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Postagens

Portfólio - Alba, uma poética de afetos e memórias

Estas imagens me remetem aos períodos mais intensos de minha produção cinematográfica, particularmente, a produção, e o lançamento do filme que eu rodei com o poeta Sebastião Alba, em Braga, e Torre Dona Chama, Portugal. Há cerca de 20 anos, eu o conheci e com ele desfrutei de agrados diálogos, alguns dos quais revelados em “Um poeta não se pega”, filme que pode ser visto no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=x9Hd3c-UTX4&t=472s).

Saudação ao poeta português Sebastião Alba

Dinis Albano Carneiro Gonçalvez fez-se nome para homenagear à mãe, Sebastiana, e ao pai, Albano. Aos 21 anos, sem nenhuma razão especial, começou a escrever poesias, mas não gostava de falar de literatura. A sua obra está para além das materialidades. Diniz não era homem feito só de barro. Havia nele outras natureza. E divindades. Sebastião Alba morreu como indigente, atropelado, em 14 de Outubro de 2000, na cidade de Braga, onde nasceu, em Portugal. Fiz-lhe, então, um filme-saudação, para o homenagear, e também a todos os poetas que matam o corpo para libertar o espírito. A obra se chamava “Filme do Desassossego” e depois ganhou o nome de “Um poeta não se pega”, pinçado à uma das falas do próprio Alba. Entrevistei-o em Braga, e depois de sua morte, visitei sua campa, em Torre Dona Chama. Os encontros que mantivemos durante as rodagens do filme amadureceram um ligeira amizade. Por estes dias de outubro, recordo com carinho aqueles momentos, majestosos.   © Francisco Weyl FOTO ©...

De volta à Luzitânia

Estive dedicado ao meu filho Rudá, que veio da Alemanha, especialmente para me visitar, razão pela qual havia suspendido minhas postagens no blog LUZITÂNIAS. Com seu retorno – e o fim das férias outonais – reabraço este projeto, aqui deixando a mensagem que escrevi ao Rudá e que revela a ponta do iceberg que é este amor entre pai e filho: "Meu velhinho com jeito de menino retornou à Alemanha. Levou consigo um coração despedaçado pela saudade. E uma ternura que transmuta as lágrimas em esperança e generosidade. Quatro anos sem nos ver, com a certeza de que os sonhos são como um portal sagrado que apenas os loucos e poetas o atravessam. Não precisamos de falas, nem de silêncios. Nem gritos, nem ruídos. Deixamos o sol nascer e a flor brotar pela sua própria natureza. A estrela que brilha é a mesma que apaga. E o Universo é bondoso com nossa experiência neste amável planeta. O lugar de sua memória é o Amor que nutrimos uns pelos outros. O corpo e o espírito se atravessam nesta sucess...

O Sério é essência

O Mestre de Cinema da Escola do Porto é ao mesmo tempo um poeta e um filósofo com um tipo de humanidade que lhe transcende a alma. Se eu fosse escrever  tudo oque deve ser escrito sobre o Sério Fernandes eu precisaria de diversas encarnação apenas para me dedicar a esta função, sem, entretanto, viver a minha própria vida. Lembro do primeiro dia que o vi, em 1998, no Ateneu do Porto, quando na altura o Cineclube do Porto realizou uma Mostra do Cinema Africano dedicado a Glauber Rocha, evento que me conectou com os amigos mais sagrados que eu tenho em Portugal. O Sério não era uma pessoa, mas um símbolo. E este símbolo se traduziu num ser humano, um amigo, que foi até o Brasil me ajudar a fundar o Cineclube Amazonas Douro, em 2003, e, depois, em Cabo Verde, em 2006, quando eu ali habitava. Estes movimentos consolidaram a nossa relação. Eu o escrevi algumas vezes e inspirei-me em seus ensinamentos para escrever meus textos sobre as Teorias dos Magníficos Quadros Artísticos Cinematográ...

O Exército da Ana Tinoco

Semana passada fui visitar a exposição “Exército” de minha amiga Ana Tinoco. Ana é poeta, escritora, realizadora, e artista plástica. Formamos juntos na Escola Superior Artística do Porto, ESAP, há 17 anos, e mantemos nossa amizade há 20 anos. Não posso dizer que a vi amadurecer mas mesmo no período em que não morei no Porto consegui acompanhar o seu trabalho. Do digital, ela foi para o Super-8 milímetros, depois, para o 16 MM, sempre com uma cinematografia de base radical e artística, experimental, em que revela seus diversos mundos, que faz questão de não os manter aprisionados ao seu próprio Ser. Ana vem de uma geração de pessoas que se lança ao mundo como quem se jogo ao abismo, ela se entrega às coisas que cria. Seus filmes são marcas de sua natureza, em que o seu corpo se põe à deriva e sua carne se sacrifica. Ela também é atriz de diversos filmes da Escola do Porto, inclusive meus, que cheguei a escrever-lhe uma trilogia. Sua obra escrita tem a densidade de um Samuel Bekett, pe...