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Mostrando postagens de março, 2026

A coragem de produzir pensamento onde historicamente se esperou apenas paisagem

Pensar cinema na Amazônia exige mais do que filmar: exige formular. Exige a coragem de produzir pensamento onde historicamente se esperou apenas paisagem. Exige enfrentar a ausência estrutural de crítica, a escassez de pesquisa sistemática, a negligência de políticas públicas, a desinformação sobre realidades complexas e a insistência em tratar a região como imagem exótica — nunca como sujeito. Nesse deserto de análises e proliferação de estigmas, os artigos que temos construído nos últimos anos tornam-se documentos estratégicos: não porque oferecem respostas definitivas, mas porque desorganizam hierarquias e inauguram perguntas que ainda não haviam sido feitas. A produção de conhecimento sobre cinema na Amazônia permanece concentrada em poucos nomes, poucos espaços, poucos esforços individuais, e justamente por isso cada texto escrito, cada reflexão publicada, cada artigo discutido se torna parte de um gesto político de sobrevivência. Pensar a Amazônia desde dentro, sob a perspectiva...