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Mostrando postagens com o rótulo Crítica

O FICCA como escultura do possível

  A crítica de cinema, que deveria ser espaço de reflexão e confronto, tornou-se extensão publicitária da indústria. As páginas culturais repetem press releases, celebram estreias globais, reverenciam premiações. O que deveria ser pensamento virou entretenimento; o que deveria tensionar virou ornamento. A crítica, cúmplice do mercado, se ocupa em reforçar o espetáculo colonial. Nesse cenário, o silêncio não é inocente. É estratégia. Ao não falar do que emerge das margens, a crítica mantém a centralidade do mesmo: o cinema de grandes plataformas, a estética homologada, o fluxo de imagens domesticadas. O que não aparece, não existe. Essa lógica da invisibilização é o braço cultural da colonialidade. É contra esse silenciamento que o Festival Internacional de Cinema do Caeté (FICCA) ergue-se há uma década. Criado por Francisco Weyl, o Carpinteiro de Poesia, o festival FICCA é um ato de resistência. Ele não busca legitimação no mercado, nem chancela da academia. Sua força está justamen...

Crítica de Bernardo Pinto de Almeida às Autoindagações (imagéticas) de natureza lógico-metafísicas de um artista-criador em devir artista-pesquisador

Francisco Weyl escreveu um texto que tem uma dimensão poética acentuada, uma escrita de forma autónoma, com uma forma de construção e de comunicação situada entre a linhagem poética e a linhagem teórica, evidenciando que estas  são da mesma fonte. Ainda que talvez uma nasça mais no inverno, e a outra no verão, mas que jorram da mesma fonte. O que não quer dizer que a historia e a ciência não possam beber dessa mesma fonte. A poesia e a teoria são formas contiguas desde o princípio, desde os pré-socráticos, quando percebemos imediatamente nos respectivos fragmentos que a forma deles é poética, e que mesmo que seja pré-filosófica, é teórica. Ou seja, que já procura ascender ao plano da reflexão, em caráter universal, como desejo de estabelecer uma comunicação muito fina com o leitor. E no, entanto, não tem ainda aquela forma filosófica que terá mais tarde, com Platão, e Aristóteles. E isso não quer dizer que o texto do Francisco Weyl não seja filosófico. Quer dizer é que é fundamenta...

Minha critica de cinema censurada pelo Facebook

Minha despretensiosa crítica ao filme “En El Ultimo Trago”, de Jack Zagha Kababie, ao qual assisti na Quinta da Caverneira (Maia, Portugal) foi censurada pelo Facebook. A película é uma espécie de road movie na terra natal do mexicano Alfredo Jimenez, e tem guião de David Desola, que estava na sessão para dialogar sobre o filme após a sua exibição no espaço do Teatro Art’Imagem, que promoveu a cena, no dia 22 de Dezembro. De acordo a repressora rede social, a postagem desrespeita os padrões da comunidade, razão pela qual a republico com a intenção mesmo de provocar o interesse de leitura por alguma alma rebelde e não-alienada. A CRÍTICA O mexicano José Alfredo Jiménez Sandoval criou temas que tocaram os corações da América Latina. Nascido em Dolores Hidalgo, Guanajuato  (19/01/1926 -   Cidade do México) e falecido a 23/11/1973,  compôs sensíveis huapangos, corridos, rancheiras. Entre as quais, “En El Ultimo Trago”, que dá nome a um filme produzido em 2014, sob a direção d...

El último trago não é um filme trágico

O mexicano José Alfredo Jiménez Sandoval criou temas que tocaram os corações da América Latina. Nascido em Dolores Hidalgo, Guanajuato  (19/01/1926 -   Cidade do México) e falecido a 23/11/1973,  compôs sensíveis huapangos, corridos, rancheiras. Entre as quais, “En El Ultimo Trago”, que dá nome a um filme produzido em 2014, sob a direção de Jack Zagha Kababie. É um tema tão popular que tem versões nas vozes de Júlio Iglésias e de Chiavela Vargas. Escrita por David Desola, a película é uma espécie de road movie na terra natal de Alfredo Jimenez. E tem no elenco atores veteranos conhecidos do México, alguns falecidos após as filmagens. Inclusive, uma atriz que trabalhou com Buñuel, Columba Dominguez, morreu após o filme. Além dela, Hernán Mendoza, Luisa Huertas, e Pilar Pellicer completam a constelação do elenco secundário deste filme que relata a aventura de três idosos, Emiliano (José Carlos Ruiz), Benito (Eduardo Manzano) y Agustín (Luis Bayardo). Eles se destinam a cump...