Pular para o conteúdo principal

A noite dos meteoros, o Dia da Sobrecarga da Terra e a lição que os céus não precisaram anunciar.

A passagem da noite de 31 de julho para 1º de agosto de 2026 foi marcada pelas chuvas de meteoros Delta Aquáridas do Sul e Alfa Capricornídeas, E me demandei se isso seria um sinal celestial do que ocorreu no dia 30 de Julho, o Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day), data em que a humanidade passa a consumir mais recursos naturais do que o planeta consegue regenerar ao longo de um ano. Apesar da Lua quase cheia ter reduzido minha visibilidade na madrugada em que passeio meus cães, observei dezenas de meteoros, enquanto pensava que a coincidência de datas não significa que um fenômeno provoque ou anuncie o outro. Entretanto, sabemos que diferentes civilizações sempre olharam para o céu como um espelho da vida na Terra. E eu, que me guio pelas estrelas, Mas, talvez a maior inversão seja esta: durante milênios, buscávamos nos céus sinais sobre o destino humano. Agora, o sinal mais evidente está na própria Terra. Enquanto meteoros riscam o céu por alguns segundos, a humanidade tem o desafio de aprender a viver dentro dos limites ecológicos de um planeta finito.

CARPINTEIRO



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FIM.ME — Festival Internacional de Filmes de Médias‑Metragens

Este festival nasce de uma ausência concreta no circuito contemporâneo: a média‑metragem — forma cinematográfica historicamente fértil, decisiva para o ensaio, para o cinema‑pensamento e para a maturação de linguagem — foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às pressões industriais, a média‑metragem tornou‑se um território órfão — justamente quando o cinema precisa de tempo para escutar, tempo para experimentar e tempo para elaborar. O FIM.ME afirma a média‑metragem como cinema pleno: campo de elaboração estética, política e poética. Não é um festival temático, nem um festival de nicho. É um festival de forma, linguagem e gesto cinematográfico, orientado por um compromisso ético com um cinema humanista, socialmente engajado e esteticamente rigoroso. O FIM.ME nasce das articulações realizadas através do FICCA – Festival ...

Bragança: a volta do Cavalo de Troia - Por Carpinteiro de Poesia

Entre a poesia das ruas de Bragança e o pulsar da juventude carnavalesca, o bloco Cavalo de Troia anuncia seu retorno. Ausente desde o início da pandemia, o grupo se reorganiza para voltar à avenida com força total, prometendo até 2.000 abadás e a mesma espontaneidade que marcou seus primeiros carnavais. O Cavalo de Troia é um dos blocos mais irreverentes do carnaval. Inspirados na história grega, eles construíram um enorme cavalo de madeira que, em vez de esconder soldados, vinha recheado de cajuaçi, que é uma bebida tradicional de Bragança. A bebida era distribuída pela traseira da estrutura enquanto os foliões, vestidos de espartanos, empurravam o cavalo pelas ruas. A criatividade do bloco chamou atenção da cidade, ganhou repercussão na mídia e se tornou um destaque do carnaval bragantino, unindo sátira, cultura popular e muita brincadeira. Raízes na Juventude, Entre Amizades e Fantasias - A história do Cavalo de Troia começou como uma brincadeira entre amigos do bairro da Aldeia. E...

Notas para uma História Crítica do Cinema Periférico no Atlântico Paraense

A relação entre o FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté – e a Mostra Internacional de Cinema Negro (MICINE) não se sustenta em homenagens protocolares ou aproximações circunstanciais. O que une os dois projetos é uma orientação intelectual compartilhada: compreender o cinema como prática crítica, como forma de organização do pensamento político e como ferramenta de resistência estética diante das estruturas que historicamente tentam controlar os modos de ver e narrar o Brasil. A MICINE, sob a curadoria de Celso Luiz Prudente, consolidou a leitura de que a imagem negra é soberania – não resíduo folclórico, não tópico identitário, mas centro produtor de linguagem e conhecimento. Esse deslocamento do olhar, que reorganiza a história do cinema brasileiro, dialoga diretamente com o que temos desenvolvido no âmbito do FICCA: um campo emergente de reflexão sobre o cinema amazônida, especialmente aquele que nasce do Atlântico Paraense, território hoje reconhecido como Região do Cae...