Irituia abre nesta semana a primeira etapa do Conexão Arandu, reunindo mestras, guardiãs de memória, artistas, artesãs, produtoras e comunicadoras em uma programação de oficinas, mostras e encontros. A movimentação começa nesta quarta-feira, 23 de setembro, com a chegada antecipada de parte da equipe ao município. As ações ganham corpo no sábado (26) e seguem no domingo (27), com uma visita à Vila Pedra, antes de o projeto continuar seu percurso por Primavera, Bragança e Belém.
Os últimos preparativos foram afinados na noite de terça-feira (22), durante reunião on-line coordenada por Rosilene Cordeiro. O encontro reuniu pessoas de diferentes gerações e experiências ligadas ao artesanato, carimbó, educação, grafite, hip-hop, comunicação, produção cultural e memória e apresentou uma Irituia mobilizada para receber a primeira etapa do projeto.
Parte da equipe chega antes. Mila Guedes, responsável pela curadoria artística das Mostras Arandu, anunciou que ela e Mestra Ila Falcão seguem para Irituia já nesta quarta-feira. “Amanhã a gente já estará por lá esperando vocês”, disse durante a reunião.
Em Irituia, a preparação também está em curso. A pedagoga Clívia Roberta integra a produção local e participa diretamente da articulação para receber o grupo. “Sou pedagoga, tenho 27 anos e sou uma amante da cultura do meu município”, afirmou. E antecipou o encontro: “sábado a gente vai interagir bastante por aqui”.
Irituia mobiliza seus espaços e suas gentes
A primeira etapa do Arandu chega acompanhada por uma rede local. Segundo Rosilene, 24 personalidades de Irituia foram convidadas e já haviam sinalizado interesse em participar das atividades. Entre os convidados mencionados na reunião estão representantes da Academia de Letras, vice-prefeitura e secretarias municipais, além de mestres e mestras de quilombo, professoras e fazedores de cultura. Há ainda expectativa, segundo a coordenação, de recepção da equipe pelo prefeito.
A Prefeitura de Irituia participa como apoiadora por meio do Centro de Convivência e das Secretarias municipais de Cultura e Educação. O Centro integra a articulação das ações e aparece também ligado à participação de Mestra Izanete Cordeiro, uma das guardiãs de memória desta etapa.
Izanete carrega uma história familiar ligada ao Mastro de São Benedito. Segundo a apresentação feita durante a reunião, a tradição já alcança a sexta geração da família e atravessa mais de 50 anos na cidade. Professora aposentada, pedagoga e artesã, ela também mantém relação com o carimbó e participa da construção desse encontro entre memória e território.
Foi dela também a articulação para levar a equipe à Vila Pedra no domingo. Um transporte foi conseguido para a visita, prevista para a manhã, e a passagem pelo lugar deverá incluir ainda o encontro com o Rio Irituia. A Vila Pedra foi apresentada durante a reunião como espaço de memória viva, relacionado às presenças negra e indígena e às histórias do município.
Mulheres e memórias em movimento
A ficha técnica do Conexão Arandu reúne 19 pessoas, sendo 16 mulheres. Entre elas estão Mestra Ila Falcão, figurinista, costureira, artesã e artista; Odalice Aviz, artesã e pescadora da Vila Que Era, em Bragança do Pará; Roberta Mártires, artesã e produtora cultural; e Daiane, grafiteira, MC, produtora cultural, arte-educadora, artesã e comunicadora amazônida.
As trajetórias chegam a Irituia carregando experiências distintas. Mestra Ila resumiu esse espírito durante a apresentação: “Estou indo para contribuir e aprender um pouquinho mais. Adoro aprender”.
As ações incluem oficinas e as Mostras Arandu, construídas em diálogo com as guardiãs de memória e com objetos, imagens, histórias e materiais escolhidos em cada território. As oficinas desta primeira etapa aproximam práticas artísticas e experiências trazidas pelas participantes, enquanto a curadoria das mostras começa a tomar forma a partir daquilo que as próprias guardiãs desejam colocar em circulação.
O território orienta também a maneira de chegar. Casas, espaços culturais, comunidades, rios, mercados e encontros construídos em visitas anteriores fazem parte da preparação. Em Irituia, uma casa funcionará como ponto de concentração e convivência da equipe durante os dias de atividades.
A acessibilidade atravessa essa organização. Ao falar dos diferentes ritmos, necessidades e formas de convivência entre as pessoas, Rosilene sintetizou uma orientação do projeto: “A primeira acessibilidade é com a gente”.
Comunicação e registro acompanham o percurso, reunindo imagens, falas e experiências produzidas durante as ações. Francisco Weyl participa da construção dessa memória e destacou, na reunião, a oralidade como dimensão fundamental do registro.
A partir desta quarta-feira, a preparação começa a ganhar presença nas ruas, espaços e encontros de Irituia. A cidade abre o Conexão Arandu reunindo quem chega e quem já está no território — mestras, guardiãs, artistas, professoras, fazedores de cultura, comunidades e instituições locais — para iniciar um percurso que seguirá por Primavera, Bragança e Belém.
CARPINTEIRO
Equipe começa a chegar ao município nesta quarta-feira (23); oficinas, mostras e encontros mobilizam mestras, guardiãs de memória, artistas, produtores e convidados locais durante a primeira etapa do projeto.

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