Há pessoas que mal olho e logo quero beijá-las. E outras que eu desejo mas nem as vejo. Há pessoas cegas, e eu, Tirésias. Pessoas para as quais eu nem dirijo o meu olhar, e delas sinto o sentimento que lhes move escapar. Conheço pessoas que andam para todos os lugares mas que são parasitas, na verdade. E andarilhos, que nunca foram a lugar nenhum. Há nômadas demasiados nesta Babilônia. Gentes que se deslocam nas sombras de seus universos paralelos. Mas há passantes que são como o Sol, com a sua Luz radiante, a arrastar os planetas. E transeuntes a cair nos buracos obscuros. Estrelas, que de manhã acendem e não se apagam, no crepúsculo. Corpos que se afetam com efêmeras estéticas. Espíritos lunares, tempestuosos mares, e naus, à deriva. Há poetas errantes e solitários amantes. E silêncios, que ecoam em cavernas primevas. Figuras rupestres, pixos. Bichos domésticos, seres huma...
Estéticas de guerrilhas, poéticas da gambiarra e tecnologias do possível na Amazônia Paraense