Participei da reunião do Conexão ARANDU (27.07), a convite de Rosilene Cordeiro, antiga parceira de caminhos, arte, memória e territórios. Rosilene coordena o projeto a partir da Casa Poranga, em Icoaraci, e foi ali que comecei a entender uma proposta que pretende ligar comunidades parentes-irmãs pela memória cultural dos rios que as circundam, estabelecendo uma circulação entre Belém, Primavera, Bragança e Irituia, acompanhando os percursos do Rio Irituia, Rio Capim, Rio Maguari e Rio Caeté. O próprio texto do projeto fala em encontrão. Gosto dessa palavra porque ela diz muito do que ouvi na reunião. Um encontrão de pessoas, comunidades, memórias, oralidades, objetos, experiências e modos de viver que voltam a se aproximar para reestabelecer fluxos, reurdir relações e fortalecer vínculos construídos muito antes deste projeto existir. Na reunião ouvi que a circulação passará pela Casa Poranga, em Icoaraci, pela Casa da Vozinha, em Primavera, pela Associação Mulheres da Vila Que Era, em...
Os artigos recentemente publicados pelo PSTU e pelo PCO sobre os megaprojetos na Amazônia suscitaram uma reflexão que ultrapassa a disputa entre duas organizações políticas. Interesso-me por esse debate porque ele toca questões sobre as quais venho pesquisando, escrevendo e realizando filmes há muitos anos. Não parto da polêmica; parto dos territórios. O artigo do PSTU apresenta uma crítica consistente aos grandes empreendimentos que atravessam a Amazônia paraense. Ferrogrão, hidrovias, Belo Sun, exploração de petróleo na Margem Equatorial, mercado de carbono e outros projetos aparecem relacionados aos impactos sociais, ambientais e territoriais que produzem. O texto recupera um aspecto decisivo desse debate: a defesa da consulta prévia, livre e informada, conforme estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, e o reconhecimento de que povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, extrativistas e demais comunidades tradicionais devem participa...