Pular para o conteúdo principal

Oficinas ampliam formação cultural do FICCA com a Escola República de Portugal

 

Três oficinas passam a integrar, neste segundo semestre, as ações construídas pelo FICCA Ponto de Cultura com a Escola Municipal República de Portugal, na Marambaia. Cultura popular, dança, capoeira e literatura entram no percurso que já reúne cineclubismo, formação audiovisual e pesquisa de memória em torno dos 75 anos da escola. As datas das oficinas ainda estão sendo definidas entre a direção e os oficineiros.

Andreza Barroso, a Andreza Miudinha, realizará duas atividades. “Brinquedos Cantados e Cantigas de Roda” trabalha canto, ritmo, oralidade, movimento e memória da infância. “Elementos da Dançaeira: Dança Contemporânea e Capoeira na Amazônia” articula fundamentos da capoeira e da dança contemporânea, reunindo corpo, roda, instrumentos, musicalidade, cantigas e criação.

O professor e escritor Clei Souza realizará “O Carimbó, o Boi-Bumbá e a Capoeira no Modernismo Literário Paraense”. A oficina parte de obras de Dalcídio Jurandir, Bruno de Menezes e De Campos Ribeiro para observar as relações entre literatura e cultura popular amazônica, com contextualização histórico-social, leitura dramática, exposição de livros e roda de conversa.

As atividades integram o programa de Oficinas de Linguagens Artísticas e Formativas Culturais do FICCA Ponto de Cultura e dão continuidade a uma relação construída na base entre o festival, a escola e a Marambaia. Em 2025, essa caminhada ganhou outra estrutura com a criação do Cineclube República de Portugal e a formalização da parceria entre FICCA e escola para desenvolver sessões, formação audiovisual e a produção coletiva de um documentário sobre os 75 anos da instituição.

Essa relação entre Ponto de Cultura e escola pública ganhou neste ano um marco legal específico. A Lei nº 15.481, de 31 de julho de 2026, alterou a Política Nacional de Cultura Viva — Lei nº 13.018/2014 — e estabeleceu expressamente a possibilidade de parceria e intercâmbio entre Pontos e Pontões de Cultura e estabelecimentos de educação básica. Para as escolas, a legislação determina que as atividades estejam em consonância com sua proposta pedagógica e estabelece preferência para Pontos e Pontões localizados nas proximidades da comunidade escolar. (Presidência da República)

No caso da República de Portugal, essa proximidade é concreta. O FICCA desenvolve sua atuação na Marambaia e mantém no bairro uma rede que envolve cineclubismo, produção audiovisual, cultura popular, artistas e iniciativas comunitárias. A parceria com a escola se constitui dentro desse percurso territorial e ganha continuidade com as novas oficinas.

Outro marco atravessa diretamente esse trabalho: a Lei nº 13.006/2014, que incluiu na Lei de Diretrizes e Bases da Educação a exibição de filmes de produção nacional como componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica, estabelecendo o mínimo de duas horas mensais. (Presidência da República)

A existência dessas duas legislações abre um campo importante para a cena cineclubista e autoral. De um lado, reconhece a possibilidade de relação continuada entre escolas e Pontos de Cultura próximos de suas comunidades. De outro, assegura presença regular da produção cinematográfica brasileira no espaço escolar. Sessão, debate, encontro com realizadores, formação e produção podem, assim, estabelecer relações que ultrapassam a exibição ocasional de um filme.

É um percurso conhecido pelo FICCA. Ao longo de sua atuação, oficinas realizadas em escolas e comunidades produziram filmes, processos formativos e experiências cineclubistas. Na República de Portugal, esse movimento tem agora um horizonte preciso: os estudantes estão sendo preparados para integrar as equipes que participarão da construção do documentário dos 75 anos da escola.

As sessões do Cineclube República de Portugal caminham nessa direção. Em 16 de setembro, a escola exibiu “Dia do Cortejo”, documentário de Francisco Weyl, rodado entre 2010 e 2012 sobre o Boi Vagalume da Marambaia, com a presença de Mestre Cuité Marambaia. Um filme realizado no próprio bairro retornou ao território e colocou estudantes diante de uma memória produzida nas ruas que cercam a escola.

As oficinas de Andreza Barroso e Clei Souza ampliam esse campo. Cantigas e brincadeiras, dança, capoeira, carimbó, boi-bumbá e literatura passam a conversar com cinema e memória dentro de um mesmo processo formativo.

O próximo movimento será em 8 de outubro, quando a República de Portugal realizará uma Jornada de Memória reunindo estudantes, professores, trabalhadores, ex-alunos, famílias e moradores. Fotografias, documentos, objetos, histórias e depoimentos serão mobilizados para a pesquisa e as gravações do documentário.

Aos 75 anos, a escola começa a produzir um arquivo de si mesma enquanto forma estudantes para participar dessa construção. O cineclube, as oficinas e o filme nascem dessa mesma relação entre escola e território, fortalecendo uma rede em que assistir, pesquisar, criar e realizar cinema fazem parte do mesmo movimento.


SERVIÇO - 

O quê: Oficinas do FICCA Ponto de Cultura na Escola República de Portugal

Onde: Escola Municipal de Ensino Fundamental República de Portugal, Marambaia, Belém (PA)

Quando: 

30 de setembro, à tarde: “O carimbó, o boi-bumbá e a capoeira no modernismo literário paraense”, com Clei Souza.

13 e 14 de outubro, pela manhã: “Elementos da Dançaeira: Dança Contemporânea e Capoeira na Amazônia” e “Brinquedos Cantados e Cantigas de Roda”, com Andreza Barroso.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FIM.ME — Festival Internacional de Filmes de Médias‑Metragens

Este festival nasce de uma ausência concreta no circuito contemporâneo: a média‑metragem — forma cinematográfica historicamente fértil, decisiva para o ensaio, para o cinema‑pensamento e para a maturação de linguagem — foi sendo progressivamente empurrada para fora dos festivais, do debate crítico e das políticas de difusão. Nem curta demais para o desenvolvimento de um gesto, nem longa o suficiente para se submeter às pressões industriais, a média‑metragem tornou‑se um território órfão — justamente quando o cinema precisa de tempo para escutar, tempo para experimentar e tempo para elaborar. O FIM.ME afirma a média‑metragem como cinema pleno: campo de elaboração estética, política e poética. Não é um festival temático, nem um festival de nicho. É um festival de forma, linguagem e gesto cinematográfico, orientado por um compromisso ético com um cinema humanista, socialmente engajado e esteticamente rigoroso. O FIM.ME nasce das articulações realizadas através do FICCA – Festival ...

Bragança: a volta do Cavalo de Troia - Por Carpinteiro de Poesia

Entre a poesia das ruas de Bragança e o pulsar da juventude carnavalesca, o bloco Cavalo de Troia anuncia seu retorno. Ausente desde o início da pandemia, o grupo se reorganiza para voltar à avenida com força total, prometendo até 2.000 abadás e a mesma espontaneidade que marcou seus primeiros carnavais. O Cavalo de Troia é um dos blocos mais irreverentes do carnaval. Inspirados na história grega, eles construíram um enorme cavalo de madeira que, em vez de esconder soldados, vinha recheado de cajuaçi, que é uma bebida tradicional de Bragança. A bebida era distribuída pela traseira da estrutura enquanto os foliões, vestidos de espartanos, empurravam o cavalo pelas ruas. A criatividade do bloco chamou atenção da cidade, ganhou repercussão na mídia e se tornou um destaque do carnaval bragantino, unindo sátira, cultura popular e muita brincadeira. Raízes na Juventude, Entre Amizades e Fantasias - A história do Cavalo de Troia começou como uma brincadeira entre amigos do bairro da Aldeia. E...

FICCA – Ponto de Cultura abre chamamento contínuo para oficinas de linguagens artísticas e formativas

  EDITAL Nº 1/2026 – FICCA – PONTO DE CULTURA FICCA – PONTO DE CULTURA EDITAL Nº 1 / 2026 CHAMAMENTO CONTÍNUO DE OFICINEIROS PARA AÇÕES DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA E CULTURAL O FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté, por meio de sua Coordenação, torna público o presente Chamamento Contínuo para seleção de artistas, fazedores de cultura, educadores e agentes culturais interessados em propor e ministrar oficinas de linguagens artísticas e processos formativos culturais nos territórios parceiros do FICCA. A iniciativa integra as ações permanentes do FICCA enquanto Ponto de Cultura, fortalecendo a circulação de saberes, a formação cultural, a criação artística e o encontro entre artistas e comunidades. 1. DO OBJETO 1.1. O presente edital selecionará propostas de oficinas presenciais de linguagens artísticas e/ou processos formativos culturais, com duração mínima de 3 (três) horas e máxima de 4 (quatro) horas. 1.2. As oficinas serão realizadas mensalmente, entre setemb...