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O Porto

Por uma série de razões, decidi vir fazer doutoramento em Portugal, onde já havia aqui habitado, e me graduado, o que me dá segurança, de fato. Sem casa e sem emprego, passei os primeiros seis meses de 2018, resolvendo questões burocráticas - e a espera do visto de estudante junto ao Consulado Português, e com a vida parada, pacientemente, mudando de casa em casa, de irmãos, sendo por estes bem acolhido, graças à DEUS. Cheguei aqui, em 27 de agosto do ano passado, passei o primeiro mês na casa do Luís Costa, que mora perto, mas por motivos de transportes, também distante do Porto, onde agora estou a habitar, relativamente próximo do local onde estudo, a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde tenho aulas quartas e quintas, à tarde. 2018 foi um ano muito legal, falei com meu filho mais velho, Luan, ainda que de passagem por Fortaleza, matei saudades, rapidamente com ele; meu mais novo filho, Rudá, meu filho mais novo veio cá, matei uma saudade de três anos (mas ainda...

O que eu olho e vejo, você talvez nunca verá

Eu tenho 55 anos, e ainda hoje sei que não consigo ver diversas coisas. Apesar dos meus estudos e de meu conhecimento. E quanto mais aprendo, mais desconheço. O conhecimento do Universo é infinito. E eu serei sempre pequeno diante de sua grandeza. Tenho esta experiência de muitas vidas e existências. Amores, desamores, trabalhos, vagabundagens, certezas e enganos. E tudo que eu sei, eu o sei por ter sido humilde, para o saber. Muitas de minhas certezas apenas me retiraram das verdades. Eu estava cego de certezas. Ainda que busque a verdade muitas vezes vi-me diante das mentiras. Iludi-me. Mas, tenho me dado chances e renovado esperanças de me ver a eu próprio. E então verei o que eu preciso ver. O que eu olho e vejo, você talvez nunca verá. E se ver, jamais enxergará como eu. Temos modos de ver diferentes, a partir de nossas vivências, ainda que comuns. Você pode demorar anos para ver o que eu olho, e vejo, subitamente. E o que você verá, o que eu jamais verei. É um longo tempo, este ...

Todo dia ele ia a feira da Marambaia

Olhando assim não dá nem pra imaginar, mas o zelador da União do Vegetal lá da praia de Salinas já foi um dos roqueiros mais doidos de Belém do Pará. Relembro de nós dois na Praça da República, foi pé do Teatro que ele urinou. Naqueles anos oitenta, noventa, quando éramos todos camaradas, e comprávamos cachaça, depois de uma coleta, entre os grupos de pobres, meio punks, meios junkers. A gente andava até as barcas atracadas no cais do Ver-o-Peso pra comprar a azulzinha que vinha lá das ilhas de Abaeté, cuja a cultura do Engenho por qualquer motivo definhou. Buscapé vem lá da Marambaia, terra sagrada, bairro que é em si a própria resistência política e cultural dos movimentos sociais comunitários que mantém acesa a chama do Boi, do batuque, da capoeira, e da poesia. Esse mulequinho, maluquinho cheirosinho, de escopeta na mão, não faz mal nem a um inseto, ao contrário, é um doce contador de causos que ele inventa e reinventa com um sabor de quem sabe que a vida é para se divertir. Já fiz...

Eu (me) sinto muito #GLAUBER

Tenho lido muito os textos de Glauber Rocha, não me canso de o ler, Glauber é para mim um deus, um deus do Brasil, que amaldiçoa o Brasil por ter o Brasil lhe recusado as bênçãos, e nós, brasileiros, somos filhos de uma terra abandonada pelo seu deus........................   Glauber com a sua fúria destruiu em nós as nossas possibilidades de olharmos para trás e enxergarmos apenas as nossas qualidades, pois somos feitos de coisas outras, pedaços desprezíveis aos quais devemos vê-los, compreendê-los, antes de abandoná-los.........…..... Somos miseráveis, filhos desta terra ardente, desta terra quente….... Eu amo o Brasil como amo nele a materialidade de Glauber Rocha, este filho-pródigo exilado pela sua Mãe-Geia….............…………... Este Glauber é o que meu mestre Sério Fernandes declarou: a síntese do Brasil…………………………..........................................   © Carpinteiro de Poesia

Reflexões sobre (olhar) o lugar - Carpinteiro de Poesia

Quando nós somos estrangeiros, passageiros, e atravessamos estes cenários, que nós nunca vemos, ou ainda que por quaisquer motivos já por ele tivéssemos passado, e o tivéssemos visto, mas não sentido da maneira que (agora) me coloco para vê-lo. Quando nós não somos do lugar, nós tendemos a gostar mais do lugar, exatamente porque o nosso estrangeirismo faz com que a gente veja as coisas do lugar, de outra maneira, ainda que este lugar nos cause alguma repulsa, por quaisquer motivos, nós conseguimos ver muito mais o lugar do que aquelas pessoas que já estão entranhadas neste lugar, e que por quaisquer motivos também possam ter quaisquer repulsas com este mesmo lugar, ou até mesmo com elas próprias, nas condições em que elas estão nestes lugares. Porque é preciso também estar aberto para ver. Não basta que os nossos olhos, as nossas pálpebras, as nossas íris, e todo o fenômeno que envolve a percepção da nossa visão, os impulsos cerebrais, externos e internos, e que movimentam o nosso si...

Crítica de Bernardo Pinto de Almeida às Autoindagações (imagéticas) de natureza lógico-metafísicas de um artista-criador em devir artista-pesquisador

Francisco Weyl escreveu um texto que tem uma dimensão poética acentuada, uma escrita de forma autónoma, com uma forma de construção e de comunicação situada entre a linhagem poética e a linhagem teórica, evidenciando que estas  são da mesma fonte. Ainda que talvez uma nasça mais no inverno, e a outra no verão, mas que jorram da mesma fonte. O que não quer dizer que a historia e a ciência não possam beber dessa mesma fonte. A poesia e a teoria são formas contiguas desde o princípio, desde os pré-socráticos, quando percebemos imediatamente nos respectivos fragmentos que a forma deles é poética, e que mesmo que seja pré-filosófica, é teórica. Ou seja, que já procura ascender ao plano da reflexão, em caráter universal, como desejo de estabelecer uma comunicação muito fina com o leitor. E no, entanto, não tem ainda aquela forma filosófica que terá mais tarde, com Platão, e Aristóteles. E isso não quer dizer que o texto do Francisco Weyl não seja filosófico. Quer dizer é que é fundamenta...

O primeiro banho místico de 2019

Com a lua a crescer, em Câncer, com cerca 95.62% visível, resolvi, fazer meu primeiro banho enérgico de 2019. E tenho me preparado para isso desde a semana passada, quando comprei ervas, aroeira, flor de laranjeira, arruda, cipó caboclo, e alecrim. Elas me curam de todos os meus males, e me relaxam. Seus aromas me provocam uma sensação de paz, absoluta, e suas propriedades terapêuticas ativam o bem nos meus corpos astrais, espirituais, mentais, psicológicos,  físicos, e materiais. Foi por isso que, ainda ontem à noite deixei serenar meus cristais, búzios, e pedras que mantenho em meu Altar, para que fossem energizados pelas forças universais. Ao acordar esta manhã, deixei-me estar mais tempo próximo ao meu Altar, pelo qual eu me apaixono a cada vez mais, e que cresce a cada dia. Em Portugal, já adquiri as imagens de São Jorge, São José, N. Sra. do Perpétuo Socorro, Arcanjo Miguel, Anjo Gabriel, e São Sebastião, além de dezenas de búzios não originais (mas de astrais), e pedras da ...