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Mostrando postagens com o rótulo Cobra grande

Há Cobras que são Anjos: notas de montagem entre Porto e Marambaia

O Filme A cobra de duas cabeças resulta de um trabalho da performance realizada por mim e por Ana Tinoco, em março de 2025, na Livraria Gato Vadio, no Porto. O filme acontece porque a cena acontece. Mas agora renasce na Marambaia, entre discos rígidos fatigados, arquivos corroídos, aparelhos antigos, timelines indóceis, formatos que recusam obediência. E recompõe uma experiência nascida da convivência criadora: projetos partilhados, instalações, interferências, pinturas, performances, filmes, diálogos, desacordos produtivos, escutas, ateliers expandidos, espiritualidades encarnadas na matéria do trabalho artístico Eu e Ana trazemos uma história de colaboração construída ao longo de anos. Parte dessa trajetória atravessa projetos como EXERCITO.Ogum, interferências poesóficas, instalações, performances e processos criativos em que arte, ancestralidade, tecnologia, pensamento crítico e experimentação que ocupam ruas, praças, museus, galerias, livrarias, parques, quintas, territórios de ar...

Sete Espadas e Duas cabeças: a travessia da Cobra Grande

A cobra de duas cabeças desliza, entre Douro e Amazonas.   A serpente que se arrasta pela Terra descama de pele sem perder a aura do corpo. Ela se contorce no lugar que nos habita, à fúria de uma alma em transe. O brilho de Exu na lâmina das Sete Espadas de Ogum, o chamado de Yemanjá no voo da Arara-Encantadeira. A presença se dissipa com o vento, mas deixa rastros impressos nas lamas dos rios  de nossas memórias. Nestas travessias por territórios pantanosos, arte, espiritualidade e resistência se entrelaçam. Do filme Anaís  (1998) ao EXERCITO.Ogum  (2020), a obra de Ana Tinoco flui pela arte de Francisco Weyl, assim como a poesia do Carpinteiro se dissolve na pintura de Ana. Como dois rios que desaguam no oceano, correm em contracorrentes de culturas díspares. No cruzar destes caminhos e territórios, a leitura poética do mito da Cobra Grande se constitui como parte de uma pentalogia antecedida pelas Interferências Pesóficas  de Francisco Weyl : Sete Espadas par...

Assombrações, ancestralidade e a defesa da Amazônia na obra de Genésio Santos

Alguns tópicos da obra do Genésio Gomes dos Santos Filho que são necessários considerar, a partir da leitura de pelo menos duas de suas obras, “A Cobra Grande e outras lendas” e o “Assombroso mundo de Tia Maria”. Públicadas através da resistente editora de autores paraenses, PAKA TATU, são obras que têm uma mesma estilística narrativa do escritor. Genésio sabe as regras do jogo das narrativas e brinca com elas. Há um narrador que fala, não exatamente como alter ego do escritor, mas um narrador que é também a sua própria fonte, no caso, sua Tia Maria. E há ainda um narrador que é personagem de si, o Genésio, que, sendo demandado ou referido, “fala” na sua própria obra. O narrador fala, conta a estória a partir de uma suposta história que lhe foi narrada. E há momentos em que o Genésio - personagem refere o narrador. Existem muitas camadas, portanto, que afetam a a obra do escritor Genésio Santos. Torna-se necessário perceber essas camadas, Genésio vem da formação das letras. É graduado ...