Ouço "Om Gam Ganapataye Namaha Sharanan Ganesha". E me deixo ir por sobre uma espécie de névoa que encobre os telhados dos pequenos prédios do Marquês. Enquanto isso, um pequeno grão de areia desenha no ar um poema de alma infinita. Da janela de meu quarto, vejo o Porto amanhecer da mesma forma que anoiteceu e madrugou: chuva, entre 15º e 18º. Minha cama sente a falta do corpo de meu filho, com quem adormeci estes últimos quinze dias em que ele cá esteve. Algures, na Alemanha, agora, ele pedala em direção à sua escola, há cerca de 6 quilômetros de sua casa, numa pequena aldeia da Baixa Saxônia. Com este tempo lacrimoso, contenho o mar de meu coração, para que ele não inunde de todo a vida que afinal de contas precisa respirar fundo. E seguir adiante... (Porto, 15/10/2018). Ganapataye!
Este festival nasce de uma ausência concreta no circuito contemporâneo: a média‑metragem — forma cinematográfica historicamente fértil, decisiva para o ensaio, para o cinema‑pensamento e para a maturação de linguagem — foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às pressões industriais, a média‑metragem tornou‑se um território órfão — justamente quando o cinema precisa de tempo para escutar, tempo para experimentar e tempo para elaborar. O FIM.ME afirma a média‑metragem como cinema pleno: campo de elaboração estética, política e poética. Não é um festival temático, nem um festival de nicho. É um festival de forma, linguagem e gesto cinematográfico, orientado por um compromisso ético com um cinema humanista, socialmente engajado e esteticamente rigoroso. O FIM.ME nasce das articulações realizadas através do FICCA – Festival ...


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