Entrevistar Humberto Cunha, para mim, Francisco Weyl, carpinteiro de poesia, foi reencontrar uma história política, humana e coletiva da qual também fiz parte. Humberto Cunha pertence a uma geração que pensou e viveu a política como campo de transformação concreta. Engenheiro agrônomo, defensor dos direitos humanos e homem público, construiu uma atuação marcada pela compreensão da Amazônia, da terra, da reforma agrária, da defesa ambiental, do combate aos agrotóxicos e das liberdades democráticas. Naquelas décadas, essas lutas se articulavam profundamente. A luta pela terra encontrava a luta pela moradia. A defesa dos trabalhadores do campo dialogava com as lutas urbanas. Educação, saúde, liberdade de expressão, liberdade de imprensa, anistia e direitos humanos compunham um amplo campo de mobilização e construção democrática. Jornais alternativos, organizações populares, movimentos sociais, sindicatos, grupos de defesa dos direitos humanos e diferentes formas de organização política pa...
Estéticas de guerrilhas, poéticas da gambiarra e tecnologias do possível na Amazônia Paraense