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Nota de Pesar pela passagem do Corisco

NOTA DE PESAR - O Festival Internacional de Cinema do Caeté – FICCA manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de Antonio Maria Fonseca Pereira, o nosso querido Corisco, ocorrido em 6 de agosto de 2026, em Bragança do Pará.

Antonio Maria foi a primeira criança a nascer no Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, há 74 anos, em sua cidade natal. Leitor voraz, interessado em história, filosofia, ciências, biografias, romances e poesia, encontrou na literatura uma forma singular de compreender, registrar e reinventar o território em que nasceu e viveu.

Autodenominado Corisco, criou sua própria Benquerença literária, território de causos, personagens, lembranças, invenções e experiências compartilhadas. Começou escrevendo os que chamou de “Nano Contos: pequeníssimas histórias ou coisas”, exercício que abriu caminho para poesias, contos e crônicas reunidos, em parte, no livro “(In)certas memórias”, publicado em 2022 pelo selo Populivros, da Guigar Editorial.

Sua literatura nasce da oralidade e da memória e alcança as ruas, as praças, os becos, as alamedas e as conversas de Bragança. Corisco construiu uma obra em que o literário encontra o popular, em que a história formal dialoga com a memória afetiva e em que personagens reais ganham permanência pela força da narrativa.

Sua Benquerença é, assim, uma cidade reinventada pela palavra. Nela, a memória se transforma em matéria literária, o cotidiano adquire densidade poética e os acontecimentos encontram novas possibilidades de leitura. Sob a influência assumida de escritores como Manoel de Barros, Corisco compreendeu a invenção como parte essencial da verdade literária e fez da ironia, da simplicidade e da observação instrumentos de sua escrita.

“(In)certas memórias” pulsa com a vida de Bragança. Suas crônicas revelam um escritor atento às pessoas, às relações, aos modos de falar, aos lugares e às histórias que constituem a identidade de uma comunidade. Corisco exerceu uma espécie de cartografia afetiva da cidade: sua palavra registrou aquilo que os documentos oficiais muitas vezes deixam escapar.

Como contista e memorialista, tornou-se mediador entre passado e presente, entre o vivido e o imaginado, entre a memória individual e a experiência coletiva. Sua literatura carrega conhecimento, pesquisa, humor e humanidade. Ao narrar seus personagens, preservou também suas dignidades, suas contradições, seus sonhos e suas pequenas grandezas.

Para o FICCA, que compreende o cinema e as artes como territórios de memória, criação e formação cultural, a trajetória de Corisco representa um patrimônio vivo da cultura bragantina. Sua obra dialoga profundamente com aquilo que também buscamos afirmar: a força das narrativas locais, da oralidade, da memória e das experiências humanas como matéria fundamental da criação artística.

Corisco deixa uma contribuição singular à literatura e à cultura de Bragança. Sua palavra permanece como mapa de uma cidade que ele amou, pesquisou, inventou e contou. Permanece nas páginas de “(In)certas memórias”, nas histórias compartilhadas, nas conversas e na memória daqueles que tiveram a alegria de conviver com ele.

O FICCA se solidariza com seus familiares, amigos, leitores e companheiros de caminhada e presta homenagem a Antonio Maria Fonseca Pereira, o Corisco, escritor, memorialista e guardião de uma parte preciosa da memória cultural de Bragança do Pará.

Sua Benquerença permanece entre nós.

Bragança do Pará, 6 de agosto de 2026.

Francisco Weyl
Carpinteiro de Poesia
Professor, Pesquisador, Mestre e Doutor
Festival Internacional de Cinema do Caeté – FICCA



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