A notícia que circula na imprensa, sugerindo que a Cargill “recuou” da construção de seu terminal portuário em Abaetetuba, soa como uma encenação mal roteirizada — e extremamente perigosa. Tal “recuo” não parte da empresa; parte da pena de um jornalista que, amparado apenas em suposições, tenta manipular a opinião pública e pressionar o poder público. A verdade é que a Cargill não desistiu. Ela segue onclusive com processos jurídicos em curso. A empresa não retirou a ação judicial que lhe permitiria rasgar, legal e simbolicamente, o território do PAE Santo Afonso na Ilha do Xingu, em pleno coração da Amazônia paraense. Trata-se de mais uma jogada estratégica que visa sensibilizar a sociedade a favor de uma gigante transnacional sob o véu do “progresso”. Mas progresso para quem? A quem interessa a narrativa de que a Cargill está “indo embora” do Pará? No exato momento em que Belém se prepara para sediar a COP30, evento internacional crucial para o futuro ambiental do planeta, a emp...
Estéticas de guerrilhas, poéticas da gambiarra e tecnologias do possível na Amazônia Paraense