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O FICCA É RECONHECIDO COMO PONTO DE CULTURA. MAS SUA HISTÓRIA SEMPRE FOI FEITA DE PONTOS, REDES E TERRITÓRIOS

Recebemos com alegria e responsabilidade a habilitação do FICCA no Edital PNAB – Premiação de Pontos e Pontões de Cultura do Pará. Esta conquista chega como estímulo. E confirmação de uma caminhada construída há mais de dez anos, muitas vezes navegando na contracorrente dos modelos de mercado, das centralizações e das precariedades que marcam o campo cultural brasileiro. O FICCA é ponto de cultura e talvez, no fundo, sempre tenha sido. Muito antes do reconhecimento institucional, já éramos ponto pelas andanças, pelas projeções improvisadas, pelas oficinas em escolas, comunidades, quilombos, periferias, praias, vilas, territórios rurais e urbanos. Ponto itinerante de cinema, formação, escuta, criação e insurgência cultural. Ao longo de nossa trajetória, fortalecemos políticas públicas includentes porque acreditamos na cultura como direito, formação, território e transformação coletiva. Estamos entrando na XI edição do Festival Internacional de Cinema do Caeté. São centenas de sessões, m...
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“NEGROS EM TERRA BRANCA” REALIZARÁ NOVA ETAPA DE FILMAGENS EM CABO VERDE

 A cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, receberá durante o mês de julho de 2026 a nova etapa de filmagens do documentário internacional “Negros em Terra Branca”, realizado pela Arte Usina Caeté, com direção dos pesquisadores e documentaristas Francisco Weyl e Hilton P. Silva. O filme investiga as permanências contemporâneas do racismo estrutural global a partir das experiências de sujeitos negros, africanos, brasileiros, latino-americanos e migrantes que circulam entre diferentes territórios do mundo contemporâneo. Construído entre África, Europa e América Latina, o documentário articula reflexões sobre colonialidade, violência racial, imigração, fascismo contemporâneo, desigualdade global, memória histórica e resistência cultural. Após iniciar suas filmagens em Portugal, entre as cidades do Porto e Lisboa, o projeto amplia agora sua dimensão transatlântica com a realização de entrevistas e registros documentais em Cabo Verde, aprofundando o diálogo entre África, Bra...

FICCA REDEFINE WEBINÁRIOS E APRESENTA PROGRAMAÇÃO COM FILMAGENS INTERNACIONAIS, XI EDIÇÃO E AÇÕES COMO PONTO DE CULTURA

O FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté informa que os Webinários Internacionais FICCA 2026, inicialmente previstos para ocorrer na segunda quinzena do mês de junho, serão transferidos para o segundo semestre deste ano. A redefinição do calendário decorre da etapa final de rodagem do documentário internacional “Negros em Terra Branca”, realizado através da Arte Usina Caeté, com direção dos pesquisadores e antropólogos das imagens Francisco Weyl e Hilton P. Silva. As novas filmagens ocorrerão durante o mês de junho na cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde, onde serão conduzidas entrevistas com a artista Misá, o realizador e pesquisador cabo-verdiano Júlio Silvão Tavares e o poeta Mário Loff. “Negros em Terra Branca” iniciou sua rodagem no Porto, Portugal, em 2025, período em que Francisco Weyl desenvolvia sua pesquisa doutoral entre o ESTC/IPL – Escola Superior de Teatro e Cinema / Instituto Politécnico de Lisboa e o PPGARTES/UFPA – Programa de Pós-Graduação em Artes...

“A Idade da Morte”, filme derivado de performance glauberiana

O que inicialmente seria um projeto expandido condensou-se, naquele momento, numa performance. Hoje, essa performance ressurge como filme, retirada da timeline após o processo de montagem e finalização. O filme nasceu de uma obra em deslocamento.  Com imagens do diretor de fotografia Marcelo Rodrigues, em cena Carpinteiro de Poesia Francisco Weyl, Mateus Moura e Rosilene Cordeiro, a obra situa-se na fronteira entre cinema experimental, performance, interferência artística, instalação e ritualidade contemporânea, território recorrente na trajetória de Weyl, profundamente marcada pelas relações entre arte contemporânea, afroreligiosidade, corpo, imaginação política e estéticas de guerrilhas. A mise-en-scène aconteceu numa tarde, no anfiteatro da Praça da República, em Belém: espaço histórico de circulação popular, arte, memória urbana e encontros culturais. Foi ali, sob a vibração pública da cidade, que corpos, gestos, oralidades, musicalidades e signos glauberianos se atravessaram n...

Imaginário de Cabo Verde pelo Brasil: entre o Plateau e as redes do Cinema Afro-Luso-Brasileiro

  Imaginário de Cabo Verde pelo Brasil: e nt re o Plateau e as r edes do Cinema Afro-Luso-Brasileiro Francisco Weyl 1 Universidade Federal do Pará, Brasil Hilton P. Silva 2 Universidade Federal do Pará e Universidade de Brasília , Brasil Resumo: O Plateau, bairro histórico da capital cabo-verdiana, torna-se palco fundamental para a construção do imaginário nacional através do cinema, especialmente no “Plateau Film Festival”. O evento vai além da exibição de filmes, funcionando como espaço de resistência cultural, memória coletiva e diálogo transnacional com a diáspora lusófona, através de diversas parcerias, entre estas, com o “Festival Internacional de Cinema do Caeté” (FICCA), no Brasil. Este estudo utiliza metodologia de revisão videográfica, analisando filmes e festivais para compreender a cadeia audiovisual que conecta Cabo Verde, Brasil e outras nações lusófonas. O cinema emerge como meio de expressão, fortalecimento identitário e empoderamento social, destacando-se a atuaçã...

Arthur Leandro transmitido aos vivos: Guera • Ogum • Cinema de Guerrilha • Memórias Afetivas

Se a memória não me falha, transcorria o ano de 2019/2020, por aí, eu estava em Arcos de Valdevez, Portugal, quando participei de uma conversa pela Internet  conduzida por Rosilene Cordeiro, que estava em Icoaraci, articulando uma ação da Casa Poranga em parceria com a Sala Tata Kinamboji, da UFPA, no âmbito de uma programação atravessada pela permanência espiritual, artística e política de Tata Kinamboji, o nosso querido amigo Arthur Leandro, que nos havia deixado em 14 de maio de 2018. A própria natureza daquele encontro carregava um sentido de transmissão aos vivos. Existia ali um movimento de reverência, memória, continuidade, troca, reencontro e afirmação de uma comunidade afetiva construída pela arte, pelo cinema, pela espiritualidade, pela pesquisa e pelas caminhadas compartilhadas ao longo de muitos anos. Rosilene conduzia aquela conversa a partir de uma intensidade rara. Sem distância entre vida, arte, pensamento, corpo, terreiro, cinema e afeto, tudo aparecia atravessado,...

DOCUMENTÁRIO #FORACARGILL LEGENDADO PARA CIRCULAÇÃO INTERNACIONAL

O documentário #FORACARGILL, do cineasta, pesquisador e realizador amazônico Francisco Weyl, inicia nova etapa de circulação audiovisual através das redes e plataformas da Arte Usina Caeté, agora com versões legendadas em inglês e espanhol, ampliando o diálogo internacional em torno das lutas socioambientais da Amazônia brasileira. Realizado no município de Abaetetuba, no Pará, o filme acompanha os impactos provocados pela tentativa de implantação de um Terminal de Uso Privado em território do Programa de Assentamento Agro-Extrativista Santo Afonso, na Ilha do Xingu, região onde vivem centenas de famílias ribeirinhas que historicamente constroem sua existência através da relação coletiva com a terra, com os rios e com a floresta. Com linguagem documental comprometida com os direitos humanos, a memória social e a defesa dos territórios tradicionais, #FORACARGILL apresenta depoimentos de lideranças comunitárias, trabalhadores ribeirinhos e moradores ameaçados pelos processos de pressão f...

Há Cobras que são Anjos: notas de montagem entre Porto e Marambaia

O Filme A cobra de duas cabeças resulta de um trabalho da performance realizada por mim e por Ana Tinoco, em março de 2025, na Livraria Gato Vadio, no Porto. O filme acontece porque a cena acontece. Mas agora renasce na Marambaia, entre discos rígidos fatigados, arquivos corroídos, aparelhos antigos, timelines indóceis, formatos que recusam obediência. E recompõe uma experiência nascida da convivência criadora: projetos partilhados, instalações, interferências, pinturas, performances, filmes, diálogos, desacordos produtivos, escutas, ateliers expandidos, espiritualidades encarnadas na matéria do trabalho artístico Eu e Ana trazemos uma história de colaboração construída ao longo de anos. Parte dessa trajetória atravessa projetos como EXERCITO.Ogum, interferências poesóficas, instalações, performances e processos criativos em que arte, ancestralidade, tecnologia, pensamento crítico e experimentação que ocupam ruas, praças, museus, galerias, livrarias, parques, quintas, territórios de ar...