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CRÔNICAS BRAGANTINAS: Os poemas molhados da Tia Cirene Guedes

                   As férias em Bragança eram uma alegria, estranha. Eu a dividia entre dois espaços, a casa da Mãe Quinha e do Pai Bento, e a casa do Padrinho e da Vovó. Bento e Maroquinha eram pais do Zenito, meu pai José. E Padrinho Odorico e a Vó Augusta haviam criado Zinha, minha mãe, Josefa. Como sou extemporâneo caçula, de uma família de nove filhos, estar na cidade em que nasci durante as férias servia-me para reencontrar dois irmãos nascidos pouco antes de mim, mais próximos em idade. Um deles morava com os pais do papai, e o outro, habitava com os pais adotivos de minha mãe.                                                                                   A poeta Cirene Guede...

Ainda estou me devendo um filme sobre a Tia Cirene

  Hoje minha Tia Cirene Maria da Silva Guedes faria aniversário se não tivesse nos deixado logo depois de lançar seu único livro de poemas, cuja história narrei em uma crônica publicada em meu blog. Nem lembrava do aniversário dela, foi minha irmã Raimunda Weyl que postou uma foto da titia no grupo da família. Aiinda estou me devendo um filme sobre a Tia Cirene, os espólios que estão arquivados numa caixa de papelão aqui em casa, documentos, fotos, objetos tradutores de memórias, que evocam afetos de nossa ancestralidade (e eu filmei o velório dela, "Um minuto de silêncio pela poesia", e fiz uma fala sobre ela num curta metragem realizado por jovens da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, dois projetos audiovisuais que circulam no Youtube). Mas este filme, ainda quero fazer, um sonho, materializar o filme da titia, vai rolar, eu sei, porque tb a arte acontece quando intencionamos e nesta tensão entre sonhar e realizar há um processo que nem sempre depende de nós, porque,...