Pular para o conteúdo principal

Postagens

Irituia abre Conexão Arandu com saberes, memórias e territórios

Irituia abre nesta semana a primeira etapa do Conexão Arandu, reunindo mestras, guardiãs de memória, artistas, artesãs, produtoras e comunicadoras em uma programação de oficinas, mostras e encontros. A movimentação começa nesta quarta-feira, 23 de setembro, com a chegada antecipada de parte da equipe ao município. As ações ganham corpo no sábado (26) e seguem no domingo (27), com uma visita à Vila Pedra, antes de o projeto continuar seu percurso por Primavera, Bragança e Belém. Os últimos preparativos foram afinados na noite de terça-feira (22), durante reunião on-line coordenada por Rosilene Cordeiro. O encontro reuniu pessoas de diferentes gerações e experiências ligadas ao artesanato, carimbó, educação, grafite, hip-hop, comunicação, produção cultural e memória e apresentou uma Irituia mobilizada para receber a primeira etapa do projeto. Parte da equipe chega antes. Mila Guedes, responsável pela curadoria artística das Mostras Arandu, anunciou que ela e Mestra Ila Falcão seguem para...
Postagens recentes

MOSTRA DOS VENCEDORES DO FIM.ME CHEGA AO PORTO E A BRAGANÇA E GANHA CIRCULAÇÃO ONLINE

A primeira Mostra Geral de Filmes Vencedores do FIM.ME já tem caminho traçado: os seis filmes premiados na edição inaugural do Festival Internacional de Filmes de Médias-Metragens serão exibidos na Livraria Gato Vadio, no Porto, Portugal (Novembro), e no Auditório do IFPA – Campus Bragança (Dezembro), no Pará. A programação também chega às redes: entre outubro, novembro e dezembro, os filmes terão circulação online pelo canal do FICCA, ampliando o encontro das obras com públicos para além das salas presenciais. A Mostra leva à tela os seis vencedores escolhidos pelo júri internacional do FIM.ME: 5 Anos, de Bruno Gomes, Melhor Média-Metragem de Ficção; Mestre Damasceno – A Trajetória de um Afromarajoara, de Guto Nunes, Prêmio Especial do Júri; Guerreiros Plantados, de José Carbonel e Rui Mendonça, Melhor Roteiro; Minha Religião é o Cinema, de Zefel Coff e William Alves, Melhor Montagem; Uma Orquestra no Contrabaixo, de Sergio Sbragia, Melhor Média-Metragem Documental; e (Des)embarque – ...

Cineclube, memória e cultura popular atravessam os 75 anos da República de Portugal na Marambaia

  Na noite de 16 de setembro, o documentário “Dia do Cortejo” voltou ao território onde suas imagens nasceram. Realizado por Francisco Weyl entre 2010 e 2012, o filme sobre o Boi Vagalume da Marambaia foi exibido no Cineclube República de Portugal, na Escola Municipal República de Portugal, com a presença de Mestre Cuité Marambaia, amo e criador do Boi Vagalume. A sessão reuniu estudantes da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI), professores e integrantes da escola, entre eles a coordenadora pedagógica, professora Monique, e o diretor, professor Tiago. O encontro acontece num momento particular da instituição: a aproximação de uma grande jornada de memória, marcada para 8 de outubro, dentro das comemorações pelos seus 75 anos. Fundada em 1951, a Escola República de Portugal está mobilizando sua comunidade para reencontrar documentos, fotografias, objetos e pessoas que atravessaram suas sete décadas e meia de existência na Marambaia. O que, algumas semanas atrás, aparecia como...

OCUPA FICCA NO PATAL: JUVENTUDE, AUTOIMAGEM E PERTENCIMENTO EM UMA MANHÃ DE FORMAÇÃO

Uma manhã de oficina pode abrir processos que pedem mais tempo. Foi uma das percepções deixadas pela passagem do Projeto OCUPA FICCA pela Vila do Patal, em Augusto Corrêa, onde a Escola Lauro Barbosa dos Santos Cordeiro recebeu, no dia 15 de setembro, a oficina “Construção de Marketing Pessoal”, conduzida pela atriz-professora Marta Ferreira. A atividade integra a programação do FICCA Ponto de Cultura e reuniu 25 estudantes, além de professores, cuidadores e trabalhadores da escola. Durante a manhã, entre 8 horas e perto do meio-dia, houve dinâmicas de grupo, jogos, reflexão, partilha, escrita e produção de vídeos. “Foi muito massa, a participação, o acolhimento das professoras, apesar da escola ser provisória, né, ser bem precária, mas a gente conseguiu fazer tudo que a gente pretendeu fazer, né, das dinâmicas até a filmagem”, conta Marta. A proposta apresentada por ela ao FICCA destinava-se a jovens entre 14 e 18 anos e articulava audiovisual e expressão corporal. O percurso começava...

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE PORTUGAL

  Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa Professor António José Seguro, Escrevo-lhe desde Belém do Pará, na Amazônia brasileira, para apresentar a Vossa Excelência uma história que talvez possa parecer pequena diante dos grandes desafios do nosso tempo, mas que guarda, em sua dimensão humana e cultural, uma possibilidade muito especial de aproximação entre Portugal e o Brasil. Em Belém do Pará existe uma escola pública chamada Escola Municipal República de Portugal. Fundada em 1951, a instituição completa, em 2026, 75 anos de existência. É uma das escolas históricas da rede municipal de Belém e tornou-se, ao longo de sete décadas e meia, parte indissociável da memória do bairro da Marambaia e da própria história social da cidade. Por suas salas passaram gerações de estudantes, professores, servidores e famílias. Há famílias em que avós, pais e filhos estudaram na mesma escola. A República de Portugal tornou-se, assim, mais do que uma instituição de ensino: tornou-se p...

CINECLUBE REPÚBLICA DE PORTUGAL EXIBE “DIA DO CORTEJO” E RECEBE MESTRE CUITÉ MARAMBAIA

No dia 16 de setembro, às 19h, o Cineclube República de Portugal realiza mais uma sessão na Escola Municipal República de Portugal, na Marambaia. Desta vez, o encontro traz para a escola o documentário “Dia do Cortejo”, de Francisco Weyl, realizado entre 2010 e 2012, sobre o Boi Vagalume da Marambaia, com a presença de seu amo e criador, Mestre Cuité Marambaia. A escolha do filme coloca diante dos estudantes uma história que nasceu no próprio território onde vivem. O Boi Vagalume realiza seu cortejo pelas ruas da Marambaia e transforma a brincadeira de boi em espaço de encontro, criação e expressão das experiências da comunidade. A história do Vagalume se confunde com a trajetória de seu criador: suas toadas falam das realidades vividas pela comunidade e carregam também seus “gritos de luta”, por meio da festa e das brincadeiras de rua. Rodado entre 2010 e 2012 por Francisco Weyl, o documentário “Dia do Cortejo” acompanha a vivência em movimento, fazendo do cortejo, das ruas e das p...

MULTIFEIRA REUNE REDES CUTURAIS NA ARRANCADA DE AÇÕES DO PONTO DE CULTURA FICCA - FESTIVAL DO CAETÉ

O Ponto de Cultura FICCA recebeu a MULTIFEIRA no dia 12 de setembro de 2026, na Rua da Mata, 366, Marambaia, Belém, das 7h às 12h. A atividade marcou a arrancada das ações propostas para a ocupação mensal do espaço com a Multifeira – Encontro de Marcas e Produtos Amazônicos. A Multifeira é uma proposição de Roberta Mártires, artista, produtora cultural, turismóloga, educadora ambiental pela arte e crocheteira autoral. Roberta também é produtora do FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté e responsável pela Multifário Arte. Sua trajetória reúne produção cultural, artes visuais, educação ambiental, exposições, oficinas, festivais e ações voltadas à circulação da produção artística e cultural amazônica. A proposta da Multifeira teve edições anteriores, incluindo a realizada em 2020, dentro do projeto Rios e Redes, além de outras iniciativas desenvolvidas por Roberta, como a exposição Senhora de Nós, oficinas e ações de formação e produção cultural. A partir deste encontro, a Mult...

Os corre da pesquisa

Tenho pensado nisso enquanto continuo fazendo pesquisa, às vezes dentro da academia, às vezes fora dela, mas quase sempre no mesmo lugar: o lugar de quem precisa ir atrás das coisas para encontrar os documentos, as pessoas, as histórias, os vestígios e as relações que permitem compreender aquilo que está sendo pesquisado. Não foi a academia que me ensinou a ter rigor com a pesquisa. O rigor sempre esteve presente no meu modo de trabalhar. Independentemente de estar ou não dentro de uma instituição acadêmica, nunca dei espaço para a invenção de fatos. Posso interpretar os fatos, e interpreto. É parte do meu trabalho, seja como jornalista, seja como radialista, seja nos projetos e blogs em que escrevo, seja nos artigos científicos que venho produzindo. Nos últimos cinco anos, tenho produzido, em média, cinco artigos por ano, além da produção criativa. Essa passagem entre diferentes formas de produção não significa, para mim, uma passagem entre pesquisa séria e pesquisa não séria. Signifi...

A história do cinema também é uma disputa pelo direito de olhar

Pensar o cinema exige também perguntar quem escreveu a sua história, quais imagens foram transformadas em marcos e quais experiências permaneceram durante décadas nas margens dessa narrativa. Talvez seja preciso começar justamente daí: o cinema possui uma história oficial e possui muitas histórias soterradas por ela. Quando se fala da origem do documentário, por exemplo, Nanook of the North , realizado por Robert Flaherty em 1922, aparece repetidamente como obra fundadora. Entretanto, seis anos antes, em 1916, no Brasil, Luiz Thomaz Reis filmava Rituais e Festas Bororo , no contexto da Comissão Rondon. O filme seria concluído e exibido em 1917. Pesquisadores brasileiros e estrangeiros passaram a sustentar uma hipótese que modifica profundamente essa cronologia: Rituais e Festas Bororo pode ser considerado o primeiro documentário etnográfico da história do cinema. Isso significa que, antes de Nanook , havia no Brasil uma experiência cinematográfica construída a partir da permanênci...