Diante desse debate sobre as “opções para o governo do Pará”, das pesquisas de intenção de votos e da recorrente fala sobre o “voto útil”, vamos começar por uma pergunta: por que candidaturas alternativas, como as do Bloco PSTU e da Unidade Popular, são sistematicamente invisibilizadas, como se sequer integrassem o debate político sobre o futuro do Estado? Como chegamos a um ponto em que as únicas opções consideradas competitivas são aquelas que o sistema político, empresarial e midiático apresenta como tais, enquanto outras candidaturas permanecem fora da narrativa antes mesmo que a sociedade tenha a oportunidade de conhecê-las, confrontá-las, criticá-las e pensar a partir delas? E há uma segunda pergunta, diferente desta, mas diretamente relacionada: qual foi o papel da pequena burguesia, dos intelectuais e dos artistas durante todos estes anos e de que lado eles se colocaram na construção dessa realidade? Porque precisamos olhar também para os brancos do centro da cidade, em seus co...
Entrevistar Humberto Cunha, para mim, Francisco Weyl, carpinteiro de poesia, foi reencontrar uma história política, humana e coletiva da qual também fiz parte. Humberto Cunha pertence a uma geração que pensou e viveu a política como campo de transformação concreta. Engenheiro agrônomo, defensor dos direitos humanos e homem público, construiu uma atuação marcada pela compreensão da Amazônia, da terra, da reforma agrária, da defesa ambiental, do combate aos agrotóxicos e das liberdades democráticas. Naquelas décadas, essas lutas se articulavam profundamente. A luta pela terra encontrava a luta pela moradia. A defesa dos trabalhadores do campo dialogava com as lutas urbanas. Educação, saúde, liberdade de expressão, liberdade de imprensa, anistia e direitos humanos compunham um amplo campo de mobilização e construção democrática. Jornais alternativos, organizações populares, movimentos sociais, sindicatos, grupos de defesa dos direitos humanos e diferentes formas de organização política pa...