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Mostrando postagens com o rótulo poéticas das gambiarras

Tese anuncia novo marco no pensamento amazônida sobre cinema

A defesa da minha tese Kynema – Estéticas de Guerrilhas, Poéticas das Gambiarras, Tecnologias do Possível , realizada em 27 de março, no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará, não se reduz a um ato acadêmico. Ela condensa um percurso, torna visível um campo de forças, explicita um modo de pensar e fazer que venho construindo na travessia entre arte, cinema, território e ação cultural na Amazônia. Chego a esse momento a partir de uma trajetória em que produção intelectual, criação artística e intervenção sociocultural não se separam. Escrevo, filmo, performo, organizo, articulo — e é nesse entrelaçamento que a pesquisa se constitui. Um pensamento que não se coloca à distância do mundo, mas que se dá em presença, implicado nos contextos amazônidas, atravessado por suas tensões, suas urgências e suas potências. Ao mesmo tempo, esse percurso se expande em deslocamento. O estágio doutoral na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa i...

Notas para uma História Crítica do Cinema Periférico no Atlântico Paraense

A relação entre o FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté – e a Mostra Internacional de Cinema Negro (MICINE) não se sustenta em homenagens protocolares ou aproximações circunstanciais. O que une os dois projetos é uma orientação intelectual compartilhada: compreender o cinema como prática crítica, como forma de organização do pensamento político e como ferramenta de resistência estética diante das estruturas que historicamente tentam controlar os modos de ver e narrar o Brasil. A MICINE, sob a curadoria de Celso Luiz Prudente, consolidou a leitura de que a imagem negra é soberania – não resíduo folclórico, não tópico identitário, mas centro produtor de linguagem e conhecimento. Esse deslocamento do olhar, que reorganiza a história do cinema brasileiro, dialoga diretamente com o que temos desenvolvido no âmbito do FICCA: um campo emergente de reflexão sobre o cinema amazônida, especialmente aquele que nasce do Atlântico Paraense, território hoje reconhecido como Região do Cae...

Um longa de guerrilha na terra dos autoproclamados primeiros

Na terra onde todo mundo se arvora como “o primeiro” ou “a primeira”, sempre tentando apagar quem ousa aparecer no presente, é de se admirar que o longa-metragem paraense tenha renascido numa escola pública da Marambaia. Sim, na Escola Estadual Temístocles de Araújo, um professor de História chamado Sebastião Pereira resolveu desafiar não só a escassez de recursos, mas também a tentativa de apagamento: enquanto alguns repetiam que “desde Líbero Luxardo não houve nada”, ele fez. E fez do seu jeito, fiel a uma tradição de cinema de guerrilha, sem depender de holofotes ou patrocínios. O resultado foi Cabanos (BR, 2009, 60 min), sobre a Cabanagem, com 110 atores voluntários — alunos e ex-alunos — e gravações em Curuçá, Icoaraci, Mosqueiro, Cidade Velha e Ilha das Onças. O filme teve sua estreia oficial no histórico Cinema Olímpia, em Belém, consolidando a ousadia do projeto. Cabanos é mais que um filme: é resistência cultural em movimento, prova de que é possível fazer história na tela gra...