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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Atirar para todos os lados, disparar contra si próprio: a engrenagem e o ruído

 Aqui pensando sobre as eleições para o Conselho de Cultura, nesse movimento em que me aventuro como candidato do segmento audiovisual. Aventuro-me não por ilusão institucional, mas por fricção. Sou desses militantes que atiram para todos os lados e também disparam contra si próprios, porque não me interessa uma política cultural confortável, tampouco a posição de vítima esclarecida. Interesso-me pela política cultural audiovisual de forma desinteressada, se é que isso é possível: sem projeto pessoal de poder, mas mirando justamente esse poder centralizador, hierárquico, que tudo corrói quando não é tensionado. Entro sabendo que o risco é alto. Que a engrenagem institucional tende a triturar quem não se adapta à sua lógica de procedimentos, atas, prazos e formalidades. Sei que, mesmo mantendo-me firme, lúcido e crítico, o processo em si é burocrático, pouco dialógico e estruturalmente distante da vida real do audiovisual que se faz nos territórios, nas bordas, nas urgências. O qu...

FIM-ME abre inscrições para filmes de Médias-Metragens

Começam hoje, 20 de janeiro , as inscrições para o FIM-ME — Festival Internacional de Filmes de Médias-Metragens , novo certame internacional dedicado exclusivamente a obras que habitam o tempo do meio do cinema: filmes com duração entre 26 e 50 minutos . O FIM-ME surge como resposta a uma ausência histórica no circuito contemporâneo. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às engrenagens industriais, a média-metragem foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. O festival nasce para reocupar esse espaço, afirmando a média-metragem como forma cinematográfica plena . Criado a partir das articulações construídas pelo FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté , o FIM-ME se estabelece como projeto autônomo , com identidade, calendário e processos próprios, sem interferir na culminância do festival-mãe. Desde a sua origem, o FIM-ME se constitui como uma articulação int...

CINEMA, REPRESENTAÇÃO CULTURAL E LUTA DE CLASSES NA AMAZÔNIA PARAENSE

Eu falo a partir da Amazônia paraense. Falo a partir do deslocamento contínuo entre territórios, comunidades, rios, escolas, periferias, aldeias, salas improvisadas de cinema e espaços institucionais que raramente compreendem o chão que pisam. Não falo desde um ponto fixo. Falo em movimento. Esse movimento não é figura de linguagem. É condição de existência. O corpo aprende antes da palavra. O olhar aprende antes do conceito. O cinema que faço nasce desse aprendizado lento, feito de retorno, de repetição, de presença insistente. O território não se entrega inteiro a quem passa. Ele exige tempo. Exige escuta. Exige permanência. Exige que a gente aceite não entender tudo de imediato. É desse lugar que penso a representação cultural. E eu nunca sei exatamente por onde começar quando o assunto é representação. Não porque falte tema, mas porque ele sobra. Ele chega carregado de ruído, de expectativa, de disputa, de gente falando em nome de outras gentes, de lugares falando por outros lugare...