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Mostrando postagens com o rótulo estéticas de guerrilha

Os corre da pesquisa

Tenho pensado nisso enquanto continuo fazendo pesquisa, às vezes dentro da academia, às vezes fora dela, mas quase sempre no mesmo lugar: o lugar de quem precisa ir atrás das coisas para encontrar os documentos, as pessoas, as histórias, os vestígios e as relações que permitem compreender aquilo que está sendo pesquisado. Não foi a academia que me ensinou a ter rigor com a pesquisa. O rigor sempre esteve presente no meu modo de trabalhar. Independentemente de estar ou não dentro de uma instituição acadêmica, nunca dei espaço para a invenção de fatos. Posso interpretar os fatos, e interpreto. É parte do meu trabalho, seja como jornalista, seja como radialista, seja nos projetos e blogs em que escrevo, seja nos artigos científicos que venho produzindo. Nos últimos cinco anos, tenho produzido, em média, cinco artigos por ano, além da produção criativa. Essa passagem entre diferentes formas de produção não significa, para mim, uma passagem entre pesquisa séria e pesquisa não séria. Signifi...

A coragem de produzir pensamento onde historicamente se esperou apenas paisagem

Pensar cinema na Amazônia exige mais do que filmar: exige formular. Exige a coragem de produzir pensamento onde historicamente se esperou apenas paisagem. Exige enfrentar a ausência estrutural de crítica, a escassez de pesquisa sistemática, a negligência de políticas públicas, a desinformação sobre realidades complexas e a insistência em tratar a região como imagem exótica — nunca como sujeito. Nesse deserto de análises e proliferação de estigmas, os artigos que temos construído nos últimos anos tornam-se documentos estratégicos: não porque oferecem respostas definitivas, mas porque desorganizam hierarquias e inauguram perguntas que ainda não haviam sido feitas. A produção de conhecimento sobre cinema na Amazônia permanece concentrada em poucos nomes, poucos espaços, poucos esforços individuais, e justamente por isso cada texto escrito, cada reflexão publicada, cada artigo discutido se torna parte de um gesto político de sobrevivência. Pensar a Amazônia desde dentro, sob a perspectiva...

Notas para uma História Crítica do Cinema Periférico no Atlântico Paraense

A relação entre o FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté – e a Mostra Internacional de Cinema Negro (MICINE) não se sustenta em homenagens protocolares ou aproximações circunstanciais. O que une os dois projetos é uma orientação intelectual compartilhada: compreender o cinema como prática crítica, como forma de organização do pensamento político e como ferramenta de resistência estética diante das estruturas que historicamente tentam controlar os modos de ver e narrar o Brasil. A MICINE, sob a curadoria de Celso Luiz Prudente, consolidou a leitura de que a imagem negra é soberania – não resíduo folclórico, não tópico identitário, mas centro produtor de linguagem e conhecimento. Esse deslocamento do olhar, que reorganiza a história do cinema brasileiro, dialoga diretamente com o que temos desenvolvido no âmbito do FICCA: um campo emergente de reflexão sobre o cinema amazônida, especialmente aquele que nasce do Atlântico Paraense, território hoje reconhecido como Região do Cae...

O cinema de guerrilha que se realiza na Amazônia não come da mesma carne do cinema global

  O cinema de guerrilha que se realiza na Amazônia não come da mesma carne do cinema global, antes ao contrário, este cinema é faminto, mas não passa fome, porque, ainda que o acesso às tecnologias lhes sejam negadas, sabe se aproveitar das tecnologias que lhes foram legadas pelos seus antepassados e ancestrais, é tão simples quanto isso, e nenhum menu se leva à mesa, a comida há que ser plantada e colhida em diálogo com a natureza, numa fala que é mais escuta, é poética, desinteressada do mercado, apesar de querer ganhar e ganhar dinheiro, porque basta ir no mar e sacar o peixe ainda que ele esteja contaminado, vai de canoa, vai de remo, de barco, popopô, embarcado, à cavalo, de bicicleta, de buzu, mas vai, vai com o estandarte do santo, vai na maresia, e debaixo do sol, vai comendo pelas beiras atééééééé que você nem percebe que este cinema   está entre nós como deus, e ele nos move, é o romper da aurora, o fechar a cicatriz, segurar no peito a dor, e andar em frente como um...

Para pensar-fazer o cinema na Amazônia (Por Carpinteiro de Poesia)

  O cinema é a arte do silêncio e da síntese, a arte do tempo e da comunhão. A arte cinematográfica é uma ferramenta educativa que nos faz repensar as práxis sociais. Um instrumento pedagógico que é também arma de guerra e de propaganda, sendo capaz de construir ou de destruir, formar e de-formar civilizações. O cinema opera no inconsciente de quem assiste a um filme, pelo processo de fragmentação/justaposição das imagens (fotogramas), produz no cérebro a ilusão do movimento. Quando praticamos cinema, portanto, operamos com uma linguagem artística, cujos signos afetam o inconsciente e o imaginário das comunidades, com as quais nos relacionamos enquanto pesquisador/realizador. E as projeções tornam-se num palco de vivências, cujas reais experiências são afetadas por imagens ficcionais. O resultado desta simbiose catártica são diversas relações de identidades entre a comunidade e as obras cinematográficas que produzem e/ou assistem, quando estas lhes são projetadas. Mas os fenômeno...

Estéticas de Guerrilha na Amazônia

Os fenômenos culturais não sucedem por decreto ou por vontade de indivíduos.   Eles resultam de lutas históricas e se processam de forma dialética, dinâmica, no interior das sociedades, no imaginário, nas práxis e nas relações entre nações, grupos e indivíduos. E a História, portanto, não se constrói com narrativas, mas com interpretações, a partir de vivências, ações concretas, reais, também subjetivas, e até mesmo aleatórias, enquanto que o ato de falar em si, ele se faz a partir da experiência, e não pode resultar em conclusão, mas em processos, que disparam, interferem, e referenciam desejos e potências de novas histórias, memórias, tradições. Os amazônidas, sabemos muito bem o quanto é sacrificante afirmar e preservar as nossas tradições, contra discursos e práticas pressupostamente híbridos, mas que, por trás das máscaras desta contemporaneidade, utilizam-se das publicidades e dos apoios empresariais e governamentais para piratear e institucionalizar – silenciar – as produçõe...

#FEITIÇO (in progress): fazer-pensar magia no cinêma Amazônida

                   P ensar/fazer cinema é fazer/pensar memórias /nomadismos por entre (des )lugares , territórios /fronteiras para os quais são necessárias inúmeras viagens, cujos percursos/trajetos - para além das experiências - traduzem imagens/i-marginários, que nos impregnam e em cujas brumas desaparecemos. Pensar/fazer cinema memorial na Amazônia é, portanto, fazer/pensar cinematografias invisíveis, revisitar experiências de realizadores-ativistas e coletivos audiovisuais cujas histórias/memórias são narradas por vozes que (se) desejam falar e (se) fazer ouvir. É navegar, assim, por rios nunca navegados, até ilhas quase desaparecidas, perdidas em lembranças-pulsantes, à revelia de teorias/estratégias globais que usurpam/apagam tradições, pelo que o protagonista da História se desloca para (a partir do lado de) fora, colocar-se dentro de seu próprio lado, para se fazer comunicar, sob o seu próprio paradigma e de seus...