Pular para o conteúdo principal

Roberta Mártires leva Multifeira de marcas e produtos amazônicos ao Ponto de Cultura FICCA

A arte como encontro, circulação e território é a proposta da Multifeira – Encontro de Marcas e Produtos Amazônicos, que acontece no dia 12 de setembro, das 7h às 12h, no Ponto de Cultura FICCA, no bairro da Marambaia, em Belém. A programação coloca em evidência marcas e produções que têm na Amazônia não apenas uma referência estética, mas um território de criação, memória e pertencimento.


À frente dessa iniciativa está Roberta Mártires, artista visual, produtora cultural, turismóloga, arte-educadora ambiental e crocheteira autoral. Sua trajetória reúne diferentes linguagens e experiências, sempre tendo como ponto de partida a relação entre arte, território e comunidade. No campo da produção cultural, Roberta acumula experiência na concepção, planejamento e realização de eventos, tendo participado de projetos como o FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté e realizado, em 2020, duas edições da Multifeira dentro do projeto Rios e Redes. 


A nova ação também dialoga diretamente com a trajetória da Multifário, marca criada por Roberta a partir de referências amazônicas e latino-americanas. Seu trabalho com o crochê autoral nasceu da retomada de uma prática aprendida na infância e transformada em linguagem artística própria, aplicada a objetos, peças de vestir e outras criações. O portfólio registra ainda a realização de exposições, oficinas, projetos culturais e ações voltadas à valorização do território amazônico. 


Essa multiplicidade aparece também na produção artística de Roberta. Na série Senhora de Nós, os mantos são pensados como uma escrita sensível do território amazônico: tecidos, bordados, cores e diferentes materiais tornam-se linguagem para falar de ancestralidade, espiritualidade, trabalho manual, memória e cotidiano. A trajetória da artista registra a exposição Senhora de Nós na Fábrica de Velas São João Batista, ao lado de outras experiências expositivas como Rios e Redes. 


Em sua poética, o fazer manual deixa de ser apenas técnica e passa a funcionar como gesto de conexão. O manto envolve, aproxima e sustenta; o crochê transforma tempo e repetição em matéria artística. É uma perspectiva que se amplia para a própria maneira como Roberta atua culturalmente: criando pontes entre artistas, produtores, marcas, comunidades e públicos.


Essa capacidade de transitar entre a criação e a produção é uma das grandes forças de sua trajetória. Em 2016, Roberta inaugurou o Atelier Multifário, onde passou a atuar também na organização, administração e planejamento de ações culturais e na realização de oficinas. Antes disso, já havia criado a marca Multifário e desenvolvido coleções autorais; ao longo dos anos, sua atuação se expandiu para exposições, festivais, oficinas, projetos de educação ambiental e iniciativas de valorização da cultura amazônica. 


A Multifeira, portanto, ganha um significado maior do que o de um espaço de comercialização. É um território temporário de encontro entre arte, criação autoral, economia criativa e identidade amazônica. Ao reunir diferentes produtores e marcas, a iniciativa reforça uma compreensão da cultura como algo vivo, feito por muitas mãos e capaz de movimentar redes de pertencimento e criação.


Para Roberta, a arte parece funcionar justamente assim: como aquilo que circula. Seja através de um manto, de uma peça de crochê, de uma exposição, de uma oficina ou de uma feira, sua produção constrói caminhos para que histórias, saberes e sensibilidades encontrem novos públicos.


A Multifeira acontece no dia 12 de setembro, das 7h às 12h, no Ponto de Cultura FICCA, bairro da Marambaia, Rua da Mata, 366, em Belém. A programação integra a atuação da Multifário Arte e reafirma a potência de Roberta Mártires em transformar criação artística em experiência coletiva, conectando pessoas, territórios e diferentes formas de fazer cultura na Amazônia.




 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FIM.ME — Festival Internacional de Filmes de Médias‑Metragens

Este festival nasce de uma ausência concreta no circuito contemporâneo: a média‑metragem — forma cinematográfica historicamente fértil, decisiva para o ensaio, para o cinema‑pensamento e para a maturação de linguagem — foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às pressões industriais, a média‑metragem tornou‑se um território órfão — justamente quando o cinema precisa de tempo para escutar, tempo para experimentar e tempo para elaborar. O FIM.ME afirma a média‑metragem como cinema pleno: campo de elaboração estética, política e poética. Não é um festival temático, nem um festival de nicho. É um festival de forma, linguagem e gesto cinematográfico, orientado por um compromisso ético com um cinema humanista, socialmente engajado e esteticamente rigoroso. O FIM.ME nasce das articulações realizadas através do FICCA – Festival ...

Bragança: a volta do Cavalo de Troia - Por Carpinteiro de Poesia

Entre a poesia das ruas de Bragança e o pulsar da juventude carnavalesca, o bloco Cavalo de Troia anuncia seu retorno. Ausente desde o início da pandemia, o grupo se reorganiza para voltar à avenida com força total, prometendo até 2.000 abadás e a mesma espontaneidade que marcou seus primeiros carnavais. O Cavalo de Troia é um dos blocos mais irreverentes do carnaval. Inspirados na história grega, eles construíram um enorme cavalo de madeira que, em vez de esconder soldados, vinha recheado de cajuaçi, que é uma bebida tradicional de Bragança. A bebida era distribuída pela traseira da estrutura enquanto os foliões, vestidos de espartanos, empurravam o cavalo pelas ruas. A criatividade do bloco chamou atenção da cidade, ganhou repercussão na mídia e se tornou um destaque do carnaval bragantino, unindo sátira, cultura popular e muita brincadeira. Raízes na Juventude, Entre Amizades e Fantasias - A história do Cavalo de Troia começou como uma brincadeira entre amigos do bairro da Aldeia. E...

FICCA – Ponto de Cultura abre chamamento contínuo para oficinas de linguagens artísticas e formativas

  EDITAL Nº 1/2026 – FICCA – PONTO DE CULTURA FICCA – PONTO DE CULTURA EDITAL Nº 1 / 2026 CHAMAMENTO CONTÍNUO DE OFICINEIROS PARA AÇÕES DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA E CULTURAL O FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté, por meio de sua Coordenação, torna público o presente Chamamento Contínuo para seleção de artistas, fazedores de cultura, educadores e agentes culturais interessados em propor e ministrar oficinas de linguagens artísticas e processos formativos culturais nos territórios parceiros do FICCA. A iniciativa integra as ações permanentes do FICCA enquanto Ponto de Cultura, fortalecendo a circulação de saberes, a formação cultural, a criação artística e o encontro entre artistas e comunidades. 1. DO OBJETO 1.1. O presente edital selecionará propostas de oficinas presenciais de linguagens artísticas e/ou processos formativos culturais, com duração mínima de 3 (três) horas e máxima de 4 (quatro) horas. 1.2. As oficinas serão realizadas mensalmente, entre setemb...