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FICCA apresenta programação da X edição

Há uma década, o Caeté acolhe o cinema como quem finca raiz em terra fértil, como quem constrói sonhos com as mãos da guerrilha. O FICCA celebra 10 anos de filmes que nascem do chão, moldados com barro, vento e palavra. Aqui, onde as águas do rio beijam as margens da resistência, o cinema se faz tábua de salvação e martelo de mudança, a poesia que ecoa no silêncio de quem vê e sente.

Cada edição é um grito de coragem, um manifesto visual esculpido pelo olhar ancestral de quem sabe que contar histórias é também desafiar o poder. Não é só luz que projetamos, é a força indômita da Amazônia, o pulso do Marajó, a dança dos caruanas e o canto dos invisíveis. É o cinema que nos desafia a enxergar além da tela, nas beiradas do mundo, onde a arte se encontra com a vida e a política se entrelaça à estética.

Somos cineastas e carpinteiros, artesãos de imagens, tecendo tramas e memórias com a madeira dos sonhos, talhando o futuro com firmeza e delicadeza. O FICCA é esse encontro: de passado e presente, de margem e centro, de cultura e resistência.

Venha viver a décima jornada desse festival que não só exibe filmes, mas os constrói com a alma de quem acredita no poder transformador da arte. Porque, no fim, cada filme que passa aqui não é só visto — é vivido. E se você nos lê, então sabe: o FICCA é feito de marés, suor e poesia. Um pedaço de todos nós.

O martelo já ressoa. É hora de se juntar à obra.

Venha viver a força do cinema como ferramenta de transformação e identidade. Venha fazer parte dos próximos dez anos dessa jornada poética e sincera, que nos une em memória e futuro, em tela e território.



 X FICCA - FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DO CAETÉ

Livraria Gato Vadio, Porto, 10, 17, 24 e 31 de Janeiro de 2025

 

Programa Oficial

 

10 de Janeiro - A resistência do cinema na América Latina

20h45, MÍSTICA DE ABERTURA - Francisco Weyl

21h - “Solanas Explicado às Crianças” (Filme de André Queiroz, em ESTREIA, 75Min)

22h15- RODA DE CONVERSA - Participação do realizador (Via Internet)

CONCERTO [Círculo Eletroacústico]

 

Dia 17 - “Realismo e Magia no Cinema Amazônida”

20h45, “Murerueua, Atinãna” (Fime de Abaya Coletiva, em ESTREIA, 15Min)

“Quem cortou a língua de feiticeira que os donos do mundo temiam?”

(Coletivo Resistência Marajoara, 7Min)

#Feitiço (Rosilene Cordeiro, 20Min)

22h- RODA DE CONVERSA - Participação das realizadoras Via Internet (Rosilene Cordeiro, Carol Magno, Roberta Mártires)

 

Dia 24 - “Cinema, memória e direitos humanos”

20h30, HOMENAGEM a Paulo Miranda 

“Artesania Tracuateuara” (Coletivo Quilombo do Torre, em ESTREIA, 12Min)

“Nas águas do Tijoca, o Patal conta a sua História” (Coletivo Urumajó, em ESTREIA, 16Min)

“A arte dos Direitos Humanos de Lúcia Gomes” (Coletivo Quatipuru, 16Min)

“Do lugar onde se vê” (Denis Bezerra, 7Min)

22h- RODA DE CONVERSA - Participação do Professor-Doutor Paulo Morais-Alexandre (Escola Superior de Teatro e Cinema - Instituto Politécnico de Lisboa) e - Via Internet - do Professor-Doutor Denis Bezerra (Programa de Pós-Graduação em Artes - Universidade Federal do Pará)

 

Dia 31 - “O Cinema líquido entre rios, do Amazonas ao Douro”

20h45, PROJEÇÃO [FILMES DE Francisco Weyl - "Zé do Caixão em Comunhão com a escola do Porto sob as bênçãos de São Francisco, 12Min; Mazagão - cidade fênix, 18Min; Cio na primavera em Braccara Augusta, 2Min; Um poeta não se pega, 12Min]

21h30, Estreia do filme rodado na oficina de Cinema de Guerrilha CADA REALIZADOR UM TERRORISTA E CADA FILME UM ATENTADO

22h- RODA DE CONVERSA - GRAVAÇÃO DO MINIDOC - Participação dos realizadores atuantes nas oficinas e dos colaboradores lusíadas do FICCA (Ana Tinoco, Alexandre Martins, Bebel Luz, José Alberto Pinto, Luís Costa, Micaela Barbosa, Nuno Malheiro, Phillip Beck, Zeza Guedes)

23h30 - CONCERTO DE ENCERRAMENTO [BKili]

 

OFICINA DE CINEMA DE GUERRILHAS

DIAS 10, 17, 24 E 31 (17h30-20h30)

O FICCA e o Núcleo de Realizadores da Livraria Gato Vadio convidam para esta experiência prática formatiiva que decorrerá concomitante às atividades do festival sob o mote “Cada realizador é um terrorista e cada filme um atentado”.

Os elementos para a construção de uma tríade conceitual do cinema de resistência social pesquisados e desenvolvidos por Francisco Weyl serão apresentados e dialogados com os participantes, sendo estes convocados a construir uma obra fílmica de guerrilhas, a partir do quadro cinematográfico, cuja concepção e planificação será objeto de construção coletiva durante os encontros semanais que têm come meta criar, produzor, realizar, montar, projetar e dialogar KYNEMA.

 

 

REALIZAÇÃO:

LIVRARIA GATO VADIO + FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DO CAETÉ [FICCA] + MULTIFÁRIO + ARTE USINA CAETÉ

PARCERIA INSITUCIONAL:

CAPES + PPGARTES-UFPA + GRUPO DE PESQUISAS PERAU + ESCOLA SUPERIOR DE TEATRO E CINEMA + INSTITUTO POLITÉCNICO DE LISBOA

 

 

ENTRADA GRATUITA

INFORMAÇÃO E INSCRIÇÃO:

carpinteirodepoesia@gmail.com 

 

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