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Mostrando postagens com o rótulo poética da gambiarra

A coragem de produzir pensamento onde historicamente se esperou apenas paisagem

Pensar cinema na Amazônia exige mais do que filmar: exige formular. Exige a coragem de produzir pensamento onde historicamente se esperou apenas paisagem. Exige enfrentar a ausência estrutural de crítica, a escassez de pesquisa sistemática, a negligência de políticas públicas, a desinformação sobre realidades complexas e a insistência em tratar a região como imagem exótica — nunca como sujeito. Nesse deserto de análises e proliferação de estigmas, os artigos que temos construído nos últimos anos tornam-se documentos estratégicos: não porque oferecem respostas definitivas, mas porque desorganizam hierarquias e inauguram perguntas que ainda não haviam sido feitas. A produção de conhecimento sobre cinema na Amazônia permanece concentrada em poucos nomes, poucos espaços, poucos esforços individuais, e justamente por isso cada texto escrito, cada reflexão publicada, cada artigo discutido se torna parte de um gesto político de sobrevivência. Pensar a Amazônia desde dentro, sob a perspectiva...

Um longa de guerrilha na terra dos autoproclamados primeiros

Na terra onde todo mundo se arvora como “o primeiro” ou “a primeira”, sempre tentando apagar quem ousa aparecer no presente, é de se admirar que o longa-metragem paraense tenha renascido numa escola pública da Marambaia. Sim, na Escola Estadual Temístocles de Araújo, um professor de História chamado Sebastião Pereira resolveu desafiar não só a escassez de recursos, mas também a tentativa de apagamento: enquanto alguns repetiam que “desde Líbero Luxardo não houve nada”, ele fez. E fez do seu jeito, fiel a uma tradição de cinema de guerrilha, sem depender de holofotes ou patrocínios. O resultado foi Cabanos (BR, 2009, 60 min), sobre a Cabanagem, com 110 atores voluntários — alunos e ex-alunos — e gravações em Curuçá, Icoaraci, Mosqueiro, Cidade Velha e Ilha das Onças. O filme teve sua estreia oficial no histórico Cinema Olímpia, em Belém, consolidando a ousadia do projeto. Cabanos é mais que um filme: é resistência cultural em movimento, prova de que é possível fazer história na tela gra...