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O Cinema Negro num fórum itinerante


O Fórum Itinerante do Cinema Negro causou espanto em Cabo Verde.
Quem afirma é o seu coordenador internacional, o fotógrafo César Schofieldi Cardoso, do Ministério da Cultura.
E ele diz que este espanto é ótimo!
“A gente quer dar mesmo uma machadada na sociedade, e esta machadada cria divisões,  então, percebemos que existem muitas resistências ao termo “NEGRO”, mas também percebemos que existe toda uma população que está exigindo este discurso”, explica.
Quando o Fórum do Cinema Negro foi realizado em Cabo Verde está dicotomia ficou clara: no centro, os pequeno-burgueses reagiram com perguntas do tipo: mas por que este termo (negro)? Mas, nas periferias, os ativistas ficaram contentes e se emocionaram.
César afirma que o cinema negro nasceu no mesmo momento do nascimento do próprio cinema, entretanto ele critica que é esta falta de informação é um direito que foi negado.
“A história que nos foi negada”, denuncia.
Uma historia que não sendo contada, sendo omitida, senão se torna falsa, ela pelo menos está incompleta, porque a marca da negritude, da consciência e do trabalho negro, estão presentes há anos no cinema mundial.
E César entende que falta aos africanos negros e aos cabo-verdianos  obter esta noção histórica, compreender esta opção, para que então se identifiquem com a sua própria História.
“Não é uma questão racial de negros contra brancos, é uma questão de identificação, de valorização cultural, de - eu me sentir representado de forma mais consciente, e de ter opções para ver outras coisas, por exemplo, o meu maior referencial em termos estéticos é o cinema asiático, o cinema coreano, mas eu preciso do Zózimo Bubul, eu preciso ver , eu sinto que é desta cultura que eu preciso”, declara.
Mesmo que o “cinema negro” tenha causado um choque entre as diversas demandas sociais em Cabo Verde, o Fórum, entretanto, vai muito bem, obrigado.
Já esteve em Burkina Faso, Cabo Verde, e agora vai até Moçambique, e neste momento está multiplicando as parcerias no Brasil.
“É um projeto mundial, e nós queremos colaboradores, gente que escrevam  a sua experiência, um ativismo político e social”, conclui.

© Carpinteiro


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