Hoje Argentina e Inglaterra disputam uma vaga na final da Copa do Mundo. Escrevo antes da partida. Portanto, minha posição independe do resultado. Ela nasce de uma reflexão que o próprio Mundial vem provocando em mim. Tenho visto muitos brasileiros dizendo que não vão torcer pela Argentina em razão da questão do racismo e da omissão de muitos atletas argentinos diante das manifestações racistas de parte da torcida. Compreendo essa indignação. Quando alguém ocupa um lugar de referência pública, sua voz também produz responsabilidades. E o seu silêncio, diz muito. Mas, ao mesmo tempo, pergunto: por que nossa indignação para justamente aí? Se concentramos toda a crítica apenas sobre uma seleção, corremos o risco de deixar de lado outras hipocrisias que também atravessam o futebol mundial. A FIFA tornou-se uma das instituições mais poderosas do esporte. Seu modelo econômico movimenta bilhões e depende justamente do caráter planetário da Copa do Mundo. Não digo que a FIFA deva tratar todos ...
Tenho acompanhado essa Série C rodada a rodada e, quanto mais observo a competição, mais acredito que o Paysandu continua dependendo principalmente de si para chegar entre os oito. É um otimismo que nasce da tabela, do elenco e da própria dinâmica do campeonato. Muita gente olha apenas para os tropeços recentes e esquece de enxergar o percurso inteiro. O Paysandu começou o ano em intensidade máxima, disputando competições simultâneas, conquistando títulos importantes, como a Copa Verde e a Copa Norte, viajando pelo país e sustentando um calendário que cobra um preço físico muito alto. Poucas equipes da Série C enfrentaram uma sequência tão exigente. Esse desgaste coletivo apareceu em campo. Em alguns momentos, o time perdeu intensidade na marcação, reduziu a pressão sobre a saída de bola dos adversários e já não manteve, durante os noventa minutos, o mesmo ritmo que marcou o início da temporada. Era um movimento previsível diante da carga de jogos acumulada. A diretoria percebeu esse c...