Eu defendo, divulgo e pratico o que conceituo artisticamente como "atentados culturais".
Atentados culturais podem ser ações performáticas políticas de impacto social que não se limitam à tentativa de reversão de um quadro excludente, mas sobretudo à demarcação de um campo de resistência artística e consciência social.
São gestos incisivos que expandem a percepção sobre os fatos, provocam deslocamentos sensíveis e desafiam os processos e políticas públicas que excluem, marginalizam e violentam criadores e fazedores de cultura.
Nesses atos, não há tutela nem moderação institucional.
Eles se inscrevem na radicalidade do efêmero e no improviso tático, sustentados por uma lógica libertária, subjetiva e insurgente.
Sua força está na autonomia e na imprevisibilidade: acontecem de forma breve e eventual, podendo emergir isoladamente ou em simultâneo, espalhando-se como rastros nômades pelo território e pela cidade, em deslocamentos e errâncias que reconfiguram a própria política.
Atentar contra a indiferença é instaurar presença.
Esses atos não pedem licença nem aguardam convites; são brechas abertas à força no concreto das convenções, são fissuras onde a arte e a política se entrelaçam para expandir o espaço do dissenso.
O teatro da rua, o poema na pele, o manifesto na dança, a música que interrompe a marcha cotidiana, o corpo que ocupa e tensiona espaços proibidos, tudo isso compõe um vocabulário das estéticas de guerrilhas que reinventam novos modos de luta e de existência.
São ações nômades, mas não errantes; móveis, mas não dispersas.
Elas não pretendem agradar nem convencer, mas agregar e reunir atores sociais, mobilizar apoios, construir alianças nas dobras do inesperado.
Sua arena não é um palco fixo, mas os interstícios da vida comum, onde a arte se instaura no exato momento de sua insurgência.
O instante em que se faz gesto, corpo, voz e acontecimento.
O atentado cultural ocorre quando o ser demarca seu próprio território e tem consicência de sua ancestralidade no interior de um processo histórico.
Ao menos no meu deserto, esta é a minha práxis.
Carpinteiro de Poesia
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