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#PLATEAU - Um Festival que não tem fim

Por © Francisco Weyl, Carpinteiro de Poesia

A projeção do filme “Eden” (Daniel Blaufuks) no final desta tarde (30/11) marca o encerramento do 1ª Edição de PLATEAU - Festival Internacional de Cinema da Praia.
Após a sessão, o diretor do Festival, Ivan Santos, anuncia os vencedores do certame que começou dia 21/11, com a exibição do filme “Alma Ta Fika” (João Sodré).
Há várias questões a destacar a título de análise, avaliação.
A primeira delas é uma saudação especial aos organizadores e coordenadores e colaboradores, que compuseram a equipe do Plateau.
Com apoio do Pelouro da Cultura e da Câmara Municipal da Praia e ainda do próprio Ministério da Cultura, o Plateau escreve desde já o seu nome na história dos Festivais internacionais.




Mas, mais que um simples evento que envolve recursos públicos, o Festival Plateau quer ser uma plataforma e uma rede, contínua, que forme e divulgue o cinema, resgatando o gosto por este arte entre os cabo-verdianos.
O Festival devolveu um cinema a Cinema a Cabo Verde, o Cine-Praia, ou seja, resgatou um espaço e com ele toda uma cultura que estava fora do circuito da Praia.
E para, além disso, fez parcerias com escolas, trazendo crianças para sessões especiais vespertinas.
O presidente da Câmara, Ulisses Silva, afirmou que resistiu a vários assédios, inclusive, financeiramente tentadores, para dar outro uso, outro fim, ao espaço onde funciona o prédio do Cine-Praia.
E como se não bastasse a aposta num novo público dentro de uma antiga sala que estava fechada, o Plateau – Festival ainda foi aos bairros, em sessões abertas para pessoas que ficam mais distantes das zonas centrais.
Estas frentes por si só revelam a diferença deste Festival.
Estas ações mostram as verdadeiras preocupações com as questões sociais e pedagógicas.
São ações que fazem com que o Festival tenha continuidade e não se esgote em sessões competitivas e extraoficiais.
Elas dão a dimensão exata do que se quer com a arte cinematográfica em Cabo Verde, que, aliás, não tem fontes diretas de financiamento, pelo que os realizadores não economizam esforços e nem criatividade para superar a dificuldade financeira.
E foram bravos estes realizadores.
Foram 12 filmes cabo-verdianos inscritos no Plateau.
E aqui é outro destaque deste Festival, a sua aposta na produção local, e ao mesmo tempo a aposta na africanidade dos temas, da atualidade continental do cinema negro.



Observemos um panorama quantitativo do Festival:

#PLATEAU > Indicadores
83 > Filmes participantes
26 > Filmes em competição
57 > Filmes fora de competição
15 > Filmes nacionais (Cabo Verde)
29 > Filmes portugueses
21 > Filmes brasileiros
5 >  Filmes sobre Cabo Verde (Origem: Portugal)
> REPRESENTADOS
CONTINENTES > África, Europa, América, Ásia
CPLP > Todos - menos Timor e Guiné-Equatorial
PALOP > Presentes TODOS os Países 

Estas vertentes desta Festival marcam o campo do novo cinema, coletivo.
Posso dizer – para finalizar – que este Festival espelha o próprio país que o sediou, um país que depende de parceiros estrangeiros e dos recursos que lhe são enviados pelos seus filhos que habitam a Diáspora.
Um país em permanente rede de solidariedade e de esperanças e de sonhos.
O desafio de todos nós que fazemos parte desta história agora é manter aceso o fogo desta #REDEPLATEAU
Os desafios foram lançados e respondidos no próprio Fórum Plateau, que reuniu dezenas de jovens realizadores e pessoas articuladas à cultura cabo-verdiana a e que habitam a cidade da Praia na tarde de quinta (27/11).
O Fórum apontou estratégias via um #Documento que será divulgado à sociedade e pactuado com os gestores de instituições públicas e privadas articuladas ou não à cultura e ao cinema.
O encontro tem dimensão política por conter as falas e as demandas de realizadores e produtores der audiovisual cabo-verdiano.
E do mesmo modo, para além das questões locais, o Documento contém referências às possíveis articulações continentais de Cabo Verde com África e com o restante do mundo a partir de Cabo Verde.
É Cabo Verde se aproveitando de sua privilegiada posição geográfica entre diversos continentes e ao mesmo tempo afirmando a sua diversidade, aberto ao mundo mas o mesmo tempo resgatando a história e a arte de seu povo.
E no que depender de nossa disponibilidade e de nosso afeto e de nossa paixão, o Festival Internacional de Cinema do CAETÉ – FICCA; o Jornal #TRIBUNADOSALGADO; e o Cineclube Amazonas Douro, estamos ao dispor para compor redes colaborativas.
Parabéns, Cabo Verde.
Obrigado.


Obrigado.

© Francisco Weyl, poeta, jornalista, realizador – convidado pela Câmara Municipal da Praia, pelo #PLATEAU, e pela Associação Nacional de Cinema e do Audiovisual de Cabo Verde, para colaborar e acompanhar e participar do primeiro Festival Internacional de Cinema da Praia.

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