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Buscapé Blues presenteia sua antiga escola com canção para documentário dos 75 anos


Buscapé Blues compôs uma canção para a trilha sonora do documentário sobre os 75 anos da Escola Municipal República de Portugal, na Marambaia, em Belém. Ex-aluno da instituição e ícone cultural do bairro, o músico oferece a composição como um presente à sua escola. A homenagem integra o processo de memória e criação audiovisual construído pelo FICCA e pelo Cineclube República de Portugal, com a participação da comunidade escolar.

“Na rua Anchieta, na Marambaia, / existe um lugar onde o sonho começa.” A letra começa pelo endereço de uma experiência vivida. Buscapé canta a escola onde estudou, dentro do bairro que atravessa sua trajetória artística. Sua voz retorna a esse lugar carregando histórias, música e uma prática de criação que sempre encontrou nas canções pedagógicas e educativas uma maneira de participar da formação de outras pessoas.

“Sou Buscapé, filho da Marambaia, neto da lama e da água”, escreve o artista em seu portfólio. A apresentação afirma uma origem que permanece ativa em sua obra. Desde o final dos anos 1980, sua caminhada passa pelas quebradas da Marambaia e de Icoaraci, reunindo gente em praças, becos e esquinas. A música nasce dessas relações e circula com elas: o bairro produz encontros, linguagem e matéria para compor.

Conhecido pela presença performática e pela mistura de blues, rock, reggae, rap e outros ritmos, Buscapé reconhece em sua formação tanto referências como Raul Seixas e AC/DC quanto o batuque de terreiro, o samba de esquina e as vozes de quem mora na beira da maré. Sua “Marambaia Galáctica” reúne essas experiências em um território de criação que ele descreve como jangada, nave e abrigo.

A dimensão educativa acompanha esse percurso. No Projeto Rádio Margarida, o artista trabalhou com música e poesia junto a crianças e adolescentes, participou de oficinas e de ações de educação ambiental e colaborou na criação de canções feitas a muitas mãos. Nos shows, nas oficinas e nas rodas de conversa, a composição também se torna partilha: cantar é uma forma de reunir, ensinar e aprender.

A homenagem à República de Portugal vem dessa experiência e de um vínculo pessoal. O antigo aluno oferece à escola aquilo que construiu ao longo da vida: sua música. “Entre livros de histórias, / aprendendo a transformar”, diz a letra, aproximando o cotidiano escolar da possibilidade de criar caminhos. No refrão, “República de Portugal, / um futuro pra criar”, a lembrança de quem passou pela escola encontra os sonhos de quem hoje a frequenta.

Ao integrar a trilha sonora do documentário, a canção participa da elaboração dessa memória coletiva. A voz de Buscapé leva para o filme a presença de um artista da comunidade que também pertence à história da instituição. Seu presente reúne duas experiências que continuam ligadas: a do menino que estudou na República de Portugal e a do compositor que fez da Marambaia uma fonte permanente de criação.

Esse encontro fortalece o percurso do FICCA e do Cineclube República de Portugal, que articula cineclubismo, formação audiovisual e pesquisa de memória com estudantes, professores, familiares, ex-alunos e moradores. A escola ganha imagens, depoimentos e uma canção nascida do afeto de um de seus antigos estudantes.

“Educação abrindo caminho / pra gente conquistar.” O verso sustenta a homenagem. Aos 75 anos da República de Portugal, Buscapé oferece uma música que passa a compor a trilha do documentário e a memória da escola: um presente de ex-aluno, uma criação da Marambaia, uma voz que segue aprendendo e ensinando com sua comunidade.





 

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