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Versos bandidos para a Décima TERÇA TRÍADE


Nós, os poetas, olhamos para as palavras como se nelas não se pudesse conter a essência das coisas, depois, limitamos a vida ao significado do verbo que não pronunciamos, no segredo desvelado, rebelamos a alma que não se orienta na pedra filosofal do entendimento, nós os poetas olhamos para o poema como se ele não existisse e por isso tornamo-lo absoluto, o que há de sublime no sentido é o que não percebemos, nós, os poetas não falamos com Deus porque já  nascemos no eterno, o que de nossa ãnima permanece é o símbolo do corpo, um caráter, um som, uma aliteração e mais qualquer coisa que não comunicamos com a poesia, nós, os poetas, sentimos o desconhecido como se já o compreendêssemos, pois temos a alma sem um conceito, somos vagas nebulosas, rastos estrelares, poeiras cósmicas, em nosso poetar.


© Carpinteiro

Porto, 1998


Assista e/ou ouça a declamação do poema pelo autor



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Verso Bandido


Era uma vez um verso bandido

Que se escondia na cólera dos deuses

E que não era verso 

Dos deuses que não eram deuses


É que os pássaros que passam por aqui

Também se repartem em passos por lá

Perdidos n’alma da crise

Do pulsar do broto viver


Viver como um verso

Que poderia ter sido

O ter de vir a ser

O seu zen

Sem pelo menos morrer

Talvez


Era uma vez um verso

E outra vez bandido

E a polícia perseguia a ambos

Com suas pseudo-inquietudes

De leis reis rainhas

Das ruas salas e becos

Prostitutos prostitutos


Era assim um verso e outra vez bandido

Pedaços de coisas que se chuta

E se respira no quotidiano aflito

De anjos e demónios


O que não era

O que não poderia ter sido

Como o olhar

O andar do paladar

O beijar a mão do homem

O andor da santa moral

Neopoética 

Profética 

Peripatética


Era uma vez um por do sol azul

E outro quase verde 

Lilás

Poesias á meia luz

Ao meio tom da cor de verão

Muito pequeno burguês

Nada bandido


Isaías 

Vamos chamar assim a esse personagem fictício

Chorava e ria e era poeta 

Não ísaías


© Carpinteiro

Belém do Pará, 1995

Assista e/ou ouça a declamação do poema pelo autor


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Trova Beneditina


Oh! Meu Santo Benedito!

Protegei teu povo aflito

Do desvio dos políticos.


Oh! Meu Santo Bendito!

Iluminai teus filhos sofridos

Para que eles vejam

A injustiça dos bandidos.


Oh! Meu Santo Protetor!

Dai força à resistência

Deste povo trabalhador

Que te louva com tanto amor.


Este povo pescador,

E este povo roceiro,

Que ara a terra o ano inteiro.

E te segue com fervor. 


Oh! Meu Santo Preto!

Clareai a cegueira dos brancos

Para que nunca mais

Humilhem os negros-santos.


Oh! Meu Santo Cozinheiro!

Dai terra a quem não tem

Nenhum vintém.


A quem não tem mais esperanças

Além das suas próprias andanças

Neste mundo de errâncias.


Oh! Meu Santo da Cura!

Fazei-me candura

Desde a semeadura

Para que a colheita

Seja farta de doçura.


Oh! Meu Santo Amado!

Fazei-me um navegador

Sem medo dos naufrágios.


Fazei-me aves

Por sobre todos os mares.


Oh! Meu Santo-Menino!

Fazei-me um peregrino

Das estradas e caminhos.


Oh! Meu Santo Bené!

Dizei-me se Maria e José

Abençoam a minha Fé!


Oh! Meu Santo Sagrado!

À noite, quando Rezo

Digo à Deus

Muito Obrigado!


E de manhã quando acordo

Sinto a vida renovada

Como uma grande revoada

De guarás em meus quintais


Ajuruteua nos meus sonhos

Me banha nesses encantos

Onde passeia meu espírito

Até os portais do infinito


Oh! Meu São Benedito.

Dizei-me uma só palavra

Para que meu poema

Tenha a marca da tua pena


E que a minha alma

Lavrada seja 

pela tua Paz.


Oh! Meu Santo Belo!

É tua a Luz que me conduz.

Tal qual um Preto Velho,

Exu e Menino Jesus.


Oh! Meu Santo do Caeté!

Que teu Rio me lave

E me torne leve

E ainda mais forte a minha fé.


© Carpinteiro

Bragança do Pará, 2017


Assista e/ou ouça a declamação do poema pelo autor



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Estes textos aqui reunidos constituem a décima sessão 
do Microprojeto TERÇA TRÍADE, 
pela via da qual publico três textos poéticos autorais neste espaço, sendo os vídeos disponibilizados no Canal do Carpinteiro

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