A cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, receberá durante o mês de julho de 2026 a nova etapa de filmagens do documentário internacional “Negros em Terra Branca”, realizado pela Arte Usina Caeté, com direção dos pesquisadores e documentaristas Francisco Weyl e Hilton P. Silva.
O filme investiga as permanências contemporâneas do racismo estrutural global a partir das experiências de sujeitos negros, africanos, brasileiros, latino-americanos e migrantes que circulam entre diferentes territórios do mundo contemporâneo. Construído entre África, Europa e América Latina, o documentário articula reflexões sobre colonialidade, violência racial, imigração, fascismo contemporâneo, desigualdade global, memória histórica e resistência cultural.
Após iniciar suas filmagens em Portugal, entre as cidades do Porto e Lisboa, o projeto amplia agora sua dimensão transatlântica com a realização de entrevistas e registros documentais em Cabo Verde, aprofundando o diálogo entre África, Brasil e Europa.
Entre os entrevistados desta nova etapa encontram-se a artista Misá, o realizador e pesquisador cabo-verdiano Júlio Silvão Tavares e o poeta Mário Loff, cujas reflexões irão integrar o conjunto de vozes e experiências reunidas pelo filme sobre racismo contemporâneo, circulação humana, memória colonial e violência estrutural no mundo atual.
As entrevistas em Cabo Verde serão conduzidas pela jornalista Maria Cláudia Bahima, que passa a integrar oficialmente a equipe do documentário, acompanhando as filmagens de campo e os processos de interlocução com artistas, intelectuais e agentes culturais cabo-verdianos.
“Negros em Terra Branca” nasce da percepção de que o colonialismo não pertence apenas ao passado histórico, mas permanece reorganizado nas estruturas políticas, econômicas e sociais contemporâneas, atravessando políticas migratórias, relações de trabalho, circulação de corpos, produção cultural e formas de exclusão racial em diferentes partes do mundo.
O documentário reúne entrevistas, observação urbana, deslocamentos, paisagens atlânticas e experiências cotidianas da diáspora negra, construindo uma reflexão cinematográfica sobre os modos pelos quais sujeitos racializados continuam enfrentando processos de invisibilização, precarização e violência estrutural em sociedades marcadas pela desigualdade global e pelo crescimento contemporâneo de discursos xenófobos e autoritários.
A direção de fotografia do projeto reúne os realizadores portugueses Luís P. Costa e Nuno Malheiro, colaboradores do cinema independente e de práticas documentais contemporâneas em Portugal.
O projeto conta ainda com apoio institucional da Fundação Servir Cinema de Cabo Verde e da Livraria Gato Vadio, no Porto, espaço cultural onde ocorreram parte das articulações e entrevistas iniciais do documentário.
Com montagem prevista para setembro e outubro de 2026, “Negros em Terra Branca” deverá ser lançado entre novembro e dezembro, com exibições previstas na MCINE e no FICCA 2026.
Argumento ´1º TRATAMENTO
“Negros em Terra Branca” é um documentário sobre o racismo contemporâneo e suas múltiplas formas de permanência no mundo atual. Através das experiências e reflexões de artistas, intelectuais, trabalhadoras/es, imigrantes e pesquisadoras/es africanos e brasileiros que circulam entre África, Europa e América Latina, o filme investiga como corpos negros, pardos, estrangeiros e racializados continuam submetidos a estruturas globais de exclusão, violência, vigilância e apagamento.
Filmado entre Portugal, Cabo Verde e outros territórios da diáspora atlântica, o documentário acompanha pessoas que vivem diariamente as contradições de um mundo que celebra a circulação global de capitais, mercadorias e tecnologias, mas mantém fronteiras físicas, sociais e simbólicas cada vez mais violentas para aqueles considerados indesejáveis, excedentes ou ameaçadores.
Entre relatos íntimos, reflexões políticas e experiências cotidianas, “Negros em Terra Branca” revela como o racismo estrutural atravessa instituições, cidades, relações de trabalho, políticas migratórias, espaços culturais e formas de convivência social. O filme observa como sujeitos negros e racializados são frequentemente colocados em condição de suspeita, precarização, humilhação silenciosa, invisibilidade ou ameaça permanente, mesmo quando sustentam economicamente as sociedades que os marginalizam.
As vozes cabo-verdianas, angolanas, brasileiras e africanas de diferentes contextos presentes no documentário são narrativas críticas produzidos por pessoas que experienciam diretamente os efeitos contemporâneos do colonialismo, do capitalismo global, da desigualdade racial e do crescimento internacional de discursos xenófobos, autoritários e fascistas.
O filme constrói uma reflexão política e sensível sobre as formas contemporâneas do racismo global, aproximando experiências de deslocamento, memória, pertencimento, sobrevivência e resistência cultural. Ao mesmo tempo, o documentário evidencia como as antigas estruturas coloniais continuam reorganizadas dentro das dinâmicas econômicas e políticas do presente, produzindo novas formas de exclusão, exploração e violência sobre populações negras, migrantes e periféricas.
As entrevistas dialogam com paisagens urbanas, deslocamentos, atmosferas cotidianas, arquivos, travessias e espaços de circulação migratória, criando uma continuidade entre corpo, território, memória e experiência histórica. “Negros em Terra Branca” procura revelar a dimensão humana, política e existencial daqueles que continuam vivendo sob regimes explícitos ou silenciosos de racialização e exclusão.
O documentário é, assim, uma reflexão sobre o racismo como estrutura global de poder, mas também sobre dignidade, resistência e permanência humana diante de um mundo atravessado por desigualdades profundas, violência histórica e disputas permanentes pelo direito de existir plenamente.
FICHA TÉCNICA — “NEGROS EM TERRA BRANCA”
Título: Negros em Terra Branca
Gênero: Documentário
Formato: Média-metragem documental em desenvolvimento
Realização: Arte Usina Caeté
Direção e Concepção: Francisco Weyl, Hilton P. Silva
Pesquisa e Desenvolvimento: Francisco Weyl, Hilton P. Silva
Roteiro Documental: Francisco Weyl, Hilton P. Silva
Imagens: Luís P. Costa, Nuno Malheiro, Francisco Weyl, Júlio Silvão, Maria Cláudia Bahima
Entrevistas:Maria Cláudia Bahima, Francisco Weyl, Luís Costa
Produção: Arte Usina Caeté
Apoio Institucional: Fundação Servir Cinema de Cabo Verde. Livraria Gato Vadio — Porto, Escola Superior de Teatro e Cinema / Instituto Politécnico de Bragança, PERAU Pesquisa / Programa de Pó-graduação em Artes – Universidade Federal do Pará, Instituto Federal de Educação – Campus Bragança, Academia de Letras do Brasil no Estado do Pará, BEI Film - Porto
Países Envolvidos: Brasil, Portugal, Cabo Verde
Locações Principais: Porto, Praia — Ilha de Santiago
Período de Filmagens: 2025 – 2026
Montagem e Pós-Produção: Setembro – Outubro de 2026
Finalização: Outubro de 2026
Lançamento Previsto: Novembro – Dezembro de 2026
Exibições Previstas: MCINE, FICCA 2026
Temas Centrais: Racismo estrutural global, Colonialidade contemporânea, Diáspora negra
Migração, Fascismo contemporâneo, Violência econômica, Memória histórica, Resistência cultural, Circulação transatlântica
Entrevistadas/os: Aída Gomes, Taeu Marques dos Santos, Misá, Júlio Silvão Tavares, Mário Loff
Idioma: Português
Status do Projeto: Em produção / filmagens em andamento
Realização: Arte Usina Caeté, Festival Internacional de Cinema do Caeté

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