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COMUNIDADE BUÇU REALIZA OFICINA DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL QUE ARTICULA MEMÓRIA, ARQUEOLOGIA E IDENTIDADE CULTURAL AMAZÔNICA

Projeto coordenado pela UFPA e desenvolvido em parceria com o IPHAN reúne estudantes, educadores e pesquisadores em torno da valorização do patrimônio cultural local


A Comunidade Buçu, situada na zona rural de Augusto Corrêa, no nordeste paraense, será palco, no próximo dia 18 de junho, de uma importante experiência de educação patrimonial voltada ao fortalecimento da memória coletiva, dos saberes tradicionais e das referências culturais que constituem a identidade do território.


A Oficina de Educação Patrimonial “Mapas Afetivos – Patrimônio Cultural na Comunidade Buçu” integra o projeto “Popularizando a Ciência: Produção de Material Educativo Intercultural”, coordenado pelas professoras doutoras Roberta Sá Leitão Barboza e Norma Cristina Vieira Costa, da Universidade Federal do Pará (UFPA), ação incentivada pelo Iphan, no âmbito da Incubadora de Projetos de Educação Parimonial (COGEDU\DAFE). Assim, a iniciativa reúne a UFPA, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Prefeitura de Augusto Corrêa, por meio da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria Municipal de Planejamento, Desenvolvimento Econômico e Turismo, além de escolas, educadores e lideranças comunitárias da região.


A programação acontecerá na Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Maria Fernandes, na Comunidade Buçuzinho, envolvendo aproximadamente 150 estudantes do Ensino Fundamental Maior em atividades desenvolvidas ao longo de todo o dia.


Inspirada nas diretrizes nacionais da Educação Patrimonial e nos princípios dos inventários participativos das referências culturais do Iphan, a oficina promoverá uma experiência coletiva de reconhecimento do território por meio da construção de mapas afetivos. A metodologia convida crianças e adolescentes a representar os espaços, paisagens, memórias, práticas culturais e referências simbólicas que fazem parte da vida cotidiana da comunidade.


Os mapas serão elaborados a partir das percepções dos próprios estudantes sobre lugares de convivência, trabalho, celebração, espiritualidade, lazer e produção cultural e mestras e mestres detentores de saberes da Comunidade. Elementos como o Rio, as roças e lavouras, as matas e capoeirões, as casas da farinha, a Igreja da Nossa Senhora da Divina Providência, a Unidade Básica de Saúde, o campo de futebol, os espaços de pesca, as festas tradicionais e as áreas de circulação comunitária integrarão esse grande exercício de cartografia afetiva e patrimonial.


A proposta busca registrar e valorizar os vínculos que conectam os moradores ao território, fortalecendo sentimentos de pertencimento, reconhecimento cultural e responsabilidade compartilhada pela preservação das referências locais.


Danilo Asp conduz oficina sobre patrimônio e arqueologia comunitária


A oficina será conduzida por Danilo Gustavo Silveira Asp, técnico\analista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN (Brasília\DF), historiador, educador patrimonial, documentarista e fotógrafo, profissional reconhecido por sua atuação em projetos voltados à arqueologia pública, à educação patrimonial e à valorização das memórias comunitárias na Amazônia.


Asp desenvolve pesquisas relacionadas à Comunidade Buçu há vários anos e é autor do estudo “Cacos da Memória: bricolagem intercultural na Comunidade Buçu (Augusto Corrêa/PA, Amazônia Oriental)”, publicado na Revista História Oral. Seu trabalho tem contribuído para ampliar a compreensão sobre as relações entre patrimônio arqueológico, memória social e identidade cultural no litoral amazônico.


Parceiro de iniciativas culturais realizadas na região do Caeté, entre elas atividades ligadas ao Festival Internacional de Cinema do Caeté (FICCA), Danilo Asp reúne em sua trajetória acadêmica e profissional experiências que articulam pesquisa científica, documentação audiovisual, patrimônio cultural e participação comunitária.


Durante a oficina, o pesquisador compartilhará com estudantes e moradores informações sobre os artefatos arqueológicos encontrados no Buçu em 2018, apresentando os resultados das análises técnicas e os significados históricos desses vestígios para a compreensão da trajetória humana na região.


A atividade contribuirá para consolidar o reconhecimento do Sítio Arqueológico Buçu como referência integrante da memória coletiva local e como patrimônio cultural de interesse das atuais e futuras gerações.


Ciência, educação e território


A oficina também abordará temas relacionados ao patrimônio cultural, às mudanças climáticas, à museologia comunitária e à história social da natureza, promovendo diálogos entre conhecimento científico e saberes construídos pelas populações amazônicas ao longo do tempo.


As atividades incluirão o uso de materiais presentes no próprio ambiente local, como sementes, folhas, gravetos, areia, barro e outros elementos da paisagem, estimulando processos criativos conectados à realidade da comunidade.


Os mapas produzidos pelos estudantes servirão de base para a elaboração de materiais educativos interculturais, incluindo cartilhas e recursos pedagógicos destinados às escolas e aos moradores da região.


Entre os convidados que acompanharão a programação estão o pesquisador, jornalista e realizador audiovisual Francisco Weyl, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará (PPGARTES/UFPA), e o professor, historiador e realizador cultural José Carlos Barroso, da Escola Municipal Lauro Barbosa dos Santos Cordeiro, na comunidade de Patal.


A participação dos convidados amplia o intercâmbio de experiências entre diferentes iniciativas educacionais e culturais do município, fortalecendo redes de colaboração voltadas à memória social, ao patrimônio cultural e às práticas comunitárias de ensino e aprendizagem.


Ao reunir universidade, escola, comunidade, pesquisadores e gestores públicos, a Oficina “Mapas Afetivos – Patrimônio Cultural na Comunidade Buçu” reafirma o patrimônio cultural como uma dimensão viva do cotidiano amazônico, presente nos saberes, nas paisagens, nas histórias compartilhadas e nos vínculos que unem as pessoas aos seus territórios.


No Buçu, a memória ganha forma em desenhos, narrativas e mapas. O território transforma-se em espaço de aprendizagem. E a cultura revela sua potência como caminho de conhecimento, pertencimento e futuro.


CARPINTEIRO DE POESIA

Fonte: Danilo Gustavo Asp




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