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Para quem é útil o voto útil ?


Diante desse debate sobre as “opções para o governo do Pará”, das pesquisas de intenção de votos e da recorrente fala sobre o “voto útil”, vamos começar por uma pergunta: por que candidaturas alternativas, como as do Bloco PSTU e da Unidade Popular, são sistematicamente invisibilizadas, como se sequer integrassem o debate político sobre o futuro do Estado?

Como chegamos a um ponto em que as únicas opções consideradas competitivas são aquelas que o sistema político, empresarial e midiático apresenta como tais, enquanto outras candidaturas permanecem fora da narrativa antes mesmo que a sociedade tenha a oportunidade de conhecê-las, confrontá-las, criticá-las e pensar a partir delas?

E há uma segunda pergunta, diferente desta, mas diretamente relacionada: qual foi o papel da pequena burguesia, dos intelectuais e dos artistas durante todos estes anos e de que lado eles se colocaram na construção dessa realidade?

Porque precisamos olhar também para os brancos do centro da cidade, em seus confortos relacionais, institucionais, curatoriais e empresariais, ocupando os salões e salas de exposição, as salas acadêmicas, os auditórios e as autarquias, com a mesma cantilena de quem quer ser para sempre uma realeza sem ser confrontada com a realidade da exclusão periférica, do apagamento, da invisibilização e da usurpação da cena cultural.

São os mesmos doutos iluminados, nas mesmas mesas, nos mesmos espaços, participando da construção de uma realidade política que se repete porque suas relações, seus privilégios e seus lugares de fala seguem preservados dentro da mesma lógica.

E depois perguntam por que andamos para trás.

Andamos para trás porque a própria realidade que se apresenta como novidade é repetida como farsa. E porque, enquanto se discute o voto útil, talvez seja preciso perguntar: útil para quem? Quem define quais candidaturas são competitivas? Quem ocupa os espaços que produzem essa percepção? E quem permanece em silêncio enquanto as alternativas são invisibilizadas?

Talvez seja preciso começar por aí.

Carpinteiro

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