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“De onde nasce essa poética?” Francisco Weyl integra a avaliação da 5ª edição da Lampiar

A leitura dos trabalhos da 5ª edição da Revista Acadêmica Lampiar começou [3 de outubro]. Depois do encerramento das submissões, que receberam mais de 100 trabalhos, inicia-se o período de avaliação do Conselho Editorial, previsto para seguir até 22 de outubro. A publicação está prevista para dezembro.

Francisco Weyl integra o Conselho Editorial como avaliador da Linha 4 — Justiça, Sociedade e Representações Artísticas. Sua leitura se volta às produções artísticas textuais: crônicas, poesias, poemas, contos e microcontos. A participação dá continuidade ao trabalho realizado na edição anterior. Na carta-convite, a equipe editorial reconhece a contribuição de Weyl à 4ª edição e o chama novamente para colaborar com a revista.

O modo como ele chega a essa tarefa começa antes da leitura de cada trabalho. “A gente leva para a avaliação todo o trabalho de construção da crítica que nós trazemos dentro do nosso próprio percurso, dentro da nossa própria trajetória, da nossa própria... trabalho, desde antes da academia, fora dela e paralelamente a ela”, diz Weyl. A frase guarda a hesitação e o movimento de quem procura nomear uma experiência que não cabe num único lugar: a crítica se constrói na academia e também fora dela, no percurso de vida, trabalho e criação.

Esse percurso tem uma geografia própria. Francisco Weyl, o Carpinteiro de Poesia, é artista, pesquisador, escritor e realizador audiovisual amazônida. Sua atuação reúne poesia, cinema, formação audiovisual, memória, edição e articulação cultural. Criador do Festival Internacional de Cinema do Caeté, o FICCA, trabalha há anos entre territórios, linguagens e formas coletivas de produzir conhecimento.

Ao explicar como lê os trabalhos, Weyl fala primeiro do rigor e das regras: “Essa responsabilidade acadêmica do rigor científico é o passo a passo de um artigo, as suas regras técnicas exigidas. Isso é apenas um engradado que nós colocamos nos artigos tecnicamente.” O engradado dá forma ao texto. A leitura, porém, continua. “Então, é a partir daí, é desse desdobramento que vai nos interessar o conteúdo.”

É nesse ponto que aparecem as perguntas que movem sua avaliação: “De onde nasce essa poética? Essa poética é produzida por quem?” E ele prossegue: “Essa reflexão crítica, ela tem uma pedagogia, ela tem uma metodologia, ela dialoga com referenciais teóricos, ela apresenta provocações.” A sequência, com suas retomadas, acompanha o próprio pensamento de Weyl: olhar para a forma e seguir até aquilo que a produção elabora, convoca e põe em circulação.

“Para além dessa exigência meramente técnica do enquadramento do que pode um artigo, do que pode uma opinião”, Weyl observa que interessa compreender a razão de uma reflexão, sua raiz, sua profundidade e sua aplicabilidade. Interessa saber se ela impacta e como se relaciona “com o locus sobre o qual, a partir do qual, com o qual ela foi produzida”. O lugar, nessa leitura, participa da obra: atravessa o que se diz e as formas escolhidas para dizer.

A Linha 4 permite que as produções artísticas dialoguem com qualquer uma das linhas da revista. Abre, assim, passagens entre criação, conflitos sociais e territoriais; identidades, vozes e memórias historicamente invisibilizadas; soberania digital, meio ambiente e qualidade de vida em tempos de policrise; e justiça, sociedade e representação artística. A 5ª edição reúne essas linhas sob o tema “Narrativas do Sul Global: por uma Ciência de Nós e por Nós”.

A Lampiar é um periódico anual e um projeto de extensão de iniciativa estudantil sediado na Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, em Mossoró. Sua primeira edição, publicada em 2022, reuniu 31 trabalhos entre artigos, resenhas e produções artísticas. O portal da revista informa o ISSN 2764-9970 e a classificação Qualis B1 no quadriênio 2021–2024.

A avaliação é duplo-cega, e o trabalho pede sigilo, respeito às autorias e compromisso com o prazo. Para Weyl, também pede cuidado com a própria experiência: “Não posso usar o meu trajeto como uma lupa ou como mais um engradado.” A responsabilidade é voluntária, mas chega carregada de vontade e dignidade. “É um desafio que a gente aceita com muita responsa e com muita vontade.”

Francisco Weyl
Carpinteiro de Poesia
Conselho Editorial — avaliador da Linha



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