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AGOSTO 22 - GLAUBER É E FOI E SEMPRE SERÁ GLAUBER

Glauber Rocha atravessa a minha vida como atravessa o cinema, com esta força estranha das coisas que pertencem ao tempo porque vivem dentro dele mas que o tempo não consegue possuir, e talvez tenha sido esta a primeira coisa que compreendi quando comecei a escrever sobre Glauber, que Glauber Rocha não está preso a tempo nenhum, que sua poética e sua estética cinematográficas eram dotadas de orientação ideológica mas não datadas, diferença essencial para quem compreende que a cultura pode ser datada mas a arte não, porque a arte alimenta-se das matérias culturais e simultaneamente escapa delas, avança sobre seus próprios cadáveres, destrói os nomes que inventamos para aprisioná-la e reaparece onde menos esperamos, razão pela qual nunca consegui aceitar Glauber simplesmente como um cineasta do Cinema Novo, encerrado numa década, numa escola, num movimento, numa cinematografia nacional, porque Glauber é uma força artística brasileira que atravessa a História para devolver ao homem a sua c...
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José Ribamar Gomes de Oliveira: memória, poesia e as ruas de Bragança

José Ribamar Gomes de Oliveira nasceu em 1951, às margens do Rio Caeté, no bairro do Cereja, em Bragança do Pará. É desse lugar que começo a lembrá-lo, porque é também desse lugar que sua vida parece ter encontrado uma espécie de centro permanente: Bragança não foi apenas a cidade onde nasceu, mas a matéria que ele passou décadas pesquisando, escrevendo, ensinando e devolvendo aos outros através dos livros, das conversas, das instituições e dos projetos culturais que ajudou a criar. Sua formação em Letras e Artes pela Universidade Federal do Pará, onde foi orador de sua turma em 1997, deu passagem a uma trajetória em que a palavra acadêmica encontrou a experiência cotidiana da cidade, dos seus moradores, das suas ruas, dos seus templos, do rio, das festas, do cinema e das muitas histórias que Ribamar foi recolhendo ao longo do tempo. Quando penso nele, penso primeiro no professor Ribamar, que é como sempre gostei de chamá-lo. Foi uma pessoa que me acolheu e com quem aprendi bastante, ...

Bilhões em minérios, milhões sem direitos no Pará: essa conta não bate

O Pará encerra o primeiro semestre de 2026 diante de uma contradição econômica que já não pode ser tratada como detalhe do modelo de desenvolvimento amazônico. Em apenas seis meses, a indústria mineral faturou R$ 52,2 bilhões no estado. O Pará respondeu sozinho por 34,6% de todo o faturamento mineral brasileiro, ficando atrás apenas de Minas Gerais. No mesmo período, toda a mineração brasileira faturou R$ 150,7 bilhões. Ou seja: aproximadamente um de cada três reais faturados pela mineração nacional saiu do território paraense. Os dados são do Instituto Brasileiro de Mineração, o IBRAM. No mesmo balanço, o instituto informa que o setor mineral produziu US$ 20,3 bilhões de saldo comercial no primeiro semestre de 2026, equivalente a 48% de todo o saldo da balança comercial brasileira. O minério de ferro continuou decisivo nesse resultado e a China absorveu 70,1% do volume das exportações minerais brasileiras. O Pará ocupa posição central nessa máquina exportadora. Carajás, em Parauapebas...

Gatão: a floresta na terra e o ser na floresta

Tenho chamado Gatão de espinha dorsal deste percurso porque, seguindo sua trajetória, uma história inteira começa a se abrir. Uma história feita por muitas pessoas, comunidades, organizações, territórios, encontros, deslocamentos, conflitos, invenções políticas e formas de conhecimento produzidas na própria experiência da floresta. Foi por isso que fui a Santarém. E é por isso que irei ao Acre, a Marabá, a Brasília ou a qualquer outro lugar onde exista alguém disposto a narrar essa trajetória. Em cada território haverá uma pessoa capaz de contar uma parte dessa história, porque sua natureza é coletiva. Gatão atravessa esse processo, participa dele, articula pessoas e experiências, e sua própria trajetória permite alcançar muitas dessas redes. Em Santarém, ouvindo Livaldo Sarmento, Florêncio Vaz, Maria José e Edilson Figueira, comecei a perceber com mais força uma dimensão de longo prazo das Reservas Extrativistas. Aqueles territórios garantiram existência, sobrevivência e permanência p...

O QUE O CARPINTEIRO VAI FAZER NO WORKSHOP ARISE EM SANTARÉM

Entre 13 e 15 de agosto, ali em Santarém, nas margens do Tapajós, grande e majestoso Tapajós, na Universidade Federal do Oeste do Pará, acontece um encontro internacional que vai reunir pesquisadores de universidades, de instituições, de diferentes campos do conhecimento. A questão é pensar coletivamente os caminhos para a Amazônia. Eu sou uma pessoa do Norte do Brasil, venho da Amazônia, venho do Nordeste do Pará, nessa Amazônia que é a Amazônia Atlântica. Nessa Amazônia Atlântica, de forma coletiva, a gente tem construído diversas práticas de criação. Então, chega aqui o Francisco Weyl, Carpinteiro de Poesia e pesquisador em Arte, depois de concluir um doutorado através do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará e também com um doutorado-sanduíche na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. Portanto, existe aqui, paralelamente à pesquisa, uma prática, porque há mais de dez anos eu coordeno o Festival Internacional de Cinema ...

FIM.ME revela os vencedores da 1ª edição e consagra filme sobre “Mestre Damasceno” com Prêmio Especial do Júri

1º FIM.ME anuncia resultado final e afirma a média-metragem como território de criação, memória e diversidade A primeira edição do FIM.ME — Festival Internacional de Filmes de Médias-Metragens chega ao resultado final de sua mostra competitiva reconhecendo seis obras que percorrem diferentes territórios, experiências sociais e caminhos da linguagem cinematográfica. Criado para ocupar uma lacuna concreta no circuito audiovisual — a reduzida presença da média-metragem nos festivais, nas políticas de difusão e no debate crítico —, o FIM.ME dedica-se exclusivamente a filmes com duração entre 26 e 50 minutos. Desde sua concepção, o festival compreende essa duração não como simples intervalo entre curta e longa-metragem, mas como campo próprio de elaboração narrativa, experimentação estética e construção de pensamento cinematográfico. A primeira edição recebeu cerca de 30 inscrições e selecionou 18 obras para a etapa internacional de julgamento. Foram 13 documentários e cinco ficções, proven...