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Mostrando postagens com o rótulo Crônicas

O poeta e os cães

  Uma vez um poeta me disse que preferia dar-se de comer aos cães, já que os cães haveriam mesmo de comê-lo, e que se isso acontecesse, ele preferia escolher as partes de suas carnes para oferecer aos cães, assim, ele, poderia se sentir superior aos cães, ao ser por estes devorado, então, disse-lhe, poeta, tu, poeta, e nisso estamos todos de acordo, és magnífico, entretanto, a tua visão de mundo é das mais covardes que eu conheço, porque, ao contrário de ti, cuja sabedoria está em pensar e criar mecanismos de engano a certos tipos de cães com os quais convives, digo-te que a tua sabedoria não tem nada de inteligente, e nem de ingênua, a pensar que os cães se deixariam lograr pelos pedaços que os oferecerias, até porque os cães não haveriam apenas de te roer os ossos, digo-te que eu não escolho nem os bons nem os maus pedaços de minha carne podre para ofertar aos cães, antes, prefiro enfrentá-los, lutar contra eles, e ainda que eles me devorem, não os ajudarei a mastigar-me a carn...

O abraço

Estava numa reunião do SEBRAE em Belém para a qual fora convocado junto com outros realizadores e produtores de cinema, sendo o motivo da sessão a apresentação de um furgão com equipamentos cinematográficos para apoiar esta arte na Amazônia, entretanto, o material seria alugado e não cedido, o que me deixou estarrecido mas não frustrado porque já estava vacinado para esse tipo de práticas do SEBRAE, que escolhe a quem apoiar a partir dos indicados pelos influenciados políticos articulados aos empresários, pelo que na ocasião procurei a assessoria de imprensa da Instituição para lhes colocar diversas demandas com o interesse de escrever uma reportagem-denúncia, tipo: quanto de recurso o SEBRAE recebe e quanto investe no cinema da Região e de que formas, se por editais ou financiamento direto, por quais critérios (há, pois que abrir a "caixa preta"), etc. Saí da reunião à francesa quando encontro-me na Marambaia, com a roupa do corpo (uma bermuda, um tênis e uma camisa branca...

Um único verso, simples, como um sopro, passageiro, passarinho

Um único verso, simples, como um sopro, passageiro, passarinho   Por muitas vezes quero falar de uma coisa e me sai outra, e estes pensamentos que me escapam, na verdade, apesar de se parecerem inteligíveis, não os compreendo, por não saber expressá-los, apesar de senti-los. Isso não me traz nenhum estado de angústia, entretanto, mesmo sem sofrer, eu sinto que seriam preciosas estas revelações que se ocultam de alguma forma dentro de minha alma como uma matéria bruta do meu pensamento e de minha poesia. Por não traduzir estes pensamentos e estes sentimentos, esforço-me por decodificá-los, criando signos que os representem, e pela via dos quais, eu possa enfim dizer o que eu quero dizer, mas, não o consigo. Por vezes, como agora, sou tomado por este impulso de escrever sobre este acontecimento, que em verdade é um processo dentro do qual eu afundo e que toma de fato muito tempo de meu pensamento, e de minhas indagações. Este momento-processo que se estende além de meu sentimento, e ...