A defesa da minha tese Kynema – Estéticas de Guerrilhas, Poéticas das Gambiarras, Tecnologias do Possível , realizada em 27 de março, no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará, não se reduz a um ato acadêmico. Ela condensa um percurso, torna visível um campo de forças, explicita um modo de pensar e fazer que venho construindo na travessia entre arte, cinema, território e ação cultural na Amazônia. Chego a esse momento a partir de uma trajetória em que produção intelectual, criação artística e intervenção sociocultural não se separam. Escrevo, filmo, performo, organizo, articulo — e é nesse entrelaçamento que a pesquisa se constitui. Um pensamento que não se coloca à distância do mundo, mas que se dá em presença, implicado nos contextos amazônidas, atravessado por suas tensões, suas urgências e suas potências. Ao mesmo tempo, esse percurso se expande em deslocamento. O estágio doutoral na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa i...
Este texto se constrói a partir da experiência direta com o território, com suas disputas, suas mediações e suas permanências. Ao longo dos próximos movimentos, o que se busca é tensionar aquilo que já parece natural: os modos de financiamento, os critérios de legitimação, as formas de circulação e os dispositivos que organizam a cena cultural. Nem tudo o que se apresenta como cultura nasce do território. Nem tudo o que circula como diversidade carrega conflito real. Há uma organização em curso, silenciosa, eficiente, que define o que pode ser visto, o que pode ser dito e, sobretudo, o que pode ser esquecido. Antes de falar em representação, é preciso admitir o desconforto. Mais do que perguntar quem representa, interessa compreender o que está sendo organizado quando se fala em representação. Porque, no fim, não se trata apenas de cultura. Trata-se de estrutura. MOVIMENTO I — Representar é Organizar Eu nunca sei exatamente por onde começar quando falo de representação cultural. E...