Oh! Meu Santo Benedito!
Protegei teu povo aflito
Do desvio dos políticos.
Oh! Meu Santo Bendito!
Iluminai teus filhos sofridos
Para que eles vejam
A injustiça dos bandidos.
Oh! Meu Santo Protetor!
Dai força à resistência
Deste povo trabalhador
Que te louva com tanto amor.
Este povo pescador,
E este povo roceiro,
Que ara a terra o ano inteiro.
E te segue com fervor.
Oh! Meu Santo Preto!
Clareai a cegueira dos brancos
Para que nunca mais
Humilhem os negros-santos.
Oh! Meu Santo Cozinheiro!
Dai terra a quem não tem
Nenhum vintém.
A quem não tem mais esperanças
Além das suas próprias andanças
Neste mundo de errâncias.
Oh! Meu Santo da Cura!
Fazei-me candura
Desde a semeadura
Para que a colheita
Seja farta de doçura.
Oh! Meu Santo Amado!
Fazei-me um navegador
Sem medo dos naufrágios.
Fazei-me aves
Por sobre todos os mares.
Oh! Meu Santo-Menino!
Fazei-me um peregrino
Das estradas e caminhos.
Oh! Meu Santo Bené!
Dizei-me se Maria e José
Abençoam a minha Fé!
Oh! Meu Santo Sagrado!
À noite, quando Rezo
Digo à Deus
Muito Obrigado!
E de manhã quando acordo
Sinto a vida renovada
Como uma grande revoada
De guarás em meus quintais
Ajuruteua nos meus sonhos
Me banha nesses encantos
Onde passeia meu espírito
Até os portais do infinito
Oh! Meu São Benedito.
Dizei-me uma só palavra
Para que meu poema
Tenha a marca da tua pena
E que a minha alma
Lavrada seja
pela tua Paz.
Oh! Meu Santo Belo!
É tua a Luz que me conduz.
Tal qual um Preto Velho,
Exu e Menino Jesus.
Oh! Meu Santo do Caeté!
Que teu Rio me lave
E me torne leve
E ainda mais forte a minha fé.
© Carpinteiro
Bragança do Pará, 2017
Este festival nasce de uma ausência concreta no circuito contemporâneo: a média‑metragem — forma cinematográfica historicamente fértil, decisiva para o ensaio, para o cinema‑pensamento e para a maturação de linguagem — foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às pressões industriais, a média‑metragem tornou‑se um território órfão — justamente quando o cinema precisa de tempo para escutar, tempo para experimentar e tempo para elaborar. O FIM.ME afirma a média‑metragem como cinema pleno: campo de elaboração estética, política e poética. Não é um festival temático, nem um festival de nicho. É um festival de forma, linguagem e gesto cinematográfico, orientado por um compromisso ético com um cinema humanista, socialmente engajado e esteticamente rigoroso. O FIM.ME nasce das articulações realizadas através do FICCA – Festival ...
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