Glauber Rocha atravessa a minha vida como atravessa o cinema, com esta força estranha das coisas que pertencem ao tempo porque vivem dentro dele mas que o tempo não consegue possuir, e talvez tenha sido esta a primeira coisa que compreendi quando comecei a escrever sobre Glauber, que Glauber Rocha não está preso a tempo nenhum, que sua poética e sua estética cinematográficas eram dotadas de orientação ideológica mas não datadas, diferença essencial para quem compreende que a cultura pode ser datada mas a arte não, porque a arte alimenta-se das matérias culturais e simultaneamente escapa delas, avança sobre seus próprios cadáveres, destrói os nomes que inventamos para aprisioná-la e reaparece onde menos esperamos, razão pela qual nunca consegui aceitar Glauber simplesmente como um cineasta do Cinema Novo, encerrado numa década, numa escola, num movimento, numa cinematografia nacional, porque Glauber é uma força artística brasileira que atravessa a História para devolver ao homem a sua c...
Estéticas de guerrilhas, poéticas da gambiarra e tecnologias do possível na Amazônia Paraense