Poeta marajoara Ubiraci Conceição denuncia continuidade de perseguição policial contra sua família em Belém
O poeta, cordelista e trovador marajoara Ubiraci Conceição voltou a denunciar, no último dia 2 de agosto de 2026, a continuidade de ações de intimidação e perseguição contra sua família. Segundo seu relato, policiais militares do 24º Batalhão realizaram uma nova incursão durante a madrugada, desta vez na residência de um de seus sobrinhos.
Em manifestação pública divulgada por meio das redes de apoio ao caso, Ubiraci afirmou que os policiais entraram na residência sem apresentar mandado judicial e justificaram a operação com a alegação de que o morador estaria envolvido com o tráfico de drogas. O poeta contesta a acusação e afirma que seu sobrinho é trabalhador, possui ocupação regular e não faz uso de álcool ou outras drogas.
Além da entrada na residência, Ubiraci relata que a ação foi marcada por constrangimentos e ameaças dirigidas aos familiares, ampliando o ambiente de insegurança que, segundo ele, se instalou desde março de 2025.
Um caso que permanece aberto
As novas denúncias somam-se ao histórico de violência vivido pela família desde 31 de março de 2025, quando a residência de Ubiraci Conceição, localizada na periferia de Belém, foi alvo de uma operação policial de grande porte.
Na ocasião, familiares denunciaram que dezenas de policiais militares cercaram e invadiram o imóvel sem apresentação de mandado judicial. Durante a ação, Rogério, ex-genro do poeta, foi morto após ser atingido por disparos. O neto de Ubiraci, Marcio Wendel Torres da Silva, também denunciou ter sido agredido e submetido a tortura. A família informou ainda que câmeras de segurança foram destruídas e que os equipamentos de gravação das imagens foram apreendidos.
Os acontecimentos provocaram forte repercussão entre movimentos sociais, entidades de defesa dos direitos humanos, organizações culturais e veículos independentes de comunicação.
Acompanhamento institucional
Desde as primeiras denúncias, o caso passou a ser acompanhado por instituições como a Defensoria Pública do Estado do Pará, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA) e o Ministério Público, além de organizações da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos humanos.
Para Ubiraci Conceição, entretanto, os episódios registrados no início de agosto indicam que a situação permanece longe de uma solução definitiva. O poeta sustenta que sua família continua sendo alvo de ações policiais recorrentes e cobra providências efetivas das autoridades para garantir proteção aos familiares, assegurar o respeito aos direitos constitucionais e promover a completa apuração das denúncias.
Cultura e direitos humanos
Natural de Breves, no arquipélago do Marajó, Ubiraci Conceição, de 71 anos, é reconhecido como um dos importantes nomes da literatura de cordel amazônica. Integrante da Academia Paraense de Literatura de Cordel, sua trajetória é marcada pela valorização da cultura popular, da memória marajoara e das tradições orais da Amazônia.
As novas denúncias recolocam em evidência o debate sobre violência policial, proteção de defensores da cultura popular e garantia dos direitos humanos nas periferias urbanas, reforçando a necessidade de investigações céleres, transparentes e comprometidas com a justiça e a proteção da vida.
Receba minha silidariedade, poeta Ubiraci.
Carpinteiro de Poesia
3.8.2026


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