Na Biennale di Venezia, o pavilhão de Israel virou foco de protestos por causa da guerra em Gaza, das denúncias internacionais contra o Estado israelense e das pressões de artistas, curadores e movimentos culturais que defendem boicote institucional. Parte significativa desse circuito, entretanto, pertence historicamente à burguesia e à pequena burguesia cultural internacional, integrada aos mercados de arte, às universidades, às fundações, aos bancos e aos próprios mecanismos de prestígio do capitalismo global, muitas vezes sem trajetória concreta de militância contínua junto aos povos historicamente massacrados pelo colonialismo e pelo imperialismo. Houve mesmo pedidos de fechamento do pavilhão e manifestações que interromperam temporariamente atividades ligadas à representação israelense. Mas a crítica não pode parar apenas em Israel como exceção moral dentro de um sistema cultural que sempre esteve articulado ao capital internacional, às elites europeias e aos interesses geopo...
Estéticas de guerrilhas, poéticas da gambiarra e tecnologias do possível na Amazônia Paraense