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Mostrando postagens com o rótulo Estéticas de Guerrilhas

O QUE O CARPINTEIRO VAI FAZER NO WORKSHOP ARISE EM SANTARÉM

Entre 13 e 15 de agosto, ali em Santarém, nas margens do Tapajós, grande e majestoso Tapajós, na Universidade Federal do Oeste do Pará, acontece um encontro internacional que vai reunir pesquisadores de universidades, de instituições, de diferentes campos do conhecimento. A questão é pensar coletivamente os caminhos para a Amazônia. Eu sou uma pessoa do Norte do Brasil, venho da Amazônia, venho do Nordeste do Pará, nessa Amazônia que é a Amazônia Atlântica. Nessa Amazônia Atlântica, de forma coletiva, a gente tem construído diversas práticas de criação. Então, chega aqui o Francisco Weyl, Carpinteiro de Poesia e pesquisador em Arte, depois de concluir um doutorado através do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará e também com um doutorado-sanduíche na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. Portanto, existe aqui, paralelamente à pesquisa, uma prática, porque há mais de dez anos eu coordeno o Festival Internacional de Cinema ...

Tese anuncia novo marco no pensamento amazônida sobre cinema

A defesa da minha tese Kynema – Estéticas de Guerrilhas, Poéticas das Gambiarras, Tecnologias do Possível , realizada em 27 de março, no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará, não se reduz a um ato acadêmico. Ela condensa um percurso, torna visível um campo de forças, explicita um modo de pensar e fazer que venho construindo na travessia entre arte, cinema, território e ação cultural na Amazônia. Chego a esse momento a partir de uma trajetória em que produção intelectual, criação artística e intervenção sociocultural não se separam. Escrevo, filmo, performo, organizo, articulo — e é nesse entrelaçamento que a pesquisa se constitui. Um pensamento que não se coloca à distância do mundo, mas que se dá em presença, implicado nos contextos amazônidas, atravessado por suas tensões, suas urgências e suas potências. Ao mesmo tempo, esse percurso se expande em deslocamento. O estágio doutoral na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa i...

Um longa de guerrilha na terra dos autoproclamados primeiros

Na terra onde todo mundo se arvora como “o primeiro” ou “a primeira”, sempre tentando apagar quem ousa aparecer no presente, é de se admirar que o longa-metragem paraense tenha renascido numa escola pública da Marambaia. Sim, na Escola Estadual Temístocles de Araújo, um professor de História chamado Sebastião Pereira resolveu desafiar não só a escassez de recursos, mas também a tentativa de apagamento: enquanto alguns repetiam que “desde Líbero Luxardo não houve nada”, ele fez. E fez do seu jeito, fiel a uma tradição de cinema de guerrilha, sem depender de holofotes ou patrocínios. O resultado foi Cabanos (BR, 2009, 60 min), sobre a Cabanagem, com 110 atores voluntários — alunos e ex-alunos — e gravações em Curuçá, Icoaraci, Mosqueiro, Cidade Velha e Ilha das Onças. O filme teve sua estreia oficial no histórico Cinema Olímpia, em Belém, consolidando a ousadia do projeto. Cabanos é mais que um filme: é resistência cultural em movimento, prova de que é possível fazer história na tela gra...

Ciclo de exibições de filmes para saudar criador do Cinema Novo na Amazônia será lançado dia 22 de Agosto

Reza a lenda que Glauber Rocha profetizou a própria morte. Quando tinha 24 anos, ele disse que morreria aos 42. E assim aconteceu. Nasceu sob o signo de peixes em Vitória da Conquista, Bahia (14.3.1939),  faleceu no Rio de Janeiro (22.8 1981). 42 anos após a morte deste profeta visionário, criador do cinema novo, dois realizadores e pesquisadores paraenses – Mateus Moura e Carpinteiro de Poesia (PPGARTES/UFPa) retomam velhas parcerias para reverenciar a obra de Glauber. A proposta é uma revisão crítica de parte da obra mais ostracizada de Glauber, sua fase final, mais subversiva, experimental e incompreendida. O Ciclo terá quatro sessões, com filmes de GR, antecedidos de obras de autores e autoras paraenses que se relacionam com as linguagens e mensagens experimentais glauberianas. Cineclubistas militantes e artistas comprometidos com as causas de seus tempos, Mateus (CINE CURAU) e Francisco (AMAZONAS DOURO) abrem o "Ciclo Glauberiano A idade da morte”. com uma ação no Merca...

Abertas inscrições para o VIII FICCA

O 8º Festival Internacional de Cinema do Caeté acaba de abrir inscrições e os vencedores vão levar para casa uma estatueta como esta que ilustra a notícia, sendo a arte confeccionado pelo artista Paulo Emílio Campos. O VIII FICCA reconhecerá com o TROFÉU CARUANA DAS IMAGENS ficções e documentários de longa, média e curta-metragem, distribuídos em categorias que homenageiam ativistas de direitos humanos. Além destas categorias, animações, videoclips, experimentais, filmes educativos, videoteatro, vídeo dança e performance e instalação audiovisual tem janela aberta no FICCA. As inscrições dos filmes concorrentes serão realizadas a partir de 20/06/2022 até o dia 15/09/2022. Realizadores e/ou produtores interessados em participar do Festival devem seguir as redes do festival, baixar e ler o regulamento, disponível em https://drive.google.com/file/d/1_S7-9rRo4H_-o6RXQWnXQ2oVjMXoWxKp/view?usp=sharing É necessário também preencher um formulário, disponibilizad o em https://docs.googl...

Renascido das cinzas, "Mazagão" é o novo filme do Carpinteiro de Poesia

  O que era para ser um filme épico tornou-se um processo criativo o de 16 anos, em que o realizador, produtor, pesquisador, antropólogo das imagens, e poeta Francisco Weyl deixou maturar como um bom vinho a se degustar com os melhores amigos. A obra é um curta quase média metragem de cerca de 18 minutos nos quais o criador alterna imagens fotográficas com imagens capturadas em Super-8 milímetros, ambientadas por uma canção ameríndia autoral do falecido poeta e compositor Konstantin Richter, que autorizou ainda em vida o uso da música no filme. Mazagão, a cidade fênix é estruturada por um longo texto do realizador no seu devir pesquisador, onde Weyl recorre à Semiótica para falar de Mazagão, seu deslocamento e ressurgimento, a mise-em-scene das representações das batalhas entre mouros e cristãos, as vias de pesquisa temática de Mazagão, e da própria metafísica mítica que envolve a tríade África-Europa-Brasil. O filme Mazagão, cidade fênix também renasceu das cinzas, tendo estado ad...

Poema para pessoas simples

as vezes, ave outras vezes, asa as vezes, avesso outras vezes, averso as vezes, reses outras vezes, reveses as vezes risos outras vezes, rezas as vezes, zen outras vezes, sem as vezes, asco outras vezes, asno as vezes, burro outras vezes, berro as vezes, bebo outras vezes, beijo as vezes, frase outras vezes, crase as vezes, carne outras vezes, fase as vezes, fazes, outras vezes, fezes as vezes, verso outras vezes, verbo as vezes, verme outras vezes, cerne as vezes, sexo outras vezes, nexo as vezes, caolho outras vezes, olho as vezes, ócio outras vezes, ossos as vezes, Eros ouras vezes, erro as vezes, Zeus outras vezes, eu © Carpinteiro Bragança do Pará, 21/03/2017 Assista e/ou ouça a declamação do poema pelo autor .................................................. “Poema para pessoas simples" Entre as pessoas que eu encontrei  e aquelas que eu queria encontrar,  pessoas desencontradas. Pessoas com as quais eu falei  e pessoas com as quais eu nem queria  falar,  ...

A poesia é o melhor remédio para a pandemia

  Ode ao Professor Nonato Esta noite pensei na avenida que começa na igreja da matriz e vai dar na aldeia. Aquela que já lá de cima a gente vê a feira e o Caeté. Mas tem-se que caminhar até lá abaixo para estar entre os homens de minha terra. É preciso descer da soberba humana para estar entre eles. E ao lado deles olhar os barcos a subir e a descer o rio. © Carpinteiro Bragança do Pará, 20 de Outubro de 2004  Assista e/ou ouça a declamação do poema pelo autor.    (...) Poema petrificado   Teu peito de aço estilhaçado, espelho revelado em meu rosto mascarado reflete esta arma disparada como espada atravessada em lâmina apunhalada   Tua boca mordida, cintilante de amante enlouquecida em saraus e madrigais   São esses cabelos negros que encobrem a tez nos dias de inverno em que a tua ãnima me aquece   E eu que nunca te beijei mas te desejo como um fogo aceso num jardim outonal?   Branca e serena tal poço de um poema neste vulcão que engole as p...

A última vez que vi a minha mãe

A última vez que vi a minha mãe Olhei-a nos olhos e a senti na alma Já não podia dizer-lhe mais nada Havia entre nós dois qualquer coisa de silêncio O mesmo silêncio que separa-nos dos anos Que nos conduzem à morte A última vez que vi a minha mãe Foi como se não a visse Porque ela já não era mais ela E eu já era mais eu Éramos dois corpos A ocupar o mesmo lugar naquele espaço Naquela casa em que moramos por longos anos Naquele bairro da periferia de Belém do Pará A Marambaia periferia do Brasil Periferia do mundo Periférico de nós dois, eu e minha mãe A última vez que vi a minha mãe Disse-lhe pela última vez Que eu iria viajar mais uma vez Ela pousou as mãos sobre a minha cabeça Ofereceu-se-me Através de si as benções de Deus E ficamos em silêncio Eu de olhos fechados sobre o seu colo Ela com os olhos fixos nas paredes Os mesmos olhos da avó cega Que lhe ensinou a ler e a escrever Olhos de Tirésias Míticos e proféticos Como o é esta história que vivemos Naquela tarde d...

CRÔNICAS BRAGANTINAS: No escurinho do cinema, desde a Belle Epoque até os anos 1970

Heráclito Ferreira abria os desfiles militares do sete de Setembro com ar garboso, em seu terno de linho, montado em sua motocicleta Harley Davidson, símbolo da contracultura dos anos1970, período em que também adquiriu um projetor Pathé, e começou a fazer sessões públicas de cinema no bairro da Aldeia, em Bragança do Pará. Estas projeções ocorriam onde hoje é a Travessa Leão XXIII, entre a Alameda Leandro Ribeiro e a Rua Henrique Dácia, diante da feira, e bem ao lado do comércio do meu avô Odorico, a Casa Olinda, para onde eu ia durante as férias escolares, já que eu habitava em Belém, e me maravilhava com o túnel de árvores que encobria o Cruzeiro, e com os urubus a brigar pelas carniças dos peixes à frente da antiga fábrica de gelo da família  Constâncio Nery Figueiró. Estava com uns onze, doze anos, de passeio por Bragança com meu pai, quando ele, súbito, para, aponta-me uma pessoa, e diz para eu ir ter com ela, tomar a benção, era o compadre Otávio, mas eu, insubordinado adole...