Se a gente resolver fazer um levantamento sério, histórico, de quem recebeu dinheiro público da cultura no Pará, quem foi contratado, quem decidiu as contratações, quem indicou os artistas, quem assinou os cheques, quem ocupou cargos e quem se beneficiou das relações familiares, políticas e institucionais, vamos descobrir que o problema é muito mais profundo do que imaginamos. Há décadas, determinados grupos circulam pelos mesmos espaços, acessam os mesmos recursos, ocupam as mesmas vitrines e se apresentam como representantes de uma diversidade cultural que, na prática, permanece do lado de fora das decisões. E não estou falando de condenar ninguém antecipadamente, mas de abrir os arquivos, examinar os contratos, conhecer os valores, identificar os critérios e perguntar por que tantos permanecem à margem enquanto outros parecem ter acesso permanente às estruturas do Estado. E não adianta fingir que essa responsabilidade pertence exclusivamente aos governos ou à direita conservadora. H...
Estéticas de guerrilhas, poéticas da gambiarra e tecnologias do possível na Amazônia Paraense