Tenho chamado Gatão de espinha dorsal deste percurso porque, seguindo sua trajetória, uma história inteira começa a se abrir. Uma história feita por muitas pessoas, comunidades, organizações, territórios, encontros, deslocamentos, conflitos, invenções políticas e formas de conhecimento produzidas na própria experiência da floresta. Foi por isso que fui a Santarém. E é por isso que irei ao Acre, a Marabá, a Brasília ou a qualquer outro lugar onde exista alguém disposto a narrar essa trajetória. Em cada território haverá uma pessoa capaz de contar uma parte dessa história, porque sua natureza é coletiva. Gatão atravessa esse processo, participa dele, articula pessoas e experiências, e sua própria trajetória permite alcançar muitas dessas redes. Em Santarém, ouvindo Livaldo Sarmento, Florêncio Vaz, Maria José e Edilson Figueira, comecei a perceber com mais força uma dimensão de longo prazo das Reservas Extrativistas. Aqueles territórios garantiram existência, sobrevivência e permanência p...
Entre 13 e 15 de agosto, ali em Santarém, nas margens do Tapajós, grande e majestoso Tapajós, na Universidade Federal do Oeste do Pará, acontece um encontro internacional que vai reunir pesquisadores de universidades, de instituições, de diferentes campos do conhecimento. A questão é pensar coletivamente os caminhos para a Amazônia. Eu sou uma pessoa do Norte do Brasil, venho da Amazônia, venho do Nordeste do Pará, nessa Amazônia que é a Amazônia Atlântica. Nessa Amazônia Atlântica, de forma coletiva, a gente tem construído diversas práticas de criação. Então, chega aqui o Francisco Weyl, Carpinteiro de Poesia e pesquisador em Arte, depois de concluir um doutorado através do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará e também com um doutorado-sanduíche na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. Portanto, existe aqui, paralelamente à pesquisa, uma prática, porque há mais de dez anos eu coordeno o Festival Internacional de Cinema ...