Palavras e
coisas - Mas, antes de fazer qualquer
esforço intelectual ou de memória, é preciso definir o poder da palavra sobre
as coisas por elas nomeadas, ou seja, as coisas tem nome, logo elas são. Aos
nomes destes nomes de cada uma das coisas, chamamos de palavras. As palavras,
portanto, designam as coisas. Mas por serem signos (tanto as palavras quanto às
coisas por elas nomeadas), arrastam consigo – ao serem evocadas - uma sucessão
de outros fenômenos com os quais se relacionam de diversas formas, espontâneas
e aleatórias. E assim, até o invisível se vê através das palavras. Como numa
espécie de combinação, uma sucessão de probabilidades se abre e então no
interior desse espectro metafísico vislumbramos algum resíduo de essência que
determina o que cada uma das coisas (nomeadas) são. E são por serem em si e
através de si mesmas, pela via das palavras que lhes traduzem os diferentes
sentidos que a elas são atribuídos por convenção. Uma coisa, portanto, pode ser
uma e outra coisa. Pode ser uma coisa só e várias coisas ao mesmo, entretanto,
o que uma coisa não pode nunca ser é coisa nenhuma. Até porque a coisa nenhuma
também é coisa nomeada pela palavra e portanto representada quando falada - no
campo sonoro (oralizada) ou grafada, no campo visual (escrita) ou ainda mental
quando atravessada na cadeia (in)consciente dos pensamentos, como numa corrente
dialética de signos que se processam uns aos outros, em síntese. © Francisco Weyl
Este festival nasce de uma ausência concreta no circuito contemporâneo: a média‑metragem — forma cinematográfica historicamente fértil, decisiva para o ensaio, para o cinema‑pensamento e para a maturação de linguagem — foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às pressões industriais, a média‑metragem tornou‑se um território órfão — justamente quando o cinema precisa de tempo para escutar, tempo para experimentar e tempo para elaborar. O FIM.ME afirma a média‑metragem como cinema pleno: campo de elaboração estética, política e poética. Não é um festival temático, nem um festival de nicho. É um festival de forma, linguagem e gesto cinematográfico, orientado por um compromisso ético com um cinema humanista, socialmente engajado e esteticamente rigoroso. O FIM.ME nasce das articulações realizadas através do FICCA – Festival ...

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