Pensar cinema na Amazônia exige mais do que filmar: exige formular. Exige a coragem de produzir pensamento onde historicamente se esperou apenas paisagem. Exige enfrentar a ausência estrutural de crítica, a escassez de pesquisa sistemática, a negligência de políticas públicas, a desinformação sobre realidades complexas e a insistência em tratar a região como imagem exótica — nunca como sujeito. Nesse deserto de análises e proliferação de estigmas, os artigos que temos construído nos últimos anos tornam-se documentos estratégicos: não porque oferecem respostas definitivas, mas porque desorganizam hierarquias e inauguram perguntas que ainda não haviam sido feitas. A produção de conhecimento sobre cinema na Amazônia permanece concentrada em poucos nomes, poucos espaços, poucos esforços individuais, e justamente por isso cada texto escrito, cada reflexão publicada, cada artigo discutido se torna parte de um gesto político de sobrevivência. Pensar a Amazônia desde dentro, sob a perspectiva...
O governo Lula privatiza o curso dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós (Decreto nº 12.600, de 28 de agosto de 2025), e desloca o comando da água para fora dos territórios que ela sustenta. Na Amazônia, o rio é vínculo vivo entre pessoas, territórios e tempos; sustenta morada, trabalho, alimento, memória e continuidade histórica. Governar o rio é governar a vida que nele pulsa. Há pessoas, há gentes, há povos que vivem do rio e com o rio. A Amazônia existe como território habitado e como vida em movimento, e essa vida exige respeito e decisão compartilhada. Por este motivo somos solidários aos povos indígenas que mais uma vez estão na vanguarda da resistência contra o capital na Amazônia. Francisco Weyl Brasil, fevereiro de 2026 O Decreto nº 12.600, de 28 de agosto de 2025, reorganiza os rios amazônicos sob a lógica da concessão e os insere no programa de desestatização como se fossem eixos técnicos de circulação. Madeira, Tocantins e Tapajós passam a ser administrados como infraestrut...