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Só os “rabelados” fazem cinema em Cabo Verde

"Rabelados”. Já ouvira falar nesta palavra antes, quando ministrava aulas no Piaget, sem, entretanto, avançar nas pesquisas que se faziam necessárias, porque naquela altura (há cerca de sete anos) priorizara outros temas e ações. A palavra, entretanto, ficou-se-me. De volta a Cabo Verde na condição de convidado do #PLATEAU – Festival Internacional de Cinema de Cabo Verde, assisti ao filme  “Revolução dos Rabelados”, de Mário Benvindo. Ele não obteve nenhum prêmio, mas só o fato dele ter estado inscrito já revela a sua vitória e a sua conquista. O filme, segundo se sabe, esteve no Festival Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) e Cine’Eco (Portugal), Bage da Fronteira (Brasil) e Kugamo (Moçambique). Mário Benvindo é um jovem  realizador cabo-verdiano ao qual eu já havia esboçado crítica, mas a outro documentário, sobre a Cidade Velha, há sete anos  (“Rua Banana”). Ele também fez outro documentário, “Areias da Morte” (2013). Há qualquer coisa de  Palmares nos “rabela...

#SODADI Carta do Diretor do Plateau, Ivan Santos

Ivan Santos, diretor do #PLATEAU Caros amigos e padrinhos do PLATEAU,   No final do festival, alguém me perguntou como é que eu estava me sentindo. Respondi que senti um misto de alivio, de dever cumprido, mas também um pouco de tristeza e saudosismo. Como o Vereador Tober disse, nasceu uma nova família, a familia Plateau. Agradeço de coração a presença e amabilidade de tod@s, a prontidão em ajudar sempre com palavras de encorajamento. Se o nosso trabalho enquanto organização tem sido elogiado, vocês certamente e sem sombra de duvidas tem muita culpa nisso. Fizeram parte desde o inicio para que todo este processo culminasse em grande e que perdure para sempre. Da minha parte quero vos dizer, que foi uma enorme honra e prazer poder compartilhar bons momentos e poder sempre contar com a vossa vasta experiência que me fez crescer enquanto profissional, mas também a nível pessoal. Espero que possamos nos encontrar outra vez, principalmente aqui (onde tudo começou) ou em outras paragens...

Rua Banana Cidade Velha

MÁRIO BENVINDO CABRAL TEM MÃO PARA FILMAR (Reproduzo texto concebido e publicado sobre cinema africano há sete anos...) Por Francisco Weyl / Carpinteiro de Poesia e de Cinema Uma obra se inscreve na História quando ela não se prende ao próprio tempo em que ela foi criada. A atemporalidade é uma das marcas da verdadeira obra de arte. Daí a dificuldade do documentário, enquanto género cinematográfico, afirmar-se como arte, porque, na maioria das vezes, ele destaca um facto inscrito num determinado tempo. Mas a História do cinema, entretanto, conhece realizadores que escaparam ao tempo, legando-nos obras de conhecido valor artístico. É o caso, por exemplo, de Eisentein, precursor do cinema-propaganda. O filme “Rua Banana Cidade Velha”, de Mário Benvindo Cabral, cuja estreia assistimos Sexta-feira, 13, no auditório do Centro Cultural Português, de certeza que se inscreve na história do cinema cabo-verdiano, mas há um grande caminho para que ela venha a ser algum paradigma artístico - p...

FICCA faz parceria internacional pelo cinema africano

Um encontro esta manhã (1/12/2014) na Câmara da Ribeira Grande de Santiago selou um “Convênio de Intenções – em prol da cultura cinematográfica na Cidade Velha, Cabo Verde”. Da reunião participaram a Vereadora do Pelouro da Cultura, Adelaide Barreto de Moura; e os realizadores Júlio Silvão Tavares (Cabo Verde) e Francisco Weyl (Brasil), representando, respectivamente, a Associação Nacional de Cinema e Audiovisual, e o Festival Internacional de Cinema do Caeté – FICCA, O pacto para a construção de uma Rede em prol da cultura cinematográfica da Cidade Velha, Cabo Verde, , segundo a Vereadora da Cultura, tem como o objetivo a realização de uma importante iniciativa cinematográfica. “É um momento importante, com o qual a Câmara se compromete, estamos prontos para abraçar esta ideia, e fazer de tudo para que ela aconteça, contamos com a colaboração do FICCA e da Associação para trabalharmos juntos, com o apoio de instituições e organizações públicas e privadas”, afirmou a Vereadora. M edian...

Barriga de atum na grelha

Manoel Alves já vendeu muito mais de uma tonelada de atum. Há vinte anos em Cabo Verde ficou bastante conhecido pelo restaurante "Casinha Velha", perto da Capela, na Atchada Riba - Atchd'Santanton (com licença poética do meu Brasi-kryolo). Cá, na cidade da Praia, do meu tempo eram muitos restaurantes com o nome casa, aliás , "Casa Nova", onde comia cavala fumada feita por um português que era dono deste restaurante e cujo nome não recordo, pra variar, e a "Casa Bela" , que eu acho que era do Baluka e do Cesar, e que reunia a nata da malandragem, gente do bem, poetas, fotógrafos, realizadores , intelectuais , jornalistas , arquitetos, artistas plásticos e os cabeças meus amigos .     São tantas as casas mas eu, nômade que sou , contento-me em não carregar muitos objetos, porque a minha alma já pesa demasiado, com todos estes sentimentos e estas energias . Mas - voltando à "Casinha Velha" , ela nem existe mais, embora o lugar ainda seja o mesmo...

Antônio Loja Neves, meninos, eu vi

Antônio Loja Neves não revela a idade, entretanto assume que tem 40 anos de festival. E de posse desta experiência, não poupa elogios  à comissão organizadora do #PLATEAU. Já morou em Cabo Verde e acompanha o país - de Lisboa , "que é muito diferente de estar cá", comenta. Jornalista de profissão, ele diz que gostaria de ser fabricante de sonhos, entretanto, gosta do que faz e o faz de forma profissional. E essa sua convicção também se reflete naquilo que ele tem se dedicado neste Festival. Loja Neves, todas as tardes, incansavelmente a seguir aos almoços, ele comanda, junto com a jornalista Margarida Alves Pereira, as projeções de cinema para crianças. Eles dois fazem a diferença neste Festival, que tem este componente, a formação de plateias, entre as crianças, e nas comunidades mais distantes do Plateau. Duas setas certeiras, pelo que a coordenação e os colaboradores, a Câmara Municipal e o povo de Cabo Verde estão de parabéns. Aliás, estes dois pontos foram ressaltados na...

A África tem de se reapropriar de sua História

O realizador angolano Dom Pedro foi um dos convidados para a Roda de Conversa que ocorreu nesta terça, 25/11, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, no âmbito do #PLATEAU – Festival Internacional de Cinema de Cabo Verde. Antes, entretanto, conversamos sobre diversos assuntos relacionados à sua cinematografia e a produção do cinema no Continente Africano, assunto que ele tematizou na Roda, logo depois de eu falar sobre “Cineclubismo de Resistência”, cujo “discurso” publicarei breve neste espaço, de forma a contribuir com a História que se está a construir neste momento na Cidade da Praia, capita de Cabo Verde. Dom Pedro afirma; “Com o cinema, podemos conscientizar e educar facilmente, porque é instrumento muito importante para comunicar com o mundo e valorizar a nossa cultura, para que os mais jovens conheçam o passado e possam intervir no presente, ou seja, evitar os erros dos antigos, e permitir aos mais jovens, que amanhã ou depois serão os governantes africanos, uma melhor visão da realid...

Nasce o novo cinema Cabo-Verdeano

O Fórum Plateau que se realiza nesta quinta-feira, 27/11/2014, no âmbito do Festival Internacional de Cinema de Cabo Verde não quer apenas pautar estratégias de políticas públicas para o setor no país. Há consenso entre os organizadores de que o momento é histórico e marca tanto o (re)nascimento do (NOVO) Cinema Cabo Verdiano, quanto faz com que este país, pela sua privilegiada posição geográfica, se torne um catalizador das ações cinematográficas realizadas no Continente Africano, no Brasil, em Portugal e nos demais países do mundo. O Presidente da Associação de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde, Júlio Silvão, diz que a sociedade civil tem de agir; “Ficamos a ver o barco passar, quando deveríamos estar no timão”, desabafa. Pessoa simples, de poucas palavras e muita ação, Silvão é um dos idealizadores e coordenadores do #Plateau. Ele destaca que Cabo Verde chegou a tem produção de cinema nos idos 1950, mas que o mercado foi tomado com o tempo pela televisão: “A cultura tem de sair da ...

O cinema afro-luso-brasileiro em debate

Quatro realizadores afro-luso-brasileiros protagonizaram nesta terça (25/11) os primeiros debates sobre o cinema africano no âmbito do #Plateau – Festival Internacional de Cinema de Cabo Verde, que acontece até dia 30/12 na Cidade da Praia. Júlio Silvão (Cabo Verde), Dom Pedro (Angola), Jorge Murteira (Portugal), e Francisco Weyl (Brasil) participaram de uma Roda de Conversa, que tematizou diversos assuntos relacionados á formação, produção e realização audiovisual em países africanos. O diálogo aconteceu no Palácio da Cultura Ildo Lobo e contou com a participação de cerca de quinze pessoas, que acompanham o Festival. As questões levantadas pelos participantes da roda foram diversificadas, desde as pautas estéticas até as econômicas. O cinema documental e o ficcional estiveram na ordem do dia, a partir das diferentes realidades que compõem o cenário da produção do cinema no Continente Africano. O caso O fato de Nigéria ser o maior produto de cinema mundial e de Cabo Verde ter posição e...

Cabo Verde, fênix renascida

O episódio recente da erupção do vulcão do da Ilha do Fogo, em Cabo Verde, por mais paradoxal que seja, serve para revelar ao mundo o quanto são solidários os filhos desta terra. A despeito de suas fragilidades econômicas e sociais, os cabo-verdianos mais uma vez estão a dar exemplos para o mundo. Além dos muitos gestos pessoais de pessoas que se dispõem a ajudar de forma anônima, garantindo estruturas para aqueles que mais necessitam, aqui na capital, a Cidade da Praia, há diversos postos para recebimento de doações, que estão a ser enviadas para o Fogo. Ou seja, por mais que a natureza demonstre a fragilidade humana para suportar as suas catástrofes, Cabo Verde, como fênix, renasce. Em Chã das Caldeiras, há muitas perdas, mas o que este país está a ganhar tem um valor ainda maior que as centenas de milhares de euros “torradas” pelas larvas. Não se trata de recursos financeiros, mas de humanidades. As pessoas estão irmanadas numa onda de emoção e ação que atravessa as ilhas, os oceano...

Sebastião Alba: Arte poética e imagem

Minha conferência em Cabo Verde sobre o poeta Sebastião Alba [1] Francisco Weyl, Carpinteiro de Poesia [2] 1.       A imagem É minha intenção analisar uma fotografia que eu próprio obtive no ano de 1998, na cidade de Braga, Portugal, mais exatamente no depósito localizado aos fundos de um abrigo de idosos, aonde àquela altura habitava o poeta lusíada Sebastião Alba. Eu capturei esta imagem porque estava a fazer um documentário sobre o poeta fotografado. Esta foto a qual me refiro, eu a capturei à cor, mas revelei-a à preto e branco e com o negativo invertido - e o fiz por mera experimentação, já que mal acabara de me matricular no curso de cinema, no âmbito do qual eu estudaria um ano de fotografia, pelo que, portanto, estava demasiado empolgado com a possibilidade de manipular imagens. Há portanto, entre eu e esta imagem uma relação afetiva, primeiro porque naquele sagrado dia eu conheceria o poeta ao qual eu me dedicara procurar e segundo pelo prazer de tê-la ...