Após processo de formação, acompanhamento e consultorias do Instituto Phomenta, o Festival Internacional de Cinema do Caeté apresenta dois documentários amazônicos no dia 6 de novembro, na Biblioteca dos Barris, em Salvador.
No próximo dia 6 de novembro de 2026, estaremos em Salvador, na Bahia, participando do Festival Phomentando a Cultura, com a MOSTRA FICCA-AMAZÔNIA — O Caeté faz cinema. Levaremos dois documentários realizados no nordeste paraense, nascidos de experiências comunitárias de criação audiovisual: Artesania Tracuateuara, produzido a partir dos saberes do Quilombo do Torre, em Tracuateua, e Nas Águas do Rio Tijoca o Patal Conta a Sua História, realizado com estudantes da Escola Lauro Barbosa dos Santos Cordeiro, na Vila do Patal, em Augusto Corrêa.
Nossa presença na programação artística do festival constitui um desdobramento de uma jornada de formação, acompanhamento e intercâmbio iniciada meses antes. Inscrevemos o FICCA no programa Phomentando a Cultura, promovido pelo Instituto Phomenta, fomos selecionados e participamos de um processo que reuniu organizações, coletivos e fazedores de cultura das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Ao final desse percurso, recebemos o convite para integrar o encontro presencial em Salvador, levando à programação uma mostra cinematográfica concebida a partir das experiências do nosso território.
Da inscrição à formação: um processo de fortalecimento coletivo
O Phomentando a Cultura é uma iniciativa realizada pelo Instituto Phomenta, apresentada pelo Ministério da Cultura e patrocinada pelo Nubank, por meio da Lei Rouanet. Seu propósito é contribuir para o fortalecimento de organizações culturais do Norte e Nordeste, especialmente aquelas que desenvolvem atividades permanentes em seus territórios e enfrentam dificuldades de estruturação, sustentabilidade e acesso aos mecanismos de financiamento.
Segundo informações oficiais do Instituto Phomenta, o programa percorreu dez cidades, recebeu 179 inscrições válidas e selecionou 100 organizações culturais para a jornada formativa. O FICCA integrou a Turma A, com encontros realizados nos dias 20, 21 e 22 de julho; 24, 25 e 26 de agosto; e 28, 29 e 30 de setembro, totalizando 27 horas de formação distribuídas em três módulos.
Nosso percurso incluiu atividades formativas, orientações técnicas, assistências e consultorias voltadas ao desenvolvimento institucional, à qualificação de projetos culturais e à compreensão dos mecanismos de financiamento. A experiência permitiu aprofundar questões que atravessam permanentemente a nossa atuação: como organizar iniciativas de base comunitária, fortalecer suas condições de continuidade, construir estratégias de sustentabilidade e disputar o acesso aos recursos públicos e privados destinados à cultura.
Roberta Mártires e Marcelo Rodrigues tiveram participação importante nesse processo. Ambos integram as frentes de produção, formação e realização audiovisual do FICCA e contribuíram para nossa presença nessa jornada. Roberta, artista e produtora cultural, assume agora a coordenação da Mostra FICCA-Amazônia em Salvador, articulando essa participação com as atividades que já desenvolve no festival. Marcelo, realizador audiovisual vinculado às ações pedagógicas e cinematográficas do FICCA, também integra essa trajetória coletiva de formação e fortalecimento da nossa organização.
Essa experiência reafirma uma questão essencial: iniciativas culturais construídas nas periferias, nos quilombos, nas comunidades rurais e nas escolas públicas precisam participar diretamente dos processos de formação, financiamento e decisão sobre as políticas culturais. A formação técnica importa porque amplia nossas condições de organização e atuação, mas também porque permite que experiências acumuladas nos territórios dialoguem com os instrumentos institucionais da cultura.
Um festival que se tornou Ponto de Cultura e continua produzindo cinema
A participação no Phomentando acontece num momento de ampliação das atividades do FICCA — Festival Internacional de Cinema do Caeté, que, ao longo de mais de dez anos, consolidou uma atuação como festival-movimento, articulando produção cinematográfica, cineclubismo, pesquisa, formação, circulação cultural e criação comunitária.
Em 2026, essa trajetória ganhou novo impulso com a atuação do FICCA como Ponto de Cultura, ampliando oficinas, encontros, projetos e processos de formação nos territórios. Nossa presença se desenvolve em escolas públicas, comunidades quilombolas, espaços comunitários, periferias urbanas e rurais, envolvendo crianças, jovens, educadores, artistas, mestres e mestras da cultura popular.
Entre essas experiências estão o Cineclube Urumajó, na Vila do Patal, em Augusto Corrêa, e o Cineclube da Escola República de Portugal, no bairro da Marambaia, em Belém, onde estamos realizando um documentário sobre os 75 anos da instituição. São espaços nos quais a exibição de filmes se articula à pesquisa, à memória social, à formação audiovisual e à produção coletiva de novas narrativas.
Outro avanço é a criação do FIM.ME — Festival Internacional de Filmes de Médias-Metragens, iniciativa com identidade própria, nascida das articulações internacionais do FICCA. Sua primeira edição, em 2026, reuniu 18 obras selecionadas e desenvolveu uma programação de circulação que aproxima a Amazônia, Portugal e Cabo Verde, fortalecendo uma rede de cooperação cinematográfica e cultural.
Essas iniciativas convivem com a preparação do XI FICCA, com as ações permanentes do Ponto de Cultura e com o fortalecimento das relações entre cinema, educação, comunidade e território. É esse conjunto de experiências que levamos para o encontro do Instituto Phomenta.
O Caeté faz cinema: dois territórios, duas experiências de criação
Nossa participação no Festival Phomentando a Cultura terá como centro a MOSTRA FICCA-AMAZÔNIA, com curadoria de Francisco Weyl — Carpinteiro de Poesia e coordenação de Roberta Mártires.
Artesania Tracuateuara (Brasil, 2024, 12 minutos), realizado por José Maria Gomes Tigrita, Danilo Gustavo Asp e Francisco Weyl, apresenta os saberes de Maria José Gomes dos Reis, Dona Maria, mestra ceramista do Quilombo do Torre. O documentário reúne barro, agricultura, farinha, cantos, memória familiar e conhecimentos ancestrais, revelando uma pedagogia construída na oralidade, no trabalho e na convivência comunitária.
Nas Águas do Rio Tijoca o Patal Conta a Sua História (Brasil, 2024, 16 minutos) nasce de um processo de arte-educação desenvolvido com estudantes da Escola Lauro Barbosa dos Santos Cordeiro, em parceria com o Cineclube Urumajó. O filme apresenta memórias e experiências da comunidade do Patal, incluindo a questão de uma ponte derrubada pelos moradores diante do abandono estrutural. A narrativa acompanha a relação entre território, educação, participação comunitária e produção audiovisual.
A aproximação entre esses filmes revela duas dimensões fundamentais da nossa prática cinematográfica. No quilombo, a transmissão dos saberes ancestrais constitui matéria de criação. Na escola, estudantes aprendem a produzir imagens investigando e narrando a própria realidade. Em ambos os casos, o cinema nasce de relações concretas, da oralidade, da experiência coletiva e das tecnologias do possível.
A mostra compreende a exibição integral dos dois filmes, acompanhada de apresentação do FICCA e diálogo com o público. Nossa proposta cineclubista reconhece a sessão como espaço de formação, escuta e construção compartilhada de conhecimentos.
Salvador: um encontro de culturas, territórios e possibilidades
O Festival Phomentando a Cultura encerra a primeira edição do programa em um encontro presencial gratuito na capital baiana. A programação anunciada pelo Instituto Phomenta reúne rodas de conversa sobre cultura, inovação, acesso a recursos e descentralização da Lei Rouanet, além de feira de economia criativa e apresentações de diferentes linguagens artísticas.
O encontro acontece em um período especialmente significativo para Salvador. A cidade vive a programação do Novembro Negro, com atividades culturais, encontros e manifestações ligadas à memória, à criação afro-brasileira e às lutas por igualdade racial. No dia 5 de novembro, a programação estadual prevê uma homenagem ao ator e cineasta Antônio Pitanga, com a Orquestra Afrosinfônica, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Nos dias 7 e 8, Salvador também recebe o Festival Afropunk. São acontecimentos de organizações distintas que evidenciam a intensidade da vida cultural baiana nesse período.
É nesse ambiente de encontro e afirmação cultural que apresentaremos nossas imagens da Amazônia paraense, aproximando os saberes quilombolas e as experiências de formação cinematográfica comunitária de outras práticas culturais do país.
A oportunidade de participar da programação artística do Phomentando significa, para nós, mais do que concluir uma formação. Representa a possibilidade de colocar diante de outros públicos o resultado concreto de um trabalho que já acontece em nossos territórios, levando nossas experiências ao diálogo com organizações que enfrentam desafios semelhantes.
Agradecemos ao Instituto Phomenta, à equipe de formação e às organizações participantes pelos encontros, orientações e possibilidades de intercâmbio construídas ao longo dessa jornada. Reconhecemos especialmente o trabalho de Roberta Mártires e Marcelo Rodrigues na participação do FICCA nesse processo.
Seguimos fazendo cinema com as comunidades, fortalecendo cineclubes, formando realizadores, construindo memória e colocando nossas imagens em circulação. A Bahia recebe agora dois filmes que trazem consigo histórias de vida, pesquisa, aprendizagem, resistência e criação coletiva.
O Caeté faz cinema. E o cinema que fazemos continua atravessando territórios.
Francisco Weyl — Carpinteiro de Poesia
Curador do FICCA e da Mostra FICCA-Amazônia
SERVIÇO
MOSTRA FICCA-AMAZÔNIA — O Caeté faz cinema
Festival Phomentando a Cultura
Data: 6 de novembro de 2026
Local: Biblioteca dos Barris — Salvador, Bahia
Filmes: Artesania Tracuateuara (12 min) e Nas Águas do Rio Tijoca o Patal Conta a Sua História (16 min)
Coordenação da mostra: Roberta Mártires
Curadoria: Francisco Weyl — Carpinteiro de Poesia
Realização da mostra: FICCA — Festival Internacional de Cinema do Caeté
Evento: Instituto Phomenta, Ministério da Cultura e Nubank
Entrada gratuita, com ingresso disponibilizado pela organização.
Informações oficiais:
Programa Phomentando a Cultura
Festival Phomentando a Cultura — Salvador

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