O que inicialmente seria um projeto expandido condensou-se, naquele momento, numa performance. Hoje, essa performance ressurge como filme, retirada da timeline após o processo de montagem e finalização.
O filme nasceu de uma obra em deslocamento.
Com imagens do diretor de fotografia Marcelo Rodrigues, em cena Carpinteiro de Poesia Francisco Weyl, Mateus Moura e Rosilene Cordeiro, a obra situa-se na fronteira entre cinema experimental, performance, interferência artística, instalação e ritualidade contemporânea, território recorrente na trajetória de Weyl, profundamente marcada pelas relações entre arte contemporânea, afroreligiosidade, corpo, imaginação política e estéticas de guerrilhas.
A mise-en-scène aconteceu numa tarde, no anfiteatro da Praça da República, em Belém: espaço histórico de circulação popular, arte, memória urbana e encontros culturais. Foi ali, sob a vibração pública da cidade, que corpos, gestos, oralidades, musicalidades e signos glauberianos se atravessaram numa ação performática de forte densidade simbólica.
Derivada do universo conceitual do Ciclo Glauberiano “A Idade da Morte”, iniciado em 2023 por Mateus Moura e Francisco Weyl, a obra nasce de uma reverência crítica ao Glauber Rocha mais radical, experimental, profético e frequentemente marginalizado: o Glauber da fase final, da vertigem estética, do excesso criativo e do cinema como campo de combustão política e espiritual.
Aquilo que permaneceu apenas como performance ganha agora outra natureza: transforma-se em filme.
O trabalho afirma uma operação cinematográfica própria. A montagem reorganiza presenças, intensidades, atmosferas e temporalidades, convertendo a performance em matéria fílmica. Cinema de transe, intervenção imagética, gesto memorialístico.
Sempre dedicado a Glauber Rocha, em sua obra artística, em seus filmes, em sua produção teórica e em suas pesquisas sobre cinemas e estéticas de guerrilhas, Francisco Weyl reinscreve aqui uma filiação assumida, crítica e criativa. A obra dialoga com um legado glauberiano sem reproduzi-lo; procura atualizá-lo desde uma sensibilidade amazônida, contemporânea, performática e atravessada pela ancestralidade afroreligiosa.
Do anfiteatro da Praça da República à mesa de montagem, a obra percorre um trajeto de transformação: um projeto que não se realizou integralmente, uma performance que recusou desaparecer, um filme que encontrou sua forma entre imagem, corpo, ritual, praça pública e invenção.
SINOPSE
A IDADE DA MORTE nasce do encontro entre cinema, performance, interferência artística e ritualidade contemporânea. Inspirado no universo crítico, profético e experimental de Glauber Rocha, o filme transforma uma ação performática realizada no anfiteatro da Praça da República, em Belém, numa experiência cinematográfica atravessada por corpo, oralidade, afroreligiosidade, memória, transe e imaginação insurgente. Entre presença, montagem e reverência glauberiana, a obra desloca para a tela uma poética das estéticas de guerrilhas.
FICHA TÉCNICA
Título: A IDADE DA MORTE
Direção: Francisco Weyl
Cinegrafia / Direção de Fotografia: Marcelo Rodrigues
Performance: Mateus Moura, Rosilene Cordeiro, Carpinteiro de Poesia (Francisco Weyl)
Montagem: Francisco Weyl
Concepção / Argumento: Francisco Weyl
Gênero: Cinema Experimental / Performance Film / Ensaio Audiovisual
País: Brasil
Cidade: Belém do Pará – Amazônia – Brasil
Ano: 2026
Cor: (P&B ou Cor — você define)
Duração: 7 Minutos
ASSISTA AQUI > https://youtu.be/4VWa3u4eF-Q

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