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Arte Usina Caeté retoma POET CAST MARAMBAIA

O POET CAST MARAMBAIA entra em uma nova etapa em 2026, consolidando um processo iniciado em 2023 pela ARTE USINA CAETÉ, com a publicação da primeira coletânea em formato fanzine, sob a editoria do Carpinteiro de Poesia Francisco Weyl. O projeto reúne experiências construídas ao longo de uma trajetória na Marambaia, envolvendo atuação de poetas e ativistas culturais no Centro Comunitário Tiradentes, a criação do Movimento Cultural da Marambaia, do Movimento Tela de Rua, do Movimento Cinema de Rua, da Galrar Cultural, do Abominável Tancredo das Neves, e o grupo Troupe The 4 Pracena. Essas ações articulam produção artística, formação, circulação e organização cultural no território. Esse percurso também foi desenvolvido no campo acadêmico por meio da dissertação de mestrado “Cenas Poéticas da Marambaia” (PPGARTES-UFPA-2014), que sistematiza essas práticas como produção de conhecimento e linguagem. Nesta nova edição, o POET CAST MARAMBAIA passa a ser publicado em formato digital, com ed...
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Marambaia retoma articulação do Fórum Permanente de Políticas Públicas Periféricas

Em Belém, o bairro da Marambaia volta a se mobilizar coletivamente em torno de uma agenda que já não é nova, mas se torna cada vez mais urgente: a articulação política e comunitária frente à crise climática e social. No próximo 30 de abril de 2026, às 18h30, moradores, coletivos culturais e iniciativas de base se reúnem na Rua da Mata, 366, no espaço onde hoje funciona o Ponto de Cultura FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté, para uma reunião aberta de rearticulação do FPPPPM COP30. A convocação parte de uma rede ativa de coletivos do bairro, incluindo o Instituto Vagalume da Marambaia, Biblioteca BombomLER, Casa do Poeta, FICCA Ponto de Cultura e os cineclubes Casa do Poeta e República de Portugal. Mais do que um encontro pontual, a reunião marca a retomada de um processo político-territorial iniciado anos antes da COP30 entrar no radar institucional da cidade. Uma trajetória que antecede a COP30 A mobilização da Marambaia não surge como resposta imediata à conferência cli...

Palavra, imagem e memória de José Ribamar Gomes de Oliveira

  “Alma das Ruas” é um documentário íntimo e afetivo que registra o pensamento do professor José Ribamar Gomes de Oliveira sobre a história do cinema e da cultura em Bragança do Pará. A partir de uma entrevista realizada em 2017, o filme costura memórias, reflexões e paisagens urbanas, transformando a palavra de Ribamar em gesto de permanência e homenagem. Um encontro entre pesquisa, território e afeto, que devolve ao público a potência da memória coletiva. 🎞️ SINOPSE  Em 2017, dois pesquisadores – Francisco Weyl e Christovam Pamplona Neto – encontraram o professor José Ribamar Gomes de Oliveira para conversar sobre cinema, educação e história cultural de Bragança. A entrevista, registrando sua lucidez e delicadeza intelectual, tornou-se matéria viva de memória audiovisual. “Alma das Ruas” retoma essas imagens anos depois, reconhecendo Ribamar como mestre e referência. O filme revisita suas ideias sobre cineclubes, escolas, arquivos, movimentos comunitários e resistências cul...

Sobre atentados culturais e outras reexistências artísticas

Eu defendo, divulgo e pratico o que conceituo artisticamente como "atentados culturais". Atentados culturais podem ser ações performáticas políticas de impacto social que não se limitam à tentativa de reversão de um quadro excludente, mas sobretudo à demarcação de um campo de resistência artística e consciência social.  São gestos incisivos que expandem a percepção sobre os fatos, provocam deslocamentos sensíveis e desafiam os processos e políticas públicas que excluem, marginalizam e violentam criadores e fazedores de cultura. Nesses atos, não há tutela nem moderação institucional.  Eles se inscrevem na radicalidade do efêmero e no improviso tático, sustentados por uma lógica libertária, subjetiva e insurgente.  Sua força está na autonomia e na imprevisibilidade: acontecem de forma breve e eventual, podendo emergir isoladamente ou em simultâneo, espalhando-se como rastros nômades pelo território e pela cidade, em deslocamentos e errâncias que reconfiguram a própria polít...

Tese anuncia novo marco no pensamento amazônida sobre cinema

A defesa da minha tese Kynema – Estéticas de Guerrilhas, Poéticas das Gambiarras, Tecnologias do Possível , realizada em 27 de março, no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará, não se reduz a um ato acadêmico. Ela condensa um percurso, torna visível um campo de forças, explicita um modo de pensar e fazer que venho construindo na travessia entre arte, cinema, território e ação cultural na Amazônia. Chego a esse momento a partir de uma trajetória em que produção intelectual, criação artística e intervenção sociocultural não se separam. Escrevo, filmo, performo, organizo, articulo — e é nesse entrelaçamento que a pesquisa se constitui. Um pensamento que não se coloca à distância do mundo, mas que se dá em presença, implicado nos contextos amazônidas, atravessado por suas tensões, suas urgências e suas potências. Ao mesmo tempo, esse percurso se expande em deslocamento. O estágio doutoral na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa i...

A excludente Ilusão do Consenso Cultural - Por Carpinteiro da Poesia

Este texto se constrói a partir da experiência direta com o território, com suas disputas, suas mediações e suas permanências. Ao longo dos próximos movimentos, o que se busca é tensionar aquilo que já parece natural: os modos de financiamento, os critérios de legitimação, as formas de circulação e os dispositivos que organizam a cena cultural.  Nem tudo o que se apresenta como cultura nasce do território. Nem tudo o que circula como diversidade carrega conflito real. Há uma organização em curso, silenciosa, eficiente, que define o que pode ser visto, o que pode ser dito e, sobretudo, o que pode ser esquecido. Antes de falar em representação, é preciso admitir o desconforto. Mais do que perguntar quem representa, interessa compreender o que está sendo organizado quando se fala em representação. Porque, no fim, não se trata apenas de cultura. Trata-se de estrutura. MOVIMENTO I — Representar é Organizar Eu nunca sei exatamente por onde começar quando falo de representação cultural. E...

A coragem de produzir pensamento onde historicamente se esperou apenas paisagem

Pensar cinema na Amazônia exige mais do que filmar: exige formular. Exige a coragem de produzir pensamento onde historicamente se esperou apenas paisagem. Exige enfrentar a ausência estrutural de crítica, a escassez de pesquisa sistemática, a negligência de políticas públicas, a desinformação sobre realidades complexas e a insistência em tratar a região como imagem exótica — nunca como sujeito. Nesse deserto de análises e proliferação de estigmas, os artigos que temos construído nos últimos anos tornam-se documentos estratégicos: não porque oferecem respostas definitivas, mas porque desorganizam hierarquias e inauguram perguntas que ainda não haviam sido feitas. A produção de conhecimento sobre cinema na Amazônia permanece concentrada em poucos nomes, poucos espaços, poucos esforços individuais, e justamente por isso cada texto escrito, cada reflexão publicada, cada artigo discutido se torna parte de um gesto político de sobrevivência. Pensar a Amazônia desde dentro, sob a perspectiva...

Contra a privatização dos rios amazônicos

O governo Lula privatiza o curso dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós (Decreto nº 12.600, de 28 de agosto de 2025), e desloca o comando da água para fora dos territórios que ela sustenta. Na Amazônia, o rio é vínculo vivo entre pessoas, territórios e tempos; sustenta morada, trabalho, alimento, memória e continuidade histórica. Governar o rio é governar a vida que nele pulsa. Há pessoas, há gentes, há povos que vivem do rio e com o rio. A Amazônia existe como território habitado e como vida em movimento, e essa vida exige respeito e decisão compartilhada. Por este motivo somos solidários aos povos indígenas que mais uma vez estão na vanguarda da resistência contra o capital na Amazônia. Francisco Weyl Brasil, fevereiro de 2026 O Decreto nº 12.600, de 28 de agosto de 2025, reorganiza os rios amazônicos sob a lógica da concessão e os insere no programa de desestatização como se fossem eixos técnicos de circulação. Madeira, Tocantins e Tapajós passam a ser administrados como infraestrut...

Atirar para todos os lados, disparar contra si próprio: a engrenagem e o ruído

 Aqui pensando sobre as eleições para o Conselho de Cultura, nesse movimento em que me aventuro como candidato do segmento audiovisual. Aventuro-me não por ilusão institucional, mas por fricção. Sou desses militantes que atiram para todos os lados e também disparam contra si próprios, porque não me interessa uma política cultural confortável, tampouco a posição de vítima esclarecida. Interesso-me pela política cultural audiovisual de forma desinteressada, se é que isso é possível: sem projeto pessoal de poder, mas mirando justamente esse poder centralizador, hierárquico, que tudo corrói quando não é tensionado. Entro sabendo que o risco é alto. Que a engrenagem institucional tende a triturar quem não se adapta à sua lógica de procedimentos, atas, prazos e formalidades. Sei que, mesmo mantendo-me firme, lúcido e crítico, o processo em si é burocrático, pouco dialógico e estruturalmente distante da vida real do audiovisual que se faz nos territórios, nas bordas, nas urgências. O qu...

FIM-ME abre inscrições para filmes de Médias-Metragens

Começam hoje, 20 de janeiro , as inscrições para o FIM-ME — Festival Internacional de Filmes de Médias-Metragens , novo certame internacional dedicado exclusivamente a obras que habitam o tempo do meio do cinema: filmes com duração entre 26 e 50 minutos . O FIM-ME surge como resposta a uma ausência histórica no circuito contemporâneo. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às engrenagens industriais, a média-metragem foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. O festival nasce para reocupar esse espaço, afirmando a média-metragem como forma cinematográfica plena . Criado a partir das articulações construídas pelo FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté , o FIM-ME se estabelece como projeto autônomo , com identidade, calendário e processos próprios, sem interferir na culminância do festival-mãe. Desde a sua origem, o FIM-ME se constitui como uma articulação int...