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Artesania Tracuateuara amplia circulação internacional com versões em espanhol e alemão

O curta-documentário Artesania Tracuateuara entra numa nova etapa de circulação internacional. O realizador, pesquisador e escritor Francisco Weyl — Carpinteiro de Poesia — concluiu a tradução e legendagem da obra para os idiomas espanhol e alemão, ampliando as possibilidades de exibição do filme em mostras, festivais, universidades, cineclubes, plataformas culturais e circuitos audiovisuais internacionais.


Resultado de vários anos de trabalho, pesquisa, convivência, amizade e criação compartilhada entre Francisco Weyl, Danilo Gustavo Asp e José Maria Gomes — Tigrita —, o documentário emerge de uma longa trajetória de atuação intelectual, artística, comunitária e cultural no território amazônico do Caeté.


O projeto começou a consolidar-se durante o período em que Francisco Weyl realizava doutoramento sanduíche em Portugal, junto à Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa (ESTC/IPL), no âmbito de sua pesquisa vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará (PPGARTES/UFPA), etapa marcada por intensa produção acadêmica, artística e audiovisual.


Foi nesse contexto transatlântico que surgiu a provocação de reunir materiais produzidos ao longo de anos por Francisco Weyl, Danilo Gustavo Asp e Tigrita: fotografias, registros etnográficos, vídeos, filmagens, memórias visuais e arquivos documentais construídos em diferentes tempos, pesquisas e experiências junto a comunidades quilombolas da região.


Tigrita, liderança comunitária e filho da mestra ceramista Maria José Gomes dos Reis, inscreve no documentário a dimensão vivida do Quilombo do Torre, em Tracuateua, Pará. Danilo Gustavo Asp — atualmente pesquisador do IPHAN — desenvolveu, ao longo de sua trajetória, pesquisas e ações culturais junto a comunidades quilombolas do território do Caeté, entre elas Torre, Jurussaca e Cigano.


Francisco Weyl, Danilo Gustavo Asp e Hilton Costa integram, por sua vez, um campo consolidado de pesquisa sobre cultura, patrimônio, audiovisual, memória e territorialidades amazônicas, com diversos artigos publicados sobre produção cultural, cinema e dinâmicas simbólicas da região bragantina e do Caeté.


Esse percurso dialoga diretamente com a experiência do FICCA — Festival Internacional de Cinema do Caeté — dedicado à formação cultural, ao cinema comunitário, à criação audiovisual territorializada e à construção de redes entre arte, educação, pesquisa e comunidades.


Reunindo materiais produzidos em períodos distintos, Francisco Weyl organizou, do outro lado do Atlântico, fotografias, vídeos, registros etnográficos e arquivos audiovisuais diversos numa mesma linha de montagem. Dessa convergência nasceu Artesania Tracuateuara, documentário realizado por Francisco Weyl, Tigrita e Danilo Gustavo Asp.


A obra constitui uma homenagem cinematográfica à mestra ceramista, agricultora familiar e guardiã de saberes ancestrais Maria José Gomes dos Reis, figura central da tradição ceramista do Quilombo do Torre.


O filme dialoga diretamente com o ensaio acadêmico “A Arte Ceramista da Comunidade do Torre: Saberes Ancestrais (Tracuateua-PA)”, publicado por Francisco Weyl e Danilo Gustavo Asp, fruto de registros etnofotográficos realizados entre 2014 e 2018 no terreiro, na casa e no atelier doméstico de Dona Maria.


As pesquisas e imagens produzidas ao longo desse percurso revelam um patrimônio cultural matrilinear sustentado por técnicas ancestrais de modelagem cerâmica, transmissão oral de conhecimentos, agricultura familiar, cosmologias de longa duração e saberes reprocessados através das experiências indígenas e africanas na Amazônia.


No documentário, Francisco Weyl responde pela narração, montagem e desenho estrutural da obra. A trilha sonora original é assinada pelo músico alemão BKILI, reforçando a dimensão intercultural do projeto.


Artesania Tracuateuara estreou em 24 de janeiro de 2025, durante o X FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté, realizado na Livraria Gato Vadio, na cidade do Porto, Portugal. Em 2023, o festival já havia reconhecido o trabalho de Dona Maria José Gomes dos Reis com o Prêmio Mérito Cultural.


Agora, com versões legendadas em espanhol e alemão, o curta amplia seu alcance internacional, levando a novos públicos uma experiência cinematográfica construída entre pesquisa, quilombo, arte ceramista, memória, patrimônio, cinema amazônico e resistência cultural.


O público pode acessar o filme, conhecer o projeto e acompanhar esse percurso audiovisual que conecta Amazônia, Portugal, pesquisa acadêmica, criação comunitária e circulação internacional do cinema independente.


ASSISTA AO FILME:

https://youtu.be/acfVkkWDceU


Carpinteiro de Poesia





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