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Mostrando postagens com o rótulo praia de Ajuruteua

A crônica e o despropósito

Saguenail interroga as imagens e de suas respostas ele constrói a narrativa documental. Disse-me isso numa entrevista que perdi, assim como muitos de meus filmes e conteúdos imagéticos ditos brutos, não finalizados para documentário ou outros projetos audiovisuais. E este não foi o primeiro material pelo qual muito trabalhei para o produzir que eu o perdi. Tenho muitos filmes que se tornaram narrativos porque os perdi. Encantaram-se no terreno do mito. Capaz que eu os re-filme um dia, quem sabe? Saguenail interroga as imagens que capta por quaisquer razões, e, destas, revela uma lógica filosófica documental audiovisual, mas, muitas das imagens que eu captei - e que perdi, não as poderei interrogar, quando muito, posso fazer um redobrado esforço para re-memoriá-las, re-contando-as, e assim reescrevo meus filmes, ainda que eu tenha imagens fotográficas destas produções, mas não mais os materiais audiovisuais, os filmes. Não mais interrogo, portanto, estas imagens que perdi, entreta...

CRÔNICAS BRAGANTINAS: 45 dias de ajuruteua

  Mudei-me para Ajuruteua no dia que tomei a primeira dose da Astrazeneca, mas não estava nenhum pouco de corpo mole, antes, ao contrário, entusiasmado, por mudar de cidade e em certo sentido, mudar de vida. Habitava uma kitnet no centro de Belém, espaço pequeno e calorento, que dividia com Roberta Mártires, sendo que ela também fez esta viagem comigo até a praia, onde hoje, depois de um mês e meio, consigo esboçar os primeiros relatos sobre este processo. Processo porque a vida em si é uma construção, em mutação. Nômade por excelência, hoje estou a fazer uma coisa que eu sempre quis fazer que é morar na praia. Quando chegamos, encontrei a Casa do Professor desabitada, em razão da pandemia, raramente havia hóspedes por aqui, que tanto acolhemos, e nem pessoas da família. A Casa tem este nome por causa de meu falecido irmão, Nonato, que teve uma parada cardíaca enquanto ministrava aulas, um choque para todos. Ainda guardamos o capacete vermelho que meu irmão usava, hoje,...