filosofia Era como uma lira A tocar meus sentidos Numa lenda de Homero Sobre a Grécia antiga © Carpinteiro Porto, 18/05/2020

A última vez que vi a minha Mãe

A última vez que vi a minha mãe Olhei-a nos olhos e a senti na alma Já não podia dizer-lhe mais nada Havia entre nós dois qualquer coisa de silêncio O mesmo silêncio que separa-nos dos anos Que nos conduzem à morte A última vez que vi a minha mãe Foi como se não a visse Porque ela já não era mais ela E eu já era mais eu Éramos dois corpos A ocupar o mesmo lugar naquele espaço Naquela casa em que moramos por longos anos Naquele bairro da periferia de Belém do Pará A Marambaia periferia do Brasil Periferia do mundo Periférico de nós dois, eu e minha mãe A última vez que vi a minha mãe Disse-lhe pela última vez Que eu iria viajar mais uma vez Ela pousou as mãos sobre a minha cabeça Ofereceu-se-me Através de si as benções de Deus E ficamos em silêncio Eu de olhos fechados sobre o seu colo Ela com os olhos fixos nas paredes Os mesmos olhos da avó cega Que lhe ensinou a ler e a escrever Olhos de Tirésias Míticos e proféticos Como o é esta história qu...

Verso bandido

Era uma vez um verso bandido Que se escondia na cólera dos deuses E que não era verso Dos deuses que não eram deuses É que os pássaros que passam por aqui Também se repartem em passos por lá Perdidos n’alma da crise Do pulsar do broto viver Viver como um verso Que poderia ter sido O ter de vir a ser O seu zen Sem pelo menos morrer Talvez Era uma vez um verso E outra vez bandido E a polícia perseguia a ambos Com suas pseudo-inquietudes De leis reis rainhas Das ruas salas e becos Prostitutos prostitutos Era assim um verso e outra vez bandido Pedaços de coisas que se chuta E se respira no quotidiano aflito De anjos e demónios O que não era O que não poderia ter sido Como o olhar O andar do paladar O beijar a mão do homem O andor da santa moral Neopoética Profética Peripatética Era uma vez um por do sol azul E outro quase verde Lilás Poesias á meia luz Ao meio tom da cor de verão Muito pequeno burguês Nada bandido Isaías Vamos chamar assi...

Nós, os Poetas

Nós, os poetas, olhamos para as palavras como se nelas não se pudesse conter a essência das coisas, depois, limitamos a vida ao significado do verbo que não pronunciamos, no segredo desvelado, rebelamos a alma que não se orienta na pedra filosofal do entendimento, nós os poetas olhamos para o poema como se ele não existisse e por isso tornamo-lo absoluto, o que há de sublime no sentido é o que não percebemos, nós, os poetas não falamos com Deus porque já nascemos no eterno, o que de nossa ãnima permanece é o símbolo do corpo, um caráter, um som, uma aliteração e mais qualquer coisa que não comunicamos com a poesia, nós, os poetas, sentimos o desconhecido como se já o compreendêssemos, pois temos a alma sem um conceito, somos vagas nebulosas, rastos estrelares, poeiras cósmicas, em nosso poetar. © Carpinteiro Porto, 1998

Trova Beneditina

Oh! Meu Santo Benedito! Protegei teu povo aflito Do desvio dos políticos. Oh! Meu Santo Bendito! Iluminai teus filhos sofridos Para que eles vejam A injustiça dos bandidos. Oh! Meu Santo Protetor! Dai força à resistência Deste povo trabalhador Que te louva com tanto amor. Este povo pescador, E este povo roceiro, Que ara a terra o ano inteiro. E te segue com fervor. Oh! Meu Santo Preto! Clareai a cegueira dos brancos Para que nunca mais Humilhem os negros-santos. Oh! Meu Santo Cozinheiro! Dai terra a quem não tem Nenhum vintém. A quem não tem mais esperanças Além das suas próprias andanças Neste mundo de errâncias. Oh! Meu Santo da Cura! Fazei-me candura Desde a semeadura Para que a colheita Seja farta de doçura. Oh! Meu Santo Amado! Fazei-me um navegador Sem medo dos naufrágios. Fazei-me aves Por sobre todos os mares. Oh! Meu Santo-Menino! Fazei-me um peregrino Das estradas e caminhos. Oh! Meu Santo Bené! Dizei-me se Maria e José Abençoam a minha Fé! Oh! Meu Santo Sagrado!...

Sophia de Mello Breyner Andresen

Poema "Porque" declamado pelo Carpinteiro de Poesia

Poetas comunistas

Fonteles, Barata, e Tourinho, poetas comunistas paraenses recitados pelo Carpinteiro de Poesia.

Versos íntimos

Augusto dos Anjos recitado pelo Carpinteiro de Poesia

Poema para Satã

Marco da Lama recitado pelo Carpinteiro de Poesia (Poema para Satã)

A Caratateua de Raul Bopp

A poesia negra de Raul Bopp na interpretação do Carpinteiro de Poesia

O beija-flor

Há pessoas que mal olho e logo quero beijá-las.  E outras que eu desejo mas nem as vejo. Há pessoas cegas, e eu, Tirésias.  Pessoas para as quais eu nem dirijo o meu olhar,  e delas sinto o sentimento que lhes move escapar. Conheço pessoas que andam para todos os lugares  mas que são parasitas, na verdade.  E andarilhos,  que nunca foram a lugar nenhum.  Há nômadas demasiados nesta Babilônia.  Gentes que se deslocam nas sombras  de seus universos paralelos.  Mas há passantes que são como o Sol, com a sua Luz radiante, a arrastar os planetas.  E transeuntes a cair nos buracos obscuros.  Estrelas, que de manhã acendem  e não se apagam, no crepúsculo.  Corpos que se afetam com efêmeras estéticas.  Espíritos lunares, tempestuosos mares,  e naus, à deriva.  Há poetas errantes e solitários amantes. E silêncios, que ecoam em cavernas primevas.  Figuras rupestres, pixos.  Bichos domésticos, seres huma...

Quase um soneto numa manhã de chuva

Pouco tenho, se muito desejo Mas costumo seguir, se quero ficar Do contrário, eu não vou, se penso ir E tudo permanece neste perene devir.   Se penso demais, falo de menos Mas, se me calo, penso demasiado Meu silêncio diz mais que palavras E meus olhos, os estados da alma   Eu quero odiar, entretanto, amo Quanto mais desejo, menos almejo Sinto muito, mas nem tanto Portanto não faço nada, mas encanto   Escrevo versos que os apago E recito poemas que esqueço Nas areias de teu mar eu me afago Nas lavas de teu vulcão desfaleço © Carpinteiro Porto, 04/11/2018

Poema para você, de Marco da Lama

Carpinteiro de Poesia recita o clássico POEMA PARA VOCÊ, de Marco da Lama.

Não digas nada

não digas nada, gosto imenso quando falas eu sinto a voz de teu silêncio, se te calas e a sucessão de sentimentos que disparas neste rio que me navega em tuas palavras e que me afoga lentamente em tuas águas como conter a travessia em segredo se há tempestades em meus desejos? © Carpinteiro

Há noites em que de tanto sono eu nem durmo

Há noites em que de tanto sono eu nem durmo Há dias em que de tanta fome eu não como Há poemas nem sei quê de tantos versos Há amigos que de tão dentro atravesso Há corações que de tanto aperto eu guardo Há palavras que de tão sagradas esqueço Há coisas que de tão humanas eu mato Há pensamentos que de tão complexos  eu enterro Há livros que de tão amigos eu guardo Há flores que de tantas abelhas eu beijo Há frutos que de tão maduros eu os semeio Há males que de tão poéticos eu bebo Há sede que de tão intensas transcendo Há ruas que de tão infinitas escalo Há montanhas que de tão grandes eu caio Há versos que de tão simples levito Há mares que de tão revoltos me acalmo Há sonhos que de tão medonhos desperto Há tempos que de tão fecundos mergulho Há cenas que de tão transparentes opacas Há pedras que de tão frágeis atiro Há balas que de tão dóceis suspiro Há bocas que de tão acesas eu mordo Há beijos que de tão loucos eu curo © Carpinteiro de Poesia ...

A poesia do Sarau da Lua Minguante está de volta

O novo formato do Sarau da Lua Minguante, é virtual, através de leituras poéticas pela página do SARAU no Facebook, todos os meses, em noites de LUA MINGUANTE. Além disso, o SARAU tem espaço mensal na Rádio WEB Idade Mídia, que replica, no mês seguinte, o SARAU do mês anterior, O projeto reuniu dezenas de poetas em Bragança do Pará, entre 2015 e 2017, tendo realizado cortejos poéticos pelas ruas do Município, que fica no Nordeste do Estado, há cerca de 2h30 da capital Belém. Um destes cortejos, inclusive, foi transformado em documentário, que pode ser visualizado neste canal, no Youtube. Sem dúvida, estes noos formatos são uma forma de recordar as nossas sessões presenciais, de Bragança do Pará, onde os poetas se reuiam para ler e ouvir poemas e comungar da poesia que habita os corações humanos. Interessados em participar, podem enviar poemas para carpinteirodepoesia@gmail.com. Além de declamados online, os textos também são publicados na página do Sarau da Lua Minguante. Neste progra...