Há algo profundamente preocupante acontecendo no mercado editorial brasileiro. Multiplicam-se empresas que se apresentam como editoras, prometem visibilidade, reconhecimento e a realização do sonho de publicar um livro. Entretanto, por trás desse discurso sedutor, muitas operam segundo uma lógica simples: transformar autores em consumidores de serviços editoriais e em vendedores da própria empresa. A editora tradicional assumia riscos. Selecionava originais, investia em edição, projeto gráfico, impressão, divulgação e distribuição. Apostava na qualidade da obra e trabalhava para aproximá-la dos leitores. Seu retorno dependia da circulação dos livros e da construção de um catálogo consistente. Hoje, em muitos casos, essa lógica foi invertida. O leitor deixa de ser o centro do negócio. O autor passa a ocupar esse lugar. É ele quem financia a publicação, compra exemplares, mobiliza amigos e familiares, promove campanhas de pré-venda e garante antecipadamente a rentabilidade da operação. E...
Estéticas de guerrilhas, poéticas da gambiarra e tecnologias do possível na Amazônia Paraense