Aqui pensando sobre as eleições para o Conselho de Cultura, nesse movimento em que me aventuro como candidato do segmento audiovisual. Aventuro-me não por ilusão institucional, mas por fricção. Sou desses militantes que atiram para todos os lados e também disparam contra si próprios, porque não me interessa uma política cultural confortável, tampouco a posição de vítima esclarecida. Interesso-me pela política cultural audiovisual de forma desinteressada, se é que isso é possível: sem projeto pessoal de poder, mas mirando justamente esse poder centralizador, hierárquico, que tudo corrói quando não é tensionado. Entro sabendo que o risco é alto. Que a engrenagem institucional tende a triturar quem não se adapta à sua lógica de procedimentos, atas, prazos e formalidades. Sei que, mesmo mantendo-me firme, lúcido e crítico, o processo em si é burocrático, pouco dialógico e estruturalmente distante da vida real do audiovisual que se faz nos territórios, nas bordas, nas urgências. O qu...
Começam hoje, 20 de janeiro , as inscrições para o FIM-ME — Festival Internacional de Filmes de Médias-Metragens , novo certame internacional dedicado exclusivamente a obras que habitam o tempo do meio do cinema: filmes com duração entre 26 e 50 minutos . O FIM-ME surge como resposta a uma ausência histórica no circuito contemporâneo. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às engrenagens industriais, a média-metragem foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. O festival nasce para reocupar esse espaço, afirmando a média-metragem como forma cinematográfica plena . Criado a partir das articulações construídas pelo FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté , o FIM-ME se estabelece como projeto autônomo , com identidade, calendário e processos próprios, sem interferir na culminância do festival-mãe. Desde a sua origem, o FIM-ME se constitui como uma articulação int...