Pular para o conteúdo principal

No dia em que o andarilho (das galáxias) encontrou os poetas da marambaia



No dia em que o andarilho (das galáxias) encontrou os poetas da marambaia
uma fenda se abriu no meio da terra.
De um lado ficaram os homens sem sorte.
De outro aqueles para os quais a poesia é a única saída.
Do lado daqueles que não tinham sorte também não havia azar.
Do lado da poesia, a fantasia.
Entre os homens sem sorte, eles e elas, homens e mulheres, poetas.
Uma fenda que sequer existira, eu a inventara
– e também aos homens poéticos,
uma fenda se abriu e me deixou ver que os homens poéticos,
um dia, na companhia do andarilho,
no outro dia entrou na poesia da Marambaia,
no terceiro dia uma fenda se abriu entre eles
e eu repeti esta narratologia
porque prefiro errar do que narrar aos ratos,
prefiro erratas aos fracos
que não tem simplicidade para assumir que nada sabem,
prefiro a filosofia a uma pedra que posso atirá-la,
fazer com que pela violência do pensamento ela atravesse corpos,
ferindo-os machucando-os.
A minha pedra tem poesia,
é filosofal, mas eu prefiro a filosofia, e antes dela a poesia da Marambaia,
o meu norte é a Marambaia, onde estão os poetas,
estas cenas são crias de uma escola que se instala
numa perspectiva cronológica nos últimos vinte e cinco anos
e numa perspectiva geográfica é enteada
das migrações dos classes médias para o bairro da marambaia
e numa perspectiva existencial esta escola poética é filha bastarda desta marginalidade que é imposta a uma determinada sociedade
quando esta sociedade habita um lócus abandonado e esquecido pelo poder publico
razão pela qual a organização desta comunidade se dá pela via da arte
é uma potencia tanto intelectual quanto politica e para fechar a tríade, poética

© Carpinteiro 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FIM.ME — Festival Internacional de Filmes de Médias‑Metragens

Este festival nasce de uma ausência concreta no circuito contemporâneo: a média‑metragem — forma cinematográfica historicamente fértil, decisiva para o ensaio, para o cinema‑pensamento e para a maturação de linguagem — foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às pressões industriais, a média‑metragem tornou‑se um território órfão — justamente quando o cinema precisa de tempo para escutar, tempo para experimentar e tempo para elaborar. O FIM.ME afirma a média‑metragem como cinema pleno: campo de elaboração estética, política e poética. Não é um festival temático, nem um festival de nicho. É um festival de forma, linguagem e gesto cinematográfico, orientado por um compromisso ético com um cinema humanista, socialmente engajado e esteticamente rigoroso. O FIM.ME nasce das articulações realizadas através do FICCA – Festival ...

Bragança: a volta do Cavalo de Troia - Por Carpinteiro de Poesia

Entre a poesia das ruas de Bragança e o pulsar da juventude carnavalesca, o bloco Cavalo de Troia anuncia seu retorno. Ausente desde o início da pandemia, o grupo se reorganiza para voltar à avenida com força total, prometendo até 2.000 abadás e a mesma espontaneidade que marcou seus primeiros carnavais. O Cavalo de Troia é um dos blocos mais irreverentes do carnaval. Inspirados na história grega, eles construíram um enorme cavalo de madeira que, em vez de esconder soldados, vinha recheado de cajuaçi, que é uma bebida tradicional de Bragança. A bebida era distribuída pela traseira da estrutura enquanto os foliões, vestidos de espartanos, empurravam o cavalo pelas ruas. A criatividade do bloco chamou atenção da cidade, ganhou repercussão na mídia e se tornou um destaque do carnaval bragantino, unindo sátira, cultura popular e muita brincadeira. Raízes na Juventude, Entre Amizades e Fantasias - A história do Cavalo de Troia começou como uma brincadeira entre amigos do bairro da Aldeia. E...

Entre Amazônia, África e Portugal: a trajetória afro-atlântica de Francisco Weyl

A presença de África na trajetória de Francisco Weyl integra um percurso de formação, criação audiovisual, pesquisa, intercâmbio cultural e reflexão crítica construído entre Amazônia, Cabo Verde, Angola, Portugal e outros territórios do Atlântico de língua portuguesa. Essa experiência atravessa sua obra e sua atuação pública como realizador, professor, pesquisador, articulador cultural e escritor, reunindo cinema, docência, crítica, formação audiovisual e diálogo continuado com artistas, intelectuais e instituições africanas. Entre 2005 e 2007, Francisco Weyl atuou como professor da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde, na Cidade da Praia, ministrando disciplinas ligadas à arte, estética, fotografia, cinema, vídeo, comunicação e jornalismo online. A experiência universitária em Cabo Verde consolidou um campo de pesquisa e convivência que aproximou sua formação intelectual dos debates sobre cultura, identidade, pós-colonialidade, comunicação e produção audiovisual no contexto africa...