Pular para o conteúdo principal

Terça Tríade


Há momentos que palavras confortam

Embora não tenham muito o que dizer

Outras vezes é o silêncio

Que toma a forma

Solidária

E nutre o pacto

De uns com os outros

Que somos todos nós

Seres humanos

Iguais em fragilidade

Mas não em arrogância

Ou na ganância

Talvez na comunhão

Assim dito eu fecho o pano

E saio de cena

Com o meu ego

Doentio

Sem moral da História

Mas com este poema

Que estava engasgado

Na garganta

E preso à míngua

De uma velha gaveta

Num quarto mofo

Onde guardo papeis

Amarrotados

E roupas

Rotas  


© Carpinteiro


...


Eu te convido para brincar

Um jogo sem regras

Um ritual em que leio poesias

Mostro meu álbum de fotografias

E narro histórias

Da cosmogonia de meu universo

E de lugares que conheci adulto

Mas que já os havia visitado

Quando criança

Em histórias suprahumanas

Cabem todos os mistérios


© Carpinteiro


...


Desejo que você reflita

Sobre como se sente

Em relação a mim

E de como atribui

A minha pessoa

O seu estado de espírito

Como se o que eu pensasse

Ou falasse ou sentisse

Fossem contra você

Mas cuidado

Quem sabe você está errado

Sobre o mal que lhe faço


© Carpinteiro


...

Estes textos aqui reunidos constituem a primeira sessão 
do Microprojeto TERÇA TRÍADE, 
pela via da qual publico três textos poéticos autorais neste espaço.
...........................................................................................................

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FIM.ME — Festival Internacional de Filmes de Médias‑Metragens

Este festival nasce de uma ausência concreta no circuito contemporâneo: a média‑metragem — forma cinematográfica historicamente fértil, decisiva para o ensaio, para o cinema‑pensamento e para a maturação de linguagem — foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às pressões industriais, a média‑metragem tornou‑se um território órfão — justamente quando o cinema precisa de tempo para escutar, tempo para experimentar e tempo para elaborar. O FIM.ME afirma a média‑metragem como cinema pleno: campo de elaboração estética, política e poética. Não é um festival temático, nem um festival de nicho. É um festival de forma, linguagem e gesto cinematográfico, orientado por um compromisso ético com um cinema humanista, socialmente engajado e esteticamente rigoroso. O FIM.ME nasce das articulações realizadas através do FICCA – Festival ...

Bragança: a volta do Cavalo de Troia - Por Carpinteiro de Poesia

Entre a poesia das ruas de Bragança e o pulsar da juventude carnavalesca, o bloco Cavalo de Troia anuncia seu retorno. Ausente desde o início da pandemia, o grupo se reorganiza para voltar à avenida com força total, prometendo até 2.000 abadás e a mesma espontaneidade que marcou seus primeiros carnavais. O Cavalo de Troia é um dos blocos mais irreverentes do carnaval. Inspirados na história grega, eles construíram um enorme cavalo de madeira que, em vez de esconder soldados, vinha recheado de cajuaçi, que é uma bebida tradicional de Bragança. A bebida era distribuída pela traseira da estrutura enquanto os foliões, vestidos de espartanos, empurravam o cavalo pelas ruas. A criatividade do bloco chamou atenção da cidade, ganhou repercussão na mídia e se tornou um destaque do carnaval bragantino, unindo sátira, cultura popular e muita brincadeira. Raízes na Juventude, Entre Amizades e Fantasias - A história do Cavalo de Troia começou como uma brincadeira entre amigos do bairro da Aldeia. E...

Alma das Ruas, narrativa cinematográfica sobre o professor José Ribamar Gomes de Oliveira

Embora eu quisesse que pudéssemos contar essa história em sua totalidade, com toda a profundidade que o Mestre José Ribamar Gomes de Oliveira merecia, a vida nos apresentou seus limites. Idealizamos uma série documental que daria voz e corpo à cultura, à memória e à identidade de Bragança — uma série que celebraria cada canto, cada rosto, cada história que ele tanto amava. Mas, apesar da paixão, do empenho e da crença firme em nossos sonhos e utopias, a falta de recursos e investimentos tornou possível apenas a realização do episódio piloto. Hoje, porém, essas imagens não são apenas cenas de um projeto inacabado; são vestígios vivos da presença de um homem que dedicou sua vida inteira à valorização das raízes bragan­tinenses. Um homem que foi professor, escritor, historiador, guardião da memória, e sobretudo, um incansável lutador pela cultura da Amazônia. Esse piloto é a memória viva do Mestre Ribamar, e para nós, seus colegas, amigos e alunos da Academia de Letras de Bragança, é u...